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Datafolha realizará pesquisa para mostrar se o reajuste do Bolsa Família teve algum impacto na corrida eleitoral

A nova pesquisa presidencial do Datafolha deverá medir, a partir desta terça-feira, 22 de setembro, como está o cenário eleitoral para a disputa pelo Palácio do Planalto. A coleta será realizada até quinta-feira, dia 24, quando os resultados deverão ser divulgados, em uma rodada que terá como um dos principais pontos de interesse a comparação com o levantamento anterior. Além disso, será a primeira pesquisa do instituto realizada depois do reajuste de 15,04% no Bolsa Família e a segunda após a sessão do Supremo Tribunal Federal que adiou a decisão sobre uma eventual investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

O levantamento deverá ouvir presencialmente 2.004 eleitores, com custo informado de R$ 307,6 mil e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pelo grupo Globo, que reúne O Globo e TV Globo, e integra a sequência de levantamentos realizados pelo instituto desde o início oficial da campanha. Dessa forma, os novos números deverão permitir uma comparação com a pesquisa divulgada em 17 de setembro, quando Luiz Inácio Lula da Silva registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro apareceu com 36%, dentro da margem de erro do levantamento.

Outro aspecto que deverá receber atenção está relacionado aos efeitos políticos de acontecimentos recentes que foram incorporados ao debate eleitoral. O questionário inclui perguntas sobre o Supremo Tribunal Federal, além de questões relacionadas ao comportamento dos eleitores, à definição do voto e à possibilidade de mudança de candidato. Portanto, a nova pesquisa presidencial do Datafolha não deverá medir apenas a intenção de voto, mas também deverá apresentar informações sobre rejeição, decisão eleitoral, avaliação do governo e percepção dos entrevistados sobre temas institucionais.

A nova pesquisa presidencial do Datafolha e os efeitos do Bolsa Família

A realização do levantamento depois do reajuste do Bolsa Família deverá permitir que os dados sejam comparados com pesquisas anteriores feitas antes da mudança no benefício. O programa social aparece como um dos temas associados à estratégia do governo federal e, por isso, a nova rodada deverá ser observada especialmente pelos grupos políticos interessados em identificar eventuais alterações na percepção dos eleitores. No entanto, qualquer variação registrada entre pesquisas deverá ser analisada considerando a margem de erro, o período de coleta e os demais acontecimentos ocorridos entre um levantamento e outro.

Além disso, o questionário deverá investigar se os eleitores já definiram seus votos ou se ainda admitem mudar de candidato até a votação de outubro. Essa pergunta é relevante porque uma parcela dos entrevistados pode declarar uma preferência no momento da entrevista, mas continuar aberta a alterações durante a campanha. Da mesma forma, o Datafolha deverá perguntar se a escolha é motivada pela avaliação do candidato considerado melhor ou pela intenção de impedir a eleição de outro concorrente, permitindo identificar diferentes razões declaradas pelos eleitores.

Outro bloco importante deverá tratar da rejeição aos candidatos que disputam a Presidência da República. Os entrevistados deverão ser questionados sobre quais nomes não escolheriam de jeito nenhum, informação que poderá ser comparada com os índices de intenção de voto apresentados no mesmo levantamento. Na pesquisa divulgada em 17 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 46% e 44%, respectivamente, enquanto outros cenários também foram testados pelo instituto.

Datafolha vai testar cenários de segundo turno entre Lula e adversários

A nova pesquisa presidencial também deverá apresentar diferentes simulações de segundo turno, permitindo observar como Lula aparece diante de cinco possíveis adversários. Entre os confrontos previstos estão Lula contra Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e Romeu Zema. Esses cenários deverão ser comparados com a rodada anterior, na qual Lula registrou 46% contra 44% de Flávio, 46% contra 42% de Caiado, 44% contra 44% de Cury, 49% contra 39% de Zema e 47% contra 38% de Renan Santos.

No primeiro turno, a pesquisa anterior havia mostrado Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36%, enquanto Augusto Cury apareceu com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, a diferença de três pontos entre os dois primeiros candidatos estava dentro do intervalo de variação do levantamento. Assim, a próxima rodada deverá ser acompanhada principalmente pela comparação dos números e pelas eventuais oscilações registradas entre as duas pesquisas, sem que uma alteração isolada seja suficiente para estabelecer uma tendência definitiva.

Também deverá ser investigado o grau de interesse dos eleitores pela eleição e a disposição para comparecer às urnas caso o voto não fosse obrigatório. A aprovação ou reprovação do governo Lula será outro indicador incluído na pesquisa, ampliando o conjunto de informações sobre o ambiente político no momento da coleta. Consequentemente, os dados poderão mostrar não apenas a intenção declarada de voto, mas também o grau de envolvimento dos entrevistados com a eleição e a avaliação que fazem da atual administração federal.

STF ganha espaço no questionário da nova pesquisa presidencial

O Supremo Tribunal Federal deverá ocupar espaço relevante no novo levantamento por meio de perguntas específicas sobre ética e atuação dos ministros. Entre os temas apresentados aos entrevistados estão a possibilidade de criação de um código de ética para integrantes da Corte e situações envolvendo participação societária em empresas privadas, convites para eventos pagos por pessoas ou empresas com processos no tribunal e recebimento de pagamentos por palestras organizadas por empresas privadas. O questionário também deverá perguntar quem seria mais beneficiado ou prejudicado, entre Lula e Flávio Bolsonaro, pelas decisões recentes do Supremo.

A inclusão dessas perguntas ocorre depois de uma sequência de acontecimentos envolvendo o STF que ganhou espaço no debate político e eleitoral. A pesquisa anterior do Datafolha, realizada entre 15 e 17 de setembro, já havia sido feita após a sessão do Supremo relacionada ao caso que envolveu Alexandre de Moraes, mantendo Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. No segundo turno, os dois também repetiram os números da rodada anterior, com 46% para Lula e 44% para Flávio, segundo os dados divulgados pelo instituto.

Agora, a nova rodada deverá permitir uma comparação entre dois momentos consecutivos da campanha, com atenção especial às mudanças ocorridas no período entre as entrevistas. Além do reajuste do Bolsa Família, acontecimentos relacionados ao STF, movimentações das campanhas e novos discursos dos candidatos deverão fazer parte do contexto em que os números serão interpretados. Portanto, a divulgação dos resultados na quinta-feira, 24 de setembro, deverá oferecer uma nova fotografia da corrida presidencial, incluindo primeiro turno, segundo turno, rejeição, aprovação do governo e percepção dos eleitores sobre instituições.

A pesquisa presidencial do Datafolha será, desse modo, acompanhada por campanhas, partidos e eleitores por apresentar uma combinação de perguntas sobre voto, rejeição e comportamento eleitoral. A metodologia presencial, a quantidade de entrevistados e a margem de erro deverão ser considerados na leitura dos resultados, assim como o período específico em que as entrevistas forem realizadas. Com a votação marcada para 4 de outubro, o levantamento também será divulgado em uma etapa avançada da campanha, quando os candidatos intensificam agendas e estratégias de comunicação.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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