Geral

Flávio Bolsonaro conquista quase o dobro dos votos de Lula em Aparecida

A cidade de Aparecida (SP), um dos principais destinos religiosos do Brasil e sede do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, revelou um cenário eleitoral claro no primeiro turno das eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 12.371 votos, o que corresponde a 58,30% do total válido. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 6.815 votos, ou seja, 32,12%. O resultado significa que o candidato do PL praticamente dobrou a votação de seu adversário na cidade que abriga a imagem mais venerada do catolicismo brasileiro.

Um resultado que acompanha uma tradição local

O desempenho registrado este ano segue uma tendência observada em eleições anteriores na região. Em 2022, quando Jair Bolsonaro disputou a reeleição, ele também venceu em Aparecida, obtendo 55,51% dos votos no primeiro turno e ampliando essa vantagem para 62,89% no segundo turno. Os números indicam a existência de uma base eleitoral sólida na cidade, que se manteve fiel à candidatura bolsonarista também na disputa deste ano. O levantamento foi divulgado poucos dias antes de 12 de outubro — feriado de Nossa Senhora Aparecida —, data que este ano caiu numa segunda-feira, aumentando ainda mais a atenção pública sobre os rumos políticos da região.

O boato que movimentou a campanha nas redes sociais

Nas semanas que antecederam o pleito, uma informação sem fundamento circulou amplamente nas redes sociais: a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A afirmação não tinha qualquer vínculo com propostas apresentadas pelo candidato. Na verdade, remetia a um projeto legislativo apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que jamais avançou nas casas legislativas e acabou arquivado. Mesmo assim, a notícia falsa ganhou dimensão considerável e provocou intenso debate público justamente numa cidade onde a devoção à santa é parte central da identidade local.

Decisões judiciais sucedidas definiram o que pode ou não ser compartilhado

A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral e gerou uma sequência de decisões que chamaram atenção. Inicialmente, o ministro André Mendonça determinou a retirada das publicações que associavam o senador à suposta mudança do título. Em seguida, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu essa ordem. Logo depois, o ministro Luiz Fux restabeleceu a determinação de remoção. Ao final, em julgamento pelo plenário do TSE, chegou-se a um entendimento comum: apenas as postagens que apresentassem aquela alegação como um fato concreto e verdadeiro deveriam ser retiradas. Conteúdos que discutissem a veracidade da informação ou apresentassem diferentes pontos de vista puderam permanecer disponíveis.

A resposta de Lula e a presença simbólica da padroeira

A repercussão do episódio levou a campanha petista a adotar uma nova estratégia de comunicação. O presidente Lula passou a mencionar Nossa Senhora Aparecida com frequência em seus atos de campanha. Durante um comício, declarou publicamente: “Enquanto eu for presidente, ninguém vai tratar Nossa Senhora Aparecida com desrespeito”. A frase foi repetida em diferentes eventos e integrava uma tentativa de neutralizar o impacto das acusações falsas, reforçando a própria ligação do candidato com a fé e com as tradições religiosas do povo brasileiro.

O que os números e o episódio revelam sobre a campanha

A vitória expressiva de Flávio Bolsonaro em Aparecida mostra que, mesmo diante de uma forte contestação simbólica, sua base de apoio na região permaneceu estável. Ao mesmo tempo, a resposta de Lula demonstra como temas ligados à fé e à cultura popular são tratados com enorme sensibilidade em período eleitoral. O episódio deixa também uma lição sobre a importância de checar a origem das informações antes de compartilhá-las, especialmente quando temas de profunda importância para a identidade nacional estão em jogo. Que as próximas semanas de campanha se pautem pelo respeito às crenças de cada brasileiro e pela busca constante pela verdade — valores que unem mais do que separam.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *