Deputado Otoni de Paula, ex-bolsonarista, não poupou críticas a Flávio Bolsonaro e ainda elogiou Lula

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que rompeu politicamente com o bolsonarismo e declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a fazer críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeo publicado nas redes sociais na terça-feira, 7 de outubro, o parlamentar afirmou que o candidato à Presidência estaria ligado a interesses de grupos que também possuem questões a serem resolvidas na Justiça. A manifestação ocorreu durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e teve como principal alvo a relação de Flávio com integrantes do Centrão e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Otoni utilizou uma série de acusações para sustentar sua avaliação sobre o cenário político após a eleição. Em determinado momento, afirmou que Flávio “está na mão” do STF e fez referência ao caso das chamadas rachadinhas, além de mencionar o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As declarações foram feitas pelo próprio deputado e aparecem no vídeo reproduzido pelo Estado de Minas, sem que isso represente uma conclusão judicial sobre as acusações apresentadas por ele.
A crítica ganhou destaque principalmente pela expressão utilizada pelo deputado para se referir ao candidato do PL. “O Flavinho, o que acontece? Ele está mais sujo que pau de galinheiro”, afirmou Otoni, acrescentando que Flávio estaria “na mão do Gilmar Mendes” e “enrolado no caso do Vorcaro”. O deputado também relacionou essas afirmações a uma possível articulação entre Flávio, partidos do Centrão e integrantes da Suprema Corte.
Otoni de Paula fala em acordo envolvendo Flávio e STF
Otoni iniciou o vídeo cortando uma pizza, recurso utilizado para fazer referência, segundo a própria abordagem apresentada na gravação, a casos de corrupção que terminariam sem consequências para os envolvidos. Na sequência, afirmou que uma eventual eleição de Flávio não significaria necessariamente uma ofensiva contra ministros do STF, porque, em sua avaliação, haveria interesses cruzados entre diferentes grupos políticos. O deputado resumiu essa interpretação dizendo que “está todo mundo devendo todo mundo”, expressão usada para sustentar a ideia de que haveria espaço para um acordo.
O parlamentar também citou o caso das rachadinhas ao falar sobre Flávio e mencionou a situação envolvendo Daniel Vorcaro. Segundo Otoni, integrantes de partidos que apoiariam Flávio no segundo turno também teriam interesses relacionados ao empresário e dependeriam de decisões da Suprema Corte em processos que poderiam atingir políticos. Essas afirmações foram apresentadas como argumentos do deputado e fazem parte da crítica política que ele direcionou ao candidato do PL.
Na sequência, Otoni citou nominalmente partidos e setores políticos que, segundo ele, estariam próximos da candidatura de Flávio. O deputado mencionou União Brasil, Progressistas e o Centrão, afirmando que esses grupos teriam relações com Vorcaro e processos em andamento no STF. A partir dessa interpretação, ele questionou a possibilidade de uma eventual ruptura entre o futuro governo e a Suprema Corte depois da eleição.
Deputado questiona relação de Flávio com Daniel Vorcaro
Outro trecho da fala de Otoni foi dedicado diretamente à relação atribuída por ele entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O parlamentar mencionou uma visita de Flávio à casa do empresário e afirmou que o senador teria utilizado uma expressão de proximidade ao conversar com Vorcaro. A partir disso, Otoni questionou se uma eventual eleição de Flávio realmente seria acompanhada por uma “guerra” contra ministros do STF.
“Você acha mesmo que o Flavinho sentando na presidência vai ter uma guerra? Não”, afirmou Otoni, antes de apresentar sua interpretação sobre o interesse de determinados grupos políticos na eleição presidencial. Em seguida, ele descreveu Flávio como alguém que teria proximidade com Vorcaro e afirmou que o empresário poderia ter um “amigo presidente da República”. As declarações foram apresentadas pelo deputado como parte de sua argumentação sobre possíveis acordos envolvendo políticos, empresários e integrantes do Judiciário.
Otoni também direcionou críticas ao governo Lula ao explicar por que, segundo sua avaliação, determinados grupos políticos não apoiariam o atual presidente no segundo turno. Ele afirmou que Lula não aceitaria um acordo relacionado ao escândalo envolvendo o Banco Master e associou essa posição à atuação da Polícia Federal durante o governo. Na conclusão dessa parte do vídeo, o deputado afirmou que o apoio a Flávio ocorreria porque o candidato seria, nas palavras dele, “do esquema”, acusação que foi feita pelo parlamentar e não apresentada como fato comprovado.
Otoni rompeu com o bolsonarismo e apoia Lula
Otoni de Paula rompeu recentemente com a bancada bolsonarista e passou a apoiar Lula na disputa presidencial, movimento que alterou sua posição pública em relação ao grupo político ao qual esteve anteriormente associado. O deputado já havia feito críticas a Flávio em outros momentos, inclusive em maio, quando questionou a postura de quem apontava suposta corrupção envolvendo Lula, mas ignorava acusações relacionadas ao senador. Na ocasião, Otoni também havia criticado Flávio por causa de áudios envolvendo Daniel Vorcaro e afirmou que o episódio representava um problema para a direita brasileira.
Na publicação mais recente, Otoni manteve o tom de confronto e afirmou que uma eventual vitória de Flávio não produziria a ruptura com o STF que parte dos eleitores poderia esperar. Na legenda do vídeo, o deputado escreveu que, em Brasília, “ninguém bate em quem pode bater de volta”, reforçando a tese de que interesses políticos poderiam limitar enfrentamentos institucionais. O parlamentar encerrou a gravação com uma provocação ao público e a expressão “Quer uma pizza?”, retomando o elemento utilizado no início do vídeo.





