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Ex-presidente Michel Temer disse à CNN que realmente orientou o ministro Alexandre de Moraes

O ex-presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira (8) que conversou por telefone com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o orientou a buscar diálogo com André Mendonça para tentar reduzir a tensão dentro da Corte. Segundo Temer, a pacificação entre os ministros seria o caminho mais adequado diante da gravidade do conflito que se instalou no tribunal. A declaração foi dada à CNN e ocorreu no mesmo dia em que Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aumentando ainda mais a repercussão do confronto.

Temer explicou que a conversa com Moraes foi rápida e que ele não chegou a falar diretamente com Mendonça. O ex-presidente disse que sua orientação foi baseada na necessidade de os próprios ministros encontrarem uma solução interna para o impasse, evitando que a disputa fosse ampliada por decisões judiciais sucessivas. Para Temer, uma solução litigiosa dentro do Supremo poderia produzir consequências institucionais relevantes para o país, razão pela qual defendeu uma composição entre os integrantes da Corte.

A tentativa de estimular o diálogo, entretanto, ocorreu antes de uma nova decisão que elevou a temperatura da crise. Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada, alegando que autoridades da corporação teriam participado da produção de relatórios considerados irregulares. A decisão foi posteriormente submetida à Segunda Turma do STF, que formou maioria para mantê-la, embora o julgamento tenha sido interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Temer defende diálogo entre Moraes e Mendonça

A manifestação de Temer ganhou importância porque ocorreu em um momento no qual as tentativas de reduzir o conflito entre Moraes e Mendonça ainda não haviam produzido um acordo público. O ex-presidente afirmou que sempre adotou uma posição voltada à pacificação e considerou que a disputa entre os dois ministros deveria ser resolvida dentro do próprio Supremo. A declaração, portanto, não representa uma decisão institucional da Corte, mas uma avaliação política de Temer sobre a necessidade de diálogo entre os magistrados.

A crise entre Moraes e Mendonça se intensificou depois que Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master, incluindo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. O material passou a ser discutido dentro e fora do tribunal, enquanto diferentes interpretações surgiram sobre o conteúdo das comunicações e sobre os procedimentos adotados durante a investigação. É importante destacar que a existência das mensagens, por si só, não comprova que eventuais solicitações feitas por Vorcaro tenham sido atendidas por Moraes, já que as respostas do ministro não foram recuperadas na maior parte dos episódios descritos no relatório.

Na sequência, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade, medida que agravou o conflito entre os integrantes do Supremo. O presidente da Corte, Edson Fachin, retirou o pedido do inquérito das fake news e determinou que os envolvidos apresentassem esclarecimentos sobre os acontecimentos. Com isso, a presidência do tribunal passou a concentrar esforços para reunir informações e avaliar os próximos passos diante de uma crise que ganhou dimensão institucional.

Crise no STF se agrava após afastamento de Andrei Rodrigues

A decisão de Mendonça envolvendo a Polícia Federal modificou novamente o cenário porque atingiu diretamente a estrutura de comando da corporação. Na fundamentação apresentada pelo ministro, houve acusação de monitoramento ilegal e de utilização de relatórios de inteligência que, segundo sua avaliação, não apresentariam elementos suficientes para justificar determinadas conclusões. Mendonça também determinou providências para apurar a produção e a circulação desses documentos, enquanto a PF e outros integrantes do governo passaram a contestar aspectos da decisão.

O episódio teve repercussão imediata no governo federal porque o diretor-geral da Polícia Federal é uma autoridade vinculada ao Executivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, depois da decisão de Mendonça. A Advocacia-Geral da União também passou a avaliar medidas para contestar a determinação, o que colocou o governo diretamente no centro da disputa institucional.

Paralelamente, a crise continuou sendo acompanhada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que busca reunir explicações dos envolvidos antes de definir medidas dentro da Corte. Fachin também avalia, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, assumir temporariamente os casos Banco Master e INSS que estão sob relatoria de Mendonça, em uma tentativa de reduzir a tensão entre os ministros. A possibilidade ainda está em análise e não representa uma decisão definitiva, mas mostra que alternativas institucionais estão sendo discutidas para conter o agravamento do conflito.

Michel Temer e a tentativa de pacificação do Supremo

A posição apresentada por Temer ocorre em um momento no qual diferentes integrantes e ex-integrantes do STF defendem mecanismos para enfrentar a crise sem ampliar o confronto público entre ministros. Nesta terça-feira (8), 13 ex-ministros e ex-presidentes da Corte também enviaram uma carta a Fachin pedindo uma resposta institucional diante do que classificaram como uma crise de grande gravidade. O documento não cita nominalmente Moraes ou Mendonça, mas foi divulgado justamente durante o período de maior tensão entre os dois magistrados.

Ao dizer que orientou Moraes a conversar com Mendonça, Temer apresentou o diálogo como alternativa para impedir que a disputa continue sendo conduzida por sucessivas decisões e reações judiciais. O ex-presidente, que indicou Moraes para o STF durante seu governo, ressaltou que não conversou com Mendonça e que sua interlocução ocorreu somente com Moraes, de maneira breve. Enquanto isso, o afastamento de integrantes da Polícia Federal e as discussões sobre os casos Banco Master e INSS mantêm a crise em evolução, fazendo com que as próximas decisões de Fachin e dos demais ministros tenham papel relevante na condução institucional do episódio.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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