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Em Maceió, um porteiro foi levado para a Central de Flagrantes juntamente com uma panela usada no protesto

Um porteiro foi preso pela Polícia Militar na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, após participar de um panelaço contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em Maceió, capital de Alagoas. O episódio aconteceu no bairro da Ponta Verde, uma área nobre da cidade, enquanto o senador concedia entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Além de conduzir o trabalhador à Central de Flagrantes, os policiais levaram a panela utilizada na manifestação, que acabou apreendida pela delegacia.

Segundo reportagem do UOL, o porteiro estava trabalhando quando decidiu se juntar a moradores que participavam do protesto na área externa de um edifício. Ele teria começado a bater a panela com mais intensidade durante uma discussão entre manifestantes e um motorista que passava pelo local. O trabalhador foi o único levado à delegacia, sob a alegação inicial de desacato por supostamente demorar a abrir o portão aos policiais.

A ocorrência, entretanto, foi registrada pelo delegado de plantão como perturbação do sossego, e não como desacato, conforme as informações divulgadas pelo UOL. A panela usada no ato permaneceu apreendida na delegacia, enquanto moradores acompanharam o porteiro para prestar solidariedade. O caso gerou questionamentos sobre a atuação policial, principalmente porque testemunhas relataram que o motorista também teria ameaçado os participantes do protesto.

Panela usada no protesto foi apreendida pela polícia

A apreensão da panela chamou a atenção porque o objeto era o instrumento utilizado pelo trabalhador para participar de uma manifestação política. De acordo com a reportagem assinada pelo colunista Carlos Madeiro, o porteiro foi levado à Central de Flagrantes junto com o utensílio, que permaneceu sob custódia da delegacia após o registro da ocorrência. O episódio ocorreu durante uma série de panelaços realizados em diferentes cidades brasileiras contra Flávio Bolsonaro.

O morador Felipe Verlaine relatou que estava em frente à parte interna do prédio segurando uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando o porteiro se juntou à manifestação. Segundo ele, outras pessoas também batiam panelas nas ruas e em edifícios da região, acompanhando o protesto durante a entrevista do candidato. Verlaine afirmou que o trabalhador era conhecido pelos moradores e que sua participação ocorreu enquanto cumpria o expediente no condomínio.

Ainda conforme o relato publicado pelo UOL, um motorista que passava pelo local teria abaixado os vidros do carro, feito gestos obscenos e dirigido xingamentos e ameaças aos manifestantes. Verlaine disse que continuou segurando a bandeira, enquanto o porteiro aumentou a intensidade das batidas na panela para abafar a discussão. O morador também afirmou que o motorista desceu do veículo e chamou os dois para uma briga, situação que, segundo sua versão, antecedeu o acionamento da Polícia Militar.

Porteiro foi levado à delegacia após discussão com motorista

Felipe Verlaine contou que o motorista teria tentado provocar os participantes do protesto e ameaçado resolver a discussão por meio de agressões físicas. De acordo com o relato, o homem também teria tentado escalar a parede do edifício antes de chamar a polícia, que chegou ao local pouco depois. Verlaine afirmou que registrou um boletim de ocorrência contra o motorista por causa das ameaças que disse ter recebido.

Quando os policiais chegaram ao prédio, o porteiro acabou sendo conduzido à Central de Flagrantes por suposto desacato, relacionado à demora em abrir o portão para a equipe. O advogado Welton Roberto, que estava na central com alunos de um curso de Direito quando o trabalhador chegou, contestou a prisão e também questionou o enquadramento da ocorrência como perturbação do sossego. Ele afirmou que considerava equivocadas tanto a condução do funcionário quanto a autuação registrada pela autoridade policial.

O advogado também questionou por que o motorista apontado pelos moradores como responsável pelas ameaças não teria sido detido durante a ocorrência. Segundo Welton Roberto, a caracterização de perturbação do sossego dependeria da verificação das condições previstas para esse tipo de infração, incluindo a medição do nível de ruído, argumento apresentado por ele à reportagem. O UOL informou que procurou as polícias Civil e Militar para obter posicionamentos sobre o caso, mas aguardava retorno no momento da publicação.

Caso ocorreu durante entrevista de Flávio Bolsonaro na televisão

O panelaço em Maceió aconteceu enquanto Flávio Bolsonaro participava de uma entrevista ao Jornal Nacional, na noite de sexta-feira, por volta das 21h30. Protestos semelhantes foram registrados em outras cidades do país durante a participação do candidato no programa jornalístico. As manifestações ocorreram no contexto da disputa presidencial de 2026 e da mobilização de grupos contrários ao senador.

A ocorrência foi encerrada por volta de 1h40, segundo as informações publicadas pelo UOL, e moradores acompanharam o porteiro à delegacia para demonstrar solidariedade. A apreensão da panela permaneceu como um dos pontos centrais do episódio, ao lado dos questionamentos sobre a condução do trabalhador e o registro policial. Até a publicação da reportagem, não havia manifestação oficial das polícias Civil e Militar sobre as versões apresentadas pelas testemunhas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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