Edinho Silva, presidente do PT, não acha que pedido de vista feito por Dino prejudicará Lula

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado, 19 de setembro de 2026, que o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal deve ser tratado como um fato isolado e não deverá atingir a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorreu em Florianópolis, antes de um evento que contou com a presença do presidente, em meio à repercussão da sessão do STF que interrompeu a análise de questões relacionadas ao caso envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Segundo Edinho, a posição de Lula continua sendo a defesa da apuração de todas as denúncias e da responsabilização de quem eventualmente tiver cometido ilícitos.
Ao comentar diretamente o pedido de vista de Dino, Edinho afirmou que o episódio não deveria ser associado à estratégia eleitoral do PT. O dirigente partidário sustentou que Lula já havia se manifestado favoravelmente à investigação das denúncias e que o partido pretende manter essa posição diante da crise envolvendo o Supremo. Para Edinho, eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pelas instituições competentes, sem que autoridades ou lideranças políticas sejam colocadas acima da lei.
O pedido de vista foi apresentado por Flávio Dino durante uma sessão extraordinária do STF realizada em 15 de setembro. Com a medida, a discussão sobre a tramitação conjunta de duas petições relacionadas ao caso Master foi interrompida, e o mérito das petições não chegou a ser analisado pelo plenário naquela ocasião. O próprio Supremo informou que Dino pediu vista enquanto os ministros discutiam se os casos deveriam ser examinados conjuntamente ou de maneira separada.
Pedido de vista de Dino interrompe análise no Supremo
A discussão no STF envolvia uma petição relacionada a um relatório da Polícia Federal que menciona o ministro Alexandre de Moraes e outra que trata de alegadas irregularidades na condução do caso Master pelo ministro André Mendonça. Antes da interrupção, os ministros divergiam sobre a possibilidade de reunir os dois processos e sobre quem deveria permanecer responsável pela relatoria. O pedido de vista de Dino suspendeu a análise e deixou a continuidade do julgamento para uma data posterior.
A sessão que terminou com o pedido de vista também foi marcada por um confronto verbal entre Gilmar Mendes e André Mendonça. O bate-boca ocorreu durante a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e posteriormente contribuiu para o ambiente de tensão que antecedeu a interrupção do julgamento. A Agência Brasil registrou que o placar provisório estava em 4 votos a 3 sobre a forma de tramitação dos casos, embora Dino tenha solicitado que sua posição não fosse contabilizada naquele momento por ter pedido vista.
De acordo com informações divulgadas pelo STF, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça defenderam a análise separada das petições. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram pela reunião dos casos, enquanto Dino havia defendido a tramitação conjunta, mas pediu vista antes de concluir a votação. Nunes Marques declarou impedimento e Dias Toffoli declarou suspeição, ficando fora da análise do processo.
Edinho Silva fala sobre impacto na campanha de Lula
Na avaliação apresentada por Edinho Silva, a decisão de Flávio Dino não altera a posição política defendida por Lula diante das denúncias relacionadas ao caso. O presidente do PT afirmou que o objetivo deve ser permitir que as investigações avancem e que eventuais responsáveis por irregularidades sejam identificados e responsabilizados. Ele também disse que a apuração deveria alcançar autoridades do Ministério Público e do Judiciário, além de lideranças políticas que eventualmente estejam envolvidas.
Edinho também defendeu uma reforma do Judiciário e do sistema político durante a entrevista em Florianópolis. Segundo ele, as mudanças seriam necessárias para enfrentar problemas relacionados ao funcionamento das instituições e à relação entre cargos públicos e interesses particulares. O presidente do PT afirmou ainda que o objetivo seria reduzir situações de privilégio e impedir que funções públicas fossem utilizadas para enriquecimento pessoal.
A avaliação apresentada por Edinho ocorre, porém, em um cenário no qual o episódio do STF já vinha sendo discutido dentro da campanha de Lula. Segundo reportagem da CNN Brasil publicada em 16 de setembro, integrantes do entorno do presidente demonstraram preocupação com a repercussão política do pedido de vista de Dino e com a tentativa da oposição de associar a atuação de determinados ministros ao Palácio do Planalto. Outra reportagem, do R7, informou que integrantes da campanha discutiram a dificuldade de manter a agenda do governo no centro do debate diante da crise no Supremo.
Lula mantém discurso sobre investigação das denúncias
Durante a entrevista, Edinho afirmou que Lula pretende continuar governando normalmente durante o período eleitoral e citou medidas adotadas pelo governo, entre elas a reposição dos valores do Bolsa Família. O dirigente também abordou a discussão sobre apostas esportivas e afirmou que o governo enfrenta o problema das chamadas bets devido aos efeitos relacionados ao endividamento da população. As declarações foram feitas no mesmo evento em que o presidente do PT tratou da repercussão política da crise envolvendo o STF.
O presidente Lula havia participado, na sexta-feira, 18 de setembro, de uma cerimônia relacionada às ações integradas de enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro. Segundo as informações divulgadas pela Agência Estado, o plano prevê cooperação entre governo federal, governo estadual e prefeitura na área de segurança pública. Na ocasião, Lula defendeu a integração entre as diferentes esferas de governo como forma de enfrentar os desafios relacionados ao crime organizado.
A discussão sobre os efeitos eleitorais da crise no STF ocorre a poucas semanas do primeiro turno das eleições gerais, enquanto o pedido de vista mantém suspensa a análise do processo. O Supremo esclareceu que, na sessão de 15 de setembro, o plenário não examinou o mérito das petições, concentrando-se na questão processual sobre a forma de tramitação dos casos. Edinho Silva, por sua vez, afirmou que o episódio envolvendo Dino é isolado e sustentou que a campanha de Lula continuará defendendo a investigação das denúncias e a responsabilização de eventuais envolvidos.





