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Derrotado, Carlos Viana acusa Nikolas de ter pensado “na própria vaidade”

O senador Carlos Viana (PSD), que disputou a reeleição e ficou na terceira colocação, avaliou o resultado das urnas em Minas Gerais como reflexo de uma fragmentação que acabou beneficiando a oposição. Em declaração após a apuração, classificou a disputa interna entre nomes do campo conservador como o fator principal que levou à vitória da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) para uma das duas vagas ao Senado. Para Viana, a falta de unidade falou mais alto do que projetos comuns e compromissos com o eleitorado.

“A direita se dividiu. Houve um movimento muito forte contra a minha candidatura liderado pelo grupo do deputado Nikolas Ferreira, que, nesse momento, não pensou no Brasil nem no bem de Minas Gerais. Pensou apenas no próprio grupo, na própria vaidade e, infelizmente, entregou a cadeira ao PT”, afirmou o senador. Ele recebeu cerca de 3,5 milhões de votos, número que, somado ao de outros candidatos do mesmo espectro político, teria sido suficiente para garantir sua permanência no cargo.

A controvérsia envolveu também o candidato Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman”, do partido Novo, que foi apoiado publicamente por Nikolas Ferreira. Ele obteve aproximadamente 1,9 milhão de votos e ficou na sexta colocação. Em meio à campanha, o próprio candidato do Novo havia acusado Viana de agir por interesse pessoal e chegou a pedir que o senador desistisse da disputa em favor de sua candidatura, numa tentativa de concentrar os votos do campo conservador em um único nome.

Carlos Viana reforçou que a perda não é apenas individual, mas de todo um grupo político. “Não sou eu que fui derrotado. É a direita que perdeu em Minas Gerais”, avaliou. O senador havia declarado apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do pleito e contava com o respaldo de algumas lideranças bolsonaristas, que reconheciam sua capacidade de atrair eleitores em diferentes regiões do estado. A expectativa era de que essa sintonia se refletisse também nas urnas.

Os números da eleição mostram que a soma de votos recebidos por outros candidatos de perfil semelhante ao de Viana teria sido suficiente para alterar o resultado. O ex-secretário Marcelo Aro (PP), que ficou em quinto lugar, obteve cerca de 2,3 milhões de sufrágios. Já o senador Aécio Neves (PSDB), sétimo colocado, registrou aproximadamente 800 mil votos. Se esses eleitores tivessem se unido em torno de um nome único, o desfecho teria sido diferente, conforme reconhecem analistas e as próprias lideranças envolvidas.

Os dois nomes que conquistaram as vagas foram Domingos Sávio (PL), com quase 5 milhões de votos, e Marília Campos (PT), com cerca de 4 milhões. Enquanto o primeiro consolidou uma base sólida e unificada, a candidata do PT se beneficiou da dispersão dos votos do campo adversário. O resultado em Minas Gerais, um dos maiores colégios eleitorais do país, chamou a atenção nacional e passou a servir de exemplo sobre como a divisão interna pode influenciar diretamente o desempenho eleitoral.

O desfecho em Minas Gerais deixa lições para as próximas etapas da política estadual e nacional. A disputa eleitoral é, antes de tudo, um exercício de escolha do eleitor, mas também revela a importância da articulação e da convergência entre aqueles que compartilham visões semelhantes. Cada voto tem valor, e a forma como as forças políticas se organizam pode definir não apenas quem ocupa os cargos, mas quais projetos serão priorizados nos anos que se seguem. O eleitorado observa e, no momento oportuno, dará a resposta definitiva sobre os caminhos que devem ser trilhados.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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