Eduardo Cunha está apoiando Flávio Bolsonaro e até postou um vídeo ao lado do senador

Flávio Bolsonaro pediu votos para Eduardo Cunha durante um vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta-feira (27), em um movimento que aproximou publicamente dois personagens ligados à direita brasileira. De acordo com informações do portal Estado de Minas, o candidato à Presidência pelo PL elogiou o ex-presidente da Câmara dos Deputados e afirmou que ele teve um papel importante na história recente do país. Durante a gravação, Flávio também destacou a atuação de Cunha no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e o classificou como responsável por ter “derrubado” a petista.
O encontro ganhou peso político porque Eduardo Cunha tenta retornar à Câmara dos Deputados nas eleições deste ano, agora como candidato por Minas Gerais. Embora o Republicanos tenha adotado uma posição de neutralidade na disputa presidencial, Cunha declarou individualmente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou que pretende trabalhar pela eleição do senador. Dessa maneira, o vídeo serviu tanto para reforçar a campanha presidencial de Flávio quanto para apresentar Cunha novamente ao eleitorado mineiro como uma liderança alinhada ao campo político de oposição ao PT.
A aproximação também recuperou um dos episódios mais marcantes da política brasileira da última década. Em 2016, quando presidia a Câmara, Cunha conduziu a sessão que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment de Dilma, que acabou sendo afastada definitivamente da Presidência em agosto daquele ano. Agora, dez anos depois, sua atuação naquele processo foi novamente utilizada por um candidato presidencial como símbolo de oposição ao Partido dos Trabalhadores e como elemento de mobilização do eleitorado conservador.
Flávio Bolsonaro pede votos e elogia trajetória de Eduardo Cunha
Durante a gravação, Flávio Bolsonaro apresentou Eduardo Cunha como alguém que teria desempenhado um papel relevante na história política do Brasil. O senador destacou principalmente a atuação do ex-deputado durante o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff e afirmou que ele teria contribuído para que o país reagisse naquele momento. A fala demonstra que a campanha de Flávio pretende recuperar acontecimentos do passado para reforçar uma identidade política construída em torno da oposição ao PT e da rejeição aos governos petistas.
Cunha, por sua vez, agradeceu os elogios e confirmou publicamente seu apoio ao candidato do PL para a Presidência da República. O ex-deputado ressaltou que seu partido decidiu permanecer neutro na eleição presidencial, mas afirmou que ele próprio apoiará Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e no restante do país. Assim, uma distinção importante foi estabelecida entre a posição institucional do Republicanos e a decisão pessoal de Cunha, que passou a participar da campanha presidencial mesmo sem uma aliança formal entre as duas siglas.
A participação de Cunha também deverá ser observada dentro de sua tentativa de reconstruir a carreira política. Mesmo tendo exercido um dos cargos mais importantes do Legislativo brasileiro, ele deixou a Câmara em meio a uma série de acusações e posteriormente teve seu mandato cassado, enquanto sua situação eleitoral continua sendo questionada. Segundo o Estado de Minas, o Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro de sua candidatura em Minas Gerais, alegando que ele estaria inelegível, o que poderá criar obstáculos para seu retorno ao Congresso Nacional.
Flávio Bolsonaro resgata impeachment de Dilma na campanha
A referência ao impeachment de Dilma Rousseff não foi casual e possui forte significado dentro da estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro. O processo ocorrido em 2016 permanece como um dos principais marcos da polarização política brasileira, sendo interpretado de maneiras completamente diferentes por grupos de esquerda e direita. Ao elogiar Cunha justamente por sua atuação naquele episódio, Flávio reforçou uma narrativa segundo a qual a saída de Dilma teria representado uma reação política necessária contra o governo petista.
O vídeo também recuperou uma declaração antiga de Jair Bolsonaro, que na época era deputado federal e participou da sessão que aprovou o prosseguimento do processo de impeachment. Nas imagens utilizadas na publicação, o ex-presidente aparece elogiando Cunha pela condução dos trabalhos da Câmara e classificando aquele momento como histórico. Com isso, a campanha de Flávio conectou três momentos diferentes da política brasileira: a atuação de Cunha em 2016, a ascensão de Jair Bolsonaro nos anos seguintes e a candidatura presidencial do filho em 2026.
A estratégia permite que Flávio Bolsonaro dialogue diretamente com eleitores que possuem forte rejeição ao PT e que enxergam o impeachment de Dilma como um momento decisivo para a política nacional. Ao mesmo tempo, a escolha de Cunha como aliado informal pode produzir debates sobre o passado do ex-presidente da Câmara e sobre os episódios que marcaram sua trajetória. Portanto, enquanto o candidato busca transformar a antiga atuação de Cunha em um ativo eleitoral, seus adversários poderão utilizar justamente as controvérsias envolvendo o ex-deputado para questionar a aproximação.
Flávio Bolsonaro amplia articulação em Minas Gerais
A presença de Eduardo Cunha na campanha de Flávio também possui uma dimensão regional importante, já que o ex-presidente da Câmara tenta conquistar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, Cunha decidiu disputar a eleição pelo estado mineiro e busca reconstruir sua base política depois de anos afastado das atividades parlamentares. Dessa forma, o apoio a Flávio Bolsonaro poderá ser utilizado simultaneamente para fortalecer a candidatura presidencial e aumentar sua própria exposição entre os eleitores mineiros.
Para Flávio, a manifestação de apoio de Cunha representa mais um gesto de aproximação com setores da direita que possuem atuação política consolidada e identificação com o eleitorado antipetista. A campanha presidencial deverá continuar utilizando figuras conhecidas desse campo para ampliar sua presença regional e reforçar a mensagem de oposição ao governo Lula. Enquanto isso, Cunha tenta recuperar espaço em uma eleição na qual sua situação jurídica ainda deverá ser analisada pelas autoridades eleitorais.
O episódio mostra, portanto, como a campanha presidencial de 2026 começa a resgatar personagens e acontecimentos que marcaram a política brasileira nos últimos anos. Flávio Bolsonaro transformou a aproximação com Eduardo Cunha em uma oportunidade para reforçar sua narrativa contra o PT, enquanto o ex-deputado encontrou espaço para declarar apoio ao candidato mesmo diante da neutralidade oficial de seu partido. A partir de agora, a aliança política entre os dois deverá ser acompanhada de perto, principalmente porque poderá gerar tanto apoio entre eleitores conservadores quanto críticas de adversários que associam Cunha às controvérsias de sua trajetória política.





