Flávio defende afastamento de Moraes e diz que terça será “vital” para o Brasil

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou nesta segunda-feira, 14, como um sinal fundamental para o Brasil qualquer medida que afaste o ministro Alexandre de Moraes do exercício de suas funções no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita durante almoço com candidatos e apoiadores em Belém, no Pará, às vésperas da sessão plenária marcada para esta terça-feira, 15, quando a Corte avaliará a abertura de investigação sobre o magistrado. “Estou na torcida para que Alexandre de Moraes seja afastado. É uma sinalização de que o Brasil volta a respirar”, afirmou o candidato.
Flávio Bolsonaro estabeleceu ainda uma ligação direta entre a figura do ministro e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Hoje, quem está votando no Lula está vendo que está votando no Alexandre de Moraes”, declarou, ao sustentar que existe uma relação de interdependência entre os dois para a manutenção de determinadas estruturas de poder. A afirmação insere o desfecho da sessão do Supremo no centro da disputa eleitoral, na medida em que interpreta a decisão da Corte como reflexo também de escolhas políticas que se apresentam ao eleitorado.
A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira e terá como objeto central o relatório elaborado pela Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça. O material reúne registros de mensagens e contatos entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Cabe ao plenário definir se há elementos suficientes para dar seguimento à apuração ou se o procedimento será interrompido em alguma de suas etapas, em decisão que deverá orientar os próximos passos do caso.
O candidato manifestou apoio explícito à abertura de processo de impedimento do ministro. Segundo ele, o conjunto de informações que vem sendo tornado público indica conduta alheia às normas que devem reger um magistrado. “Por tudo que está se mostrando, agia fora da lei e trabalhava mais para enriquecer a família do que para seguir a Constituição”, assinalou. A crítica abrange ainda a condução de inquéritos em curso há anos, como o processo que ficou conhecido como Inquérito das Fake News, aberto há cerca de sete anos sob a relatoria do próprio ministro.
A posição de Flávio Bolsonaro reflete a postura de parcela expressiva do eleitorado que acompanha com atenção cada desdobramento do caso. A tensão entre os poderes e a divulgação gradual de dados ligados ao Banco Master e a contatos com integrantes da Corte têm alimentado debates sobre transparência, imparcialidade e limites de atuação de autoridades. O julgamento desta terça-feira é visto por muitos como um momento capaz de reafirmar ou de abalar a confiança nas instituições, razão pela qual desperta interesse não apenas jurídico, mas amplamente político e social.
O país acompanha os trabalhos do Supremo na expectativa de que prevaleçam a clareza e a justiça. Seja qual for o resultado, ele servirá como referência sobre a forma como a própria Corte lida com questões internas que envolvem seus membros. As declarações de Flávio Bolsonaro demonstram que a percepção pública sobre os desdobramentos do caso já se entrelaçou com a agenda eleitoral, e que a resposta do plenário terá repercussão que ultrapassa os muros do tribunal, alcançando diretamente a opinião de milhões de brasileiros.





