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Ex-vereador Milton Leite se entregou à polícia na última sexta-feira, dia 18

Uma passagem secreta foi encontrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo durante buscas realizadas em imóveis ligados ao ex-vereador Milton Leite, em Sorocaba, no interior paulista. A descoberta ocorreu nesta sexta-feira, 18 de setembro, quando os agentes procuravam o político, que era alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Segundo as autoridades, a passagem ligava dois imóveis, sendo um associado a Milton Leite e outro relacionado a um ex-assessor do político.

Além da passagem secreta, os investigadores encontraram dinheiro em espécie durante as buscas realizadas nos imóveis. Foram apreendidos aproximadamente R$ 280 mil e US$ 89 mil, valor em dólares que correspondia a cerca de R$ 458 mil na cotação considerada nas reportagens sobre a operação. A origem do dinheiro ainda era objeto de investigação, e as autoridades apuravam se os valores tinham alguma relação com Milton Leite ou com os fatos investigados na operação.

A operação foi deflagrada na quinta-feira, 17 de setembro, para investigar suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em empresas de transporte coletivo e estruturas do poder público de São Paulo. Milton Leite era um dos alvos das ordens de prisão e não havia sido localizado inicialmente pelos agentes em seu endereço. No entanto, durante a tarde de sexta-feira, ele se apresentou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes e foi preso em cumprimento ao mandado de prisão temporária.

Passagem secreta foi localizada durante buscas

A existência da passagem foi identificada durante uma diligência realizada em Sorocaba, onde a polícia procurava informações que pudessem levar à localização do ex-vereador. Conforme os relatos divulgados após a operação, os dois imóveis eram próximos e apresentavam uma ligação física que não era imediatamente perceptível. A estrutura chamou a atenção dos investigadores durante o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.

Um dos imóveis estava ligado a um ex-assessor de Milton Leite, enquanto o outro era apontado como pertencente ao próprio ex-vereador. A polícia havia considerado a possibilidade de que o político pudesse estar escondido no endereço relacionado ao assessor, mas ele não foi encontrado durante a diligência. Mesmo sem localizar Milton Leite naquele momento, os agentes apreenderam dinheiro e documentos que passaram a integrar o material analisado na investigação.

A descoberta da passagem ocorreu enquanto a polícia também apurava a possibilidade de um eventual vazamento de informações sobre a operação. O delegado Fabrício Intelizano afirmou que essa hipótese seria investigada, mas ressaltou que não havia confirmação de que informações sobre a ação tivessem sido antecipadamente repassadas aos alvos. Segundo ele, a maioria das pessoas procuradas havia sido localizada durante a operação, e a apuração sobre eventual vazamento ainda estava em andamento.

Dinheiro foi encontrado em imóveis ligados ao ex-vereador

Os valores encontrados durante as buscas também passaram a fazer parte da apuração conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Em um dos imóveis foram localizados R$ 280 mil em dinheiro e US$ 89 mil, quantia que, somada à conversão da moeda americana, foi estimada em aproximadamente R$ 740 mil nas informações divulgadas posteriormente. Até o momento das primeiras informações sobre a apreensão, não havia sido esclarecida a origem dos recursos.

A investigação busca esclarecer se o dinheiro possui relação com as suspeitas que deram origem à Operação Vectura Corrupta. Uma pessoa encontrada em um dos endereços não teria conseguido explicar aos investigadores a procedência dos valores localizados durante a ação. Por isso, os recursos foram apreendidos para posterior análise, enquanto documentos e outros materiais recolhidos nos imóveis também passaram a ser examinados pelas autoridades.

Milton Leite é investigado por suspeitas relacionadas ao setor de transporte coletivo da capital paulista, incluindo uma possível ligação com a Transwolff. A decisão judicial que autorizou a prisão temporária registrou que o ex-vereador seria apontado por investigadores como responsável direto pela operação de empresas supostamente controladas pelo PCC e também citou declarações de policiais que o identificariam como proprietário de fato da companhia. Milton Leite nega qualquer participação na Transwolff e afirmou que sua relação com o setor de transportes foi institucional.

Operação investiga suspeitas no transporte de São Paulo

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de uma investigação anterior realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A apuração busca identificar como integrantes do PCC teriam utilizado empresas do transporte coletivo para movimentar recursos e ampliar sua influência sobre atividades econômicas e estruturas públicas. Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que atuam na capital paulista seriam controladas direta ou indiretamente pela organização, afirmação que integra a investigação e deverá ser submetida à análise judicial.

A operação resultou na expedição de 16 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do estado de São Paulo. Entre os investigados presos está Levi dos Santos Oliveira, que presidiu a SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025, enquanto outras pessoas permaneceram inicialmente sem ser localizadas. A investigação também alcançou empresas como a A2 Transportes e retomou elementos de apurações realizadas anteriormente sobre a atuação do crime organizado no transporte coletivo.

A Transwolff, citada nas investigações, nega que Milton Leite tenha participação societária ou tenha exercido funções de gestão na empresa. A defesa da companhia afirmou que o ex-vereador nunca participou da administração nem deu ordens a funcionários, enquanto Milton também rejeitou as acusações apresentadas contra ele. Dessa forma, as suspeitas descritas pelas autoridades ainda fazem parte de uma investigação criminal, e as versões apresentadas pelos investigados e pelas empresas deverão ser consideradas no decorrer do processo.

Milton Leite permaneceu procurado por mais de 24 horas depois que os agentes não o encontraram no início da operação, mas posteriormente se apresentou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes. A prisão foi realizada em cumprimento ao mandado temporário expedido pela Justiça, enquanto as investigações sobre o transporte coletivo, o dinheiro apreendido e a passagem encontrada em Sorocaba continuam. O caso também deverá esclarecer a origem dos valores encontrados e a finalidade da estrutura que conectava os dois imóveis investigados.

A descoberta da passagem secreta ocorreu, portanto, dentro de uma investigação mais ampla sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e infiltração do PCC no sistema de transporte público paulista. As autoridades ainda deverão analisar documentos, valores e demais materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados. Enquanto isso, Milton Leite responde à investigação e nega envolvimento com as irregularidades atribuídas a ele.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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