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Flávio Bolsonaro, candidato do PL, fez duras críticas à participação de Lula na sabatina da Globo

Flávio Bolsonaro criticou Lula após a participação do presidente no Jornal Nacional na noite de quinta-feira (27) e afirmou que o petista “só faltou negar o próprio filho” durante a entrevista. O candidato do PL fez a declaração em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual ironizou as respostas dadas por Lula sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A reação ocorreu poucas horas depois de uma sabatina marcada por perguntas sobre corrupção, investigações da Polícia Federal e pessoas próximas à família presidencial.

No vídeo, Flávio afirmou que Lula e Lulinha “nem precisam de teste de DNA”, fazendo uma referência ao programa do apresentador Ratinho, conhecido por realizar testes de paternidade. A provocação foi utilizada pelo candidato para associar as respostas do presidente à situação investigada pela Polícia Federal envolvendo seu filho. Dessa forma, uma entrevista destinada a apresentar propostas e discutir temas nacionais acabou sendo transformada também em munição para o confronto direto entre os dois principais nomes da disputa presidencial.

A fala de Flávio ocorreu em um momento no qual sua campanha tentava aproveitar a repercussão da sabatina de Lula para estabelecer uma narrativa favorável ao candidato do PL. O senador seria entrevistado pela Globo na noite desta sexta-feira (28), seguindo o calendário definido para os principais candidatos à Presidência. Assim, as declarações de Lula passaram a ser analisadas pela equipe de Flávio como uma oportunidade para antecipar críticas e preparar o terreno para sua própria participação no Jornal Nacional.

Flávio diz que Lula tentou se afastar de Lulinha

A principal crítica de Flávio esteve relacionada à maneira como Lula respondeu às perguntas sobre o filho durante a sabatina. Questionado sobre as investigações, o presidente afirmou que, caso Lulinha tenha cometido algum crime, deverá responder pelos próprios atos, sem receber tratamento diferente de qualquer outro cidadão. A declaração foi apresentada por Flávio como uma tentativa de afastamento político do filho justamente em um momento no qual o nome de Fábio Luís vinha sendo associado a uma investigação de grande repercussão.

Lula também foi questionado sobre Roberta Luchsinger, empresária e lobista que aparece relacionada às investigações da Polícia Federal e que mantém proximidade conhecida com Lulinha. Durante a entrevista, o presidente afirmou que nunca havia visto ou conversado com a mulher, mas fotografias publicadas nas redes sociais mostraram os dois juntos em diferentes ocasiões. Por consequência, a declaração passou a ser explorada por adversários e criou um novo problema de comunicação para a campanha petista.

Flávio aproveitou justamente essa sequência de respostas para construir sua crítica, colocando no mesmo contexto a relação familiar entre Lula e Lulinha e as investigações em andamento. O senador procurou apresentar a situação de maneira irônica, utilizando uma referência popular para transformar um assunto jurídico e político complexo em uma mensagem facilmente compreendida pelo eleitor. Entretanto, a existência das investigações não significa que Lulinha tenha sido condenado por qualquer crime, e as acusações ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes.

Flávio Bolsonaro transformou sabatina de Lula em ataque eleitoral

A estratégia adotada por Flávio ocorreu no início de uma fase decisiva da campanha presidencial, quando os candidatos passaram a ocupar espaços maiores no rádio, na televisão e nas redes sociais. A entrevista de Lula havia gerado repercussão imediata entre aliados e adversários, principalmente por causa das respostas sobre Lulinha e Roberta Luchsinger. Nesse cenário, o candidato do PL encontrou uma oportunidade para deslocar a discussão da atuação de seu próprio grupo político para os problemas enfrentados pelo adversário.

O episódio também ganhou força porque Flávio seria o próximo candidato a participar da rodada de entrevistas da Globo. A emissora havia definido que os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest seriam entrevistados, com a ordem estabelecida por sorteio para garantir tratamento igualitário. Com Lula tendo sido sabatinado na quinta-feira e Flávio programado para a sexta-feira, as declarações do petista passaram a funcionar como uma espécie de prévia do confronto político que seria observado pelos telespectadores.

Além da questão envolvendo Lulinha, Flávio tinha outros assuntos potencialmente delicados para responder diante dos jornalistas da Globo. A campanha de Lula havia iniciado sua propaganda eleitoral televisiva com ataques ao senador, relacionando seu nome ao caso do Banco Master, às chamadas rachadinhas e a outros episódios controversos de sua trajetória política. Portanto, a disputa entre os dois candidatos já estava sendo construída em um ambiente de forte confronto, no qual acusações e respostas passaram a ocupar espaço central na comunicação eleitoral.

Ataque de Flávio aumentou a pressão antes da entrevista na Globo

A declaração de Flávio Bolsonaro também serviu para demonstrar que a campanha do candidato estava atenta aos pontos mais vulneráveis da participação de Lula no Jornal Nacional. O comentário sobre Lulinha foi elaborado para atingir diretamente uma questão familiar que poderia ter grande impacto emocional entre os eleitores, enquanto a referência ao teste de DNA acrescentou um tom de deboche à crítica. Dessa maneira, o senador procurou transformar um trecho da entrevista do adversário em uma mensagem política de rápida circulação nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, a repercussão das fotografias de Lula com Roberta Luchsinger ampliou o desgaste provocado pela sabatina. A campanha petista sustentou que as imagens não demonstrariam uma relação pessoal ou profissional entre o presidente e a lobista, argumentando que Lula costuma posar para fotografias em eventos públicos com muitas pessoas. Ainda assim, a existência dos registros permitiu que os adversários questionassem a afirmação categórica feita pelo presidente durante a entrevista.

O episódio mostrou, portanto, como a sabatina de Lula acabou sendo incorporada imediatamente à estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro. Ao afirmar que o presidente “só faltou negar o próprio filho”, o candidato do PL tentou transformar as respostas sobre Lulinha em um argumento político contra o adversário, enquanto se preparava para enfrentar sua própria sabatina na Globo. Com a campanha de 2026 apenas começando, a troca de ataques entre os dois candidatos indicou que entrevistas, investigações e declarações pessoais seriam utilizados com intensidade crescente na disputa pela Presidência.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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