Flávio Bolsonaro gostou de ver a entrevista com Roberta Luchsinger criticando o presidente Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, comemorou a entrevista concedida pela empresária e lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil, na qual ela fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em publicação nas redes sociais neste domingo, 18 de outubro, Flávio destacou as declarações da empresária e escreveu: “Bomba na família Lula. ‘Mentiroso e mau-caráter’. Fala tudo, Roberta”. A manifestação ocorreu depois que Roberta afirmou que pretende fazer uma delação premiada e apresentar informações relacionadas às pessoas citadas nas investigações sobre suspeitas de tráfico de influência.
A entrevista provocou reações de representantes da oposição, que passaram a defender medidas para garantir a segurança da empresária e de suas duas filhas. Roberta declarou que recebeu ameaças de morte e manifestou preocupação com a própria integridade física após tornar públicas suas acusações contra o presidente e Lulinha. Nesse cenário, integrantes do Partido Liberal (PL) utilizaram as redes sociais para repercutir as declarações, enquanto aliados do governo adotaram outra estratégia de comunicação diante da repercussão política do caso.
O episódio ganhou destaque porque ocorreu uma semana antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026, quando Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Lula. Além das manifestações do senador, parlamentares do PL anunciaram iniciativas para solicitar proteção à empresária e cobrar esclarecimentos do Ministério da Justiça. Entretanto, as acusações feitas por Roberta continuam sujeitas à apuração das autoridades, e as manifestações políticas sobre o caso não representam comprovação das suspeitas levantadas.
Flávio Bolsonaro comemora entrevista de Roberta e pressiona Lula
A publicação de Flávio Bolsonaro repercutiu as declarações de Roberta Luchsinger durante a entrevista exclusiva à CNN Brasil, concedida no sábado, 17 de outubro. Na conversa, a empresária rebateu as críticas de Lula, que anteriormente a havia chamado de pilantra, e afirmou que o presidente teria conhecimento de reuniões realizadas por Lulinha com ministros do governo federal. Ao divulgar trechos da entrevista, o senador incentivou a empresária a apresentar as informações que afirma possuir, utilizando a expressão “Fala tudo, Roberta” como mensagem central de sua manifestação.
O Partido Liberal também divulgou uma publicação em apoio às declarações da empresária, afirmando que o Brasil precisava conhecer os fatos relacionados às suspeitas. A legenda utilizou expressões críticas ao presidente e defendeu que Roberta apresentasse as informações que, segundo ela, poderiam contribuir para esclarecer as investigações. A repercussão demonstrou como as declarações da lobista passaram a integrar a disputa política entre o grupo de Flávio Bolsonaro e o governo Lula na reta final da campanha presidencial.
Do lado governista, o deputado André Janones (Rede-MG), associado à mobilização de apoiadores de Lula por meio do canal de WhatsApp conhecido como Exército do Lula, orientou os integrantes do grupo a não ampliar a circulação de conteúdos negativos sobre o presidente. Segundo a reportagem da Agência Estado publicada pelo UOL, Janones defendeu que eventuais respostas da campanha fossem apresentadas em veículos de comunicação tradicionais, em vez de alimentar discussões nas redes sociais. A estratégia buscava evitar que publicações críticas ganhassem ainda mais alcance por meio do engajamento dos próprios apoiadores do presidente.
Deputados do PL pedem proteção para Roberta Luchsinger
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que protocolou ofícios dirigidos à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando proteção para Roberta Luchsinger. O parlamentar também anunciou que pretende pedir a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública da Câmara para prestar esclarecimentos sobre o assunto. As iniciativas foram apresentadas após a empresária relatar ameaças e demonstrar preocupação com a segurança de sua família.
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que exerce a função de procuradora da Mulher na Câmara, também declarou que pediria a inclusão de Roberta no Programa de Proteção a Testemunhas. Segundo a parlamentar, a solicitação seria motivada pela gravidade das denúncias e pelos riscos relatados pela empresária, incluindo o temor relacionado às duas filhas. A eventual concessão de proteção, contudo, depende da análise dos órgãos responsáveis e do cumprimento dos critérios aplicáveis ao programa.
A discussão sobre a segurança da empresária passou a acompanhar a repercussão das acusações contra Lula e Lulinha, ampliando a participação de parlamentares no caso. Roberta afirmou que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente nem o filho dele, mas ainda é necessário distinguir sua intenção de colaborar de um acordo efetivamente formalizado. Para que uma colaboração produza consequências jurídicas, as informações apresentadas precisam ser avaliadas e confrontadas com elementos que possam confirmar os relatos.
Governo Lula nega contato com a empresária e contesta as acusações
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo afirmou que Lula desconhece os fatos relatados por Roberta Luchsinger e negou que o presidente tenha mantido interlocução com ela. O comunicado também declarou que o chefe do Executivo nunca recebeu demandas da empresária e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas por ela. Além disso, a Presidência ressaltou que não existe contrato do governo federal com Roberta e questionou o momento da divulgação das declarações, próximo ao segundo turno eleitoral.
A defesa de Lulinha também negou que ele tenha cometido irregularidades e afirmou que seus relacionamentos com políticos e outras pessoas ligadas ao governo são de natureza pessoal. Os advogados declararam que os dados bancários, fiscais e telemáticos do empresário foram disponibilizados às autoridades e que ele está disposto a colaborar com as investigações. Assim, as alegações da empresária e as negativas apresentadas pelos citados deverão ser avaliadas no âmbito dos procedimentos oficiais, sem que acusações sejam tratadas como fatos comprovados antes da conclusão das apurações.
A repercussão política da entrevista evidencia a importância que o caso adquiriu na campanha presidencial, especialmente diante da proximidade da votação de 25 de outubro. Flávio Bolsonaro e integrantes do PL aproveitaram as declarações para cobrar esclarecimentos, enquanto o governo contestou os relatos e questionou sua divulgação durante o período eleitoral. Os próximos desdobramentos dependerão das informações efetivamente apresentadas às autoridades, da eventual formalização de uma delação premiada e das provas que possam confirmar ou afastar as suspeitas investigadas.





