Durante encontro com influenciadores pró-Flávio, Pablo Marçal fez um importante alerta

Marçal diz que PT vende esperança melhor que Flávio e, ao mesmo tempo, propõe uma mudança na comunicação dos apoiadores de Flávio Bolsonaro na reta final da eleição presidencial de 2026. A declaração foi feita nesta terça-feira (20), durante um encontro fechado em São Paulo com cerca de 300 influenciadores ligados à campanha do candidato do PL. Na ocasião, o empresário e ex-candidato Pablo Marçal também orientou os participantes a evitar ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala sobre o PT chamou atenção porque Marçal reconheceu, sob sua própria ótica, uma diferença na maneira como os adversários trabalham a comunicação política. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores consegue apresentar suas mensagens a partir de conceitos como esperança e prazer, enquanto, em determinadas situações, também recorreria ao medo e à dor. O comentário foi feito justamente enquanto Marçal apresentava aos influenciadores uma estratégia para ampliar a comunicação digital de Flávio nos últimos dias antes do segundo turno.
Além disso, Marçal classificou como “antiestratégico” insistir em críticas ao STF neste momento da campanha e defendeu que os apoiadores concentrem seus esforços em problemas que afetam diretamente a população. Dessa forma, a orientação apresentada foi para que os influenciadores produzissem conteúdos voltados às emoções e às preocupações dos eleitores, em vez de permanecerem concentrados em ataques aos adversários. A mudança de tom ocorre poucos dias antes da votação marcada para domingo (25), colocando a comunicação nas redes sociais no centro da disputa.
Marçal diz que PT vende esperança e propõe mudança de estratégia
A afirmação de que o PT vende esperança melhor que Flávio apareceu dentro de uma análise mais ampla apresentada por Marçal aos influenciadores. Ao explicar sua visão sobre comportamento eleitoral, ele mencionou esperança, prosperidade e medo como elementos que podem ser utilizados na comunicação de uma candidatura. Segundo o relato publicado pelo UOL, Marçal citou a eleição presidencial de 2002 como exemplo de uma campanha que teria conseguido mobilizar eleitores por meio de uma mensagem de esperança.
Na reunião, os participantes foram orientados a não transformar Lula ou o STF no centro das publicações relacionadas à campanha de Flávio Bolsonaro. Em vez disso, Marçal defendeu que fossem abordados temas capazes de estabelecer uma conexão emocional com os eleitores, incluindo segurança pública e problemas econômicos e sociais. A orientação representa uma tentativa de deslocar a discussão eleitoral do confronto direto para uma comunicação baseada na apresentação de uma mensagem própria.
Ao falar sobre o papel do medo, Marçal também afirmou que a campanha deveria explorar a preocupação dos eleitores com a segurança pública e utilizou a expressão “bandido na cadeia” para exemplificar uma das mensagens que considera importantes para a disputa. Entretanto, sua fala também foi acompanhada de uma recomendação para evitar ataques pessoais e reduzir a exposição de temas relacionados ao STF. Assim, a estratégia apresentada combinou uma comunicação emocional com a tentativa de diminuir a presença de determinados assuntos considerados desgastantes para a campanha.
A estratégia de Marçal para a reta final da eleição
A reunião ocorreu em São Paulo e teve a participação do próprio Flávio Bolsonaro, que gravou vídeos com os influenciadores presentes. Entre os nomes citados como participantes estavam o empresário Renato Cariani, o ator Arthur Aguiar e a apresentadora Mônica Salgado, em uma mobilização que buscou ampliar a produção de conteúdo político nas redes sociais. O material produzido no encontro deveria ser utilizado de acordo com as orientações apresentadas por Marçal para os últimos dias da campanha.
A declaração “PT é melhor que a gente”, usada por Marçal para explicar sua percepção sobre a comunicação política, ganhou repercussão justamente por ter sido feita diante de apoiadores de Flávio Bolsonaro. O empresário afirmou que o PT saberia apresentar uma ideia utilizando esperança ou prazer e, quando esses elementos não fossem suficientes, recorreria à dor. É importante destacar, porém, que essa é uma avaliação feita pelo próprio Marçal sobre estratégias de comunicação política, e não uma conclusão independente sobre o desempenho dos partidos.
A orientação também incluiu uma tentativa de evitar que os influenciadores permanecessem na defensiva diante das críticas dos adversários. Marçal defendeu que os apoiadores passassem a produzir novas mensagens e evitassem reagir constantemente aos conteúdos publicados pelo campo político adversário. Com isso, a comunicação deveria ser deslocada para uma agenda própria, em uma estratégia que pretende ocupar as redes sociais com conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio.
O impacto da orientação na campanha de Flávio
A participação de Marçal na campanha de Flávio Bolsonaro ganhou espaço durante a reta final da disputa presidencial, depois que o empresário passou a auxiliar na preparação do candidato para debates e em outras áreas da comunicação eleitoral. Agora, sua atuação também aparece relacionada à mobilização de influenciadores digitais, setor considerado relevante para a circulação de mensagens políticas durante a campanha. A estratégia apresentada nesta terça-feira procura aproveitar justamente a capacidade desses produtores de conteúdo de alcançar públicos diferentes nas plataformas digitais.
Nos próximos dias, a orientação deverá ser colocada em prática por meio de novos conteúdos e de uma mobilização digital anunciada pelo próprio Marçal. Segundo relatos sobre o encontro, uma transmissão com apoiadores e personalidades está prevista para quinta-feira (22), enquanto conteúdos de figuras conhecidas também foram mencionados como parte da estratégia. Portanto, quando Marçal diz que PT vende esperança melhor que Flávio, a declaração não aparece isoladamente: ela faz parte de uma tentativa explícita de redefinir o discurso utilizado pelos apoiadores do candidato do PL nos dias decisivos da eleição.





