Flávio Bolsonaro teria emitido duas notas fiscais para esta empresa, mas depois cancelou

A empresa Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., que apareceu no caso envolvendo o Banco Master e teve duas notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, entrou em processo de liquidação. A decisão foi tomada em uma Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de julho, apenas seis dias depois de ter sido revelada a existência dos documentos fiscais emitidos e posteriormente cancelados pelo escritório do senador. O episódio acrescentou um novo capítulo às controvérsias envolvendo o candidato do PL à Presidência da República e as empresas relacionadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com as informações divulgadas pelo Metrópoles, a Copenhagen recebeu aproximadamente R$ 58 milhões do Banco Master e passou a ser apontada na reportagem como uma empresa de fachada. A companhia havia sido aberta em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40 e, posteriormente, recebeu aportes milionários que chamaram a atenção dentro das apurações sobre as movimentações financeiras do banco. Além disso, segundo a publicação, a empresa não possuía sede própria nem site, características que passaram a ser consideradas relevantes no contexto das investigações.
A ligação com Flávio Bolsonaro surgiu porque seu escritório emitiu, em 7 de abril de 2025, duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen, totalizando R$ 1 milhão. Os documentos foram cancelados posteriormente, e o senador afirmou que não recebeu qualquer pagamento da empresa, explicando que havia sido consultado sobre a possibilidade de prestar serviços jurídicos, mas que a contratação não avançou. Portanto, a existência das notas não significa, por si só, que Flávio tenha recebido R$ 1 milhão da Copenhagen, ponto que foi negado expressamente pelo próprio parlamentar.
Master: Copenhagen foi colocada em liquidação
A liquidação da Copenhagen foi deliberada pela única acionista, o fundo de investimentos Estônia, durante a assembleia realizada em 28 de julho. Com a decisão, a empresa passou a seguir os procedimentos necessários para encerrar formalmente suas atividades, enquanto Rogério Lourenço Novo foi nomeado liquidante, segundo a ata encaminhada à Junta Comercial de São Paulo. Dessa maneira, o encerramento da companhia ocorreu poucos dias depois da divulgação das notas fiscais relacionadas ao escritório de Flávio Bolsonaro, circunstância que naturalmente ampliou a atenção sobre a operação.
Outro ponto destacado na apuração foi a relação entre a Copenhagen e a Contábil Correa. Rogério Lourenço Novo aparece como responsável pela Copenhagen e também como único sócio da Contábil Correa, empresa para a qual o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu uma terceira nota fiscal, no valor de R$ 500 mil, em 9 de abril de 2025. Segundo o Metrópoles, Rogério também integra o conselho fiscal da Ambipar, empresa apontada na reportagem como parte da rede empresarial relacionada a Daniel Vorcaro.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque Rogério já havia sido investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema envolvendo notas fiscais falsas e empresas de fachada entre 2013 e 2015. Conforme a reportagem, a fraude investigada naquela época foi estimada em mais de R$ 100 milhões, embora a informação sobre a investigação anterior não signifique, por si só, que ele tenha cometido irregularidades no caso Copenhagen. Até a publicação da reportagem, Rogério não havia se manifestado sobre a decisão de dissolver a empresa.
Flávio Bolsonaro negou ter recebido dinheiro
Flávio Bolsonaro procurou afastar qualquer interpretação de que tenha recebido recursos da Copenhagen. Quando as notas fiscais foram reveladas anteriormente, o senador afirmou que seu escritório havia sido consultado para uma possível prestação de serviços, mas que o trabalho não teria sido contratado e, por isso, os documentos foram cancelados. O parlamentar também declarou que não tinha conhecimento de qualquer relação entre a Copenhagen, a empresa BR Global e o Banco Master, classificando como sem fundamento qualquer tentativa de vinculá-lo ao banco.
Rogério Lourenço Novo, por sua vez, apresentou outra explicação para a relação comercial com o escritório de Flávio. Segundo ele, a contratação teria ocorrido para atender clientes de seu escritório de contabilidade, em uma espécie de terceirização dos serviços jurídicos, embora não tenha informado quais clientes teriam sido atendidos nem quais serviços foram efetivamente realizados. Assim, permanece uma área de questionamentos sobre a natureza exata das operações, enquanto as versões apresentadas pelos envolvidos precisam ser diferenciadas dos fatos que já foram documentados.
A Trustee DTVM também se manifestou sobre a estrutura empresarial relacionada à Copenhagen. A administradora afirmou que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da companhia nem sobre pagamentos ou negociações entre a empresa e o Banco Master, rejeitando qualquer interpretação de que tivesse controle sobre essas operações. Por outro lado, a própria liquidação da Copenhagen e as conexões societárias registradas passaram a ser observadas com maior atenção justamente porque a empresa esteve inserida em uma rede empresarial investigada no contexto do caso Master.
Caso Master aumenta pressão sobre Flávio Bolsonaro
O episódio ganhou dimensão política porque Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e candidato do PL à Presidência em uma eleição marcada por uma disputa acirrada. Qualquer informação envolvendo empresas relacionadas a investigações financeiras tende a produzir repercussão maior quando envolve um candidato que busca ampliar seu eleitorado e apresentar uma imagem de credibilidade administrativa. Por isso, a liquidação da Copenhagen, embora não seja uma acusação contra Flávio, passou a representar mais um elemento de desgaste político em torno de sua campanha.
Ao mesmo tempo, é importante separar os fatos documentados das conclusões que ainda não foram estabelecidas. As notas fiscais de R$ 1 milhão foram emitidas e canceladas, Flávio afirma que não recebeu os valores, a Copenhagen entrou em liquidação e a empresa aparece relacionada a movimentações milionárias do Banco Master, mas esses elementos não comprovam, isoladamente, que o senador tenha participado de qualquer irregularidade. Portanto, enquanto o caso Master continua sendo acompanhado e novas informações podem surgir, o principal efeito político imediato é o aumento da pressão sobre Flávio Bolsonaro para explicar de maneira detalhada sua relação profissional com as empresas envolvidas.





