Documento divulgado pela Frente de Evangélicos pede para a fé cristã não ser usada como instrumento eleitoral

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou uma carta aberta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual pede transparência na condução do caso envolvendo o Banco Master. O documento afirma que o Brasil precisa conhecer integralmente o que aconteceu e defende que os fatos sejam esclarecidos independentemente de quem possa ser atingido. A manifestação foi divulgada nesta quinta-feira (10) e tem como destinatário o ministro responsável pela relatoria de uma das investigações relacionadas ao caso.
Na carta, a entidade afirma que a busca pela verdade deve prevalecer sobre interesses pessoais, políticos ou institucionais. O grupo utiliza a expressão “doa a quem doer” para reforçar que a apuração, segundo sua posição, não deveria fazer distinção entre os envolvidos. A Frente também recorre a referências do Evangelho de João para sustentar o pedido apresentado a Mendonça.
Outro trecho destacado pela entidade trata diretamente da relação entre religião e política. O documento afirma que a fé cristã não deve ser transformada em “escudo, palanque ou instrumento eleitoral” e sustenta que a religião não pode ser utilizada para levantar suspeitas contra outros cristãos. Dessa maneira, a carta procura separar a identidade religiosa de disputas políticas e eleitorais relacionadas ao caso.
Carta afirma que fé cristã não deve ser instrumento eleitoral
A Frente declara que sua manifestação é feita a partir da fé compartilhada por seus integrantes, e não como uma posição externa à comunidade cristã. O texto é dirigido a Mendonça tanto por sua atuação como ministro do STF e relator do caso Master quanto por sua condição de integrante da comunidade presbiteriana. O documento menciona que Mendonça é pastor de uma Igreja Presbiteriana em São Paulo.
Ao abordar o uso político da religião, a entidade afirma que a fé não deveria funcionar como mecanismo de proteção para autoridades ou como instrumento de disputa eleitoral. A carta sustenta que os princípios religiosos invocados pelo grupo apontam para a busca pela justiça e pela verdade, e não para a defesa de interesses específicos. O documento também afirma que o Estado deve estar submetido a esses princípios de justiça e verdade, conforme a interpretação apresentada pela própria Frente.
A argumentação religiosa é acompanhada por referências bíblicas utilizadas para reforçar o pedido de esclarecimento dos fatos. Entre as passagens citadas está o trecho de João 8:32, relacionado à ideia de que a verdade conduz à liberdade, além de João 3:21, que associa a prática da verdade à luz. As referências foram inseridas no documento como fundamento para a cobrança de transparência dirigida ao ministro.
Frente pede que investigação seja esclarecida sem distinção
O ponto central da carta é a defesa de que todas as informações relacionadas ao caso Master sejam esclarecidas. A Frente afirma que o país precisa saber “o que aconteceu” e acrescenta que essa apuração deve alcançar todos os fatos, sem estabelecer distinções entre pessoas atingidas pelas investigações. A entidade também pede que Mendonça escolha a transparência na condução do processo.
A manifestação ocorre em meio à crise institucional provocada pelos diferentes desdobramentos do caso Master no Supremo. Mendonça determinou medidas relacionadas ao comando da Polícia Federal, enquanto decisões posteriores de outros ministros da Corte alteraram parte dos efeitos dessas determinações. Nesse cenário, a divulgação de informações e a discussão sobre o sigilo das investigações passaram a ocupar espaço central no debate público.
A carta também precisa ser lida à luz da atuação política anterior da própria Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. No mês passado, o movimento havia declarado apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e feito críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, segundo o Estado de Minas. A nova manifestação, porém, concentra-se no caso Master, na transparência das investigações e na posição da entidade sobre o uso da religião no ambiente eleitoral.
Documento reforça cobrança por transparência no caso Master
Ao defender que o Brasil saiba o que aconteceu “doa a quem doer”, a Frente coloca a divulgação dos fatos como elemento central de sua carta ao ministro André Mendonça. O documento também procura deixar explícito que a fé cristã, na visão apresentada pela entidade, não deve ser utilizada como ferramenta de campanha, proteção política ou instrumento para atingir outros grupos religiosos. A cobrança é acompanhada pela defesa de que a investigação seja conduzida com base na verdade e na justiça.
A Frente reúne integrantes de diferentes denominações evangélicas, entre elas presbiterianos, batistas, metodistas, luteranos e pentecostais. Na carta, seus integrantes afirmam que falam como cristãos ao dirigir o pedido a Mendonça e utilizam passagens bíblicas para fundamentar a posição apresentada. O caso Master continua sob investigação e segue provocando manifestações de diferentes setores da sociedade e novos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal.





