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Flávio diz que indicará ao STF ministros “contrários ao aborto, drogas e injustiças”

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou neste domingo (30) algumas das principais posições que pretende adotar caso seja eleito, incluindo mudanças na escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, o senador afirmou que pretende indicar para a Corte nomes alinhados a posições contrárias ao aborto e às drogas, além de defender candidatos que, segundo sua avaliação, tenham perfil “patriota” e compromisso com a segurança jurídica. A declaração coloca o funcionamento do STF entre os temas centrais de sua campanha e sinaliza que uma eventual composição do tribunal seria uma das prioridades de seu governo. Flávio afirmou ainda que pretende buscar nomes capazes de, em sua visão, recuperar a credibilidade da instituição e garantir maior previsibilidade nas decisões judiciais.

Durante a entrevista, o candidato também apresentou propostas para a área de segurança pública e afirmou que pretende classificar organizações criminosas como o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas. Segundo Flávio, a medida faria parte de uma estratégia para tratar o crime organizado como uma questão relacionada à segurança nacional. A proposta amplia o debate sobre a atuação do Estado diante das organizações criminosas e sobre quais instrumentos legais poderiam ser utilizados em um eventual governo. O senador defendeu que o tema seja tratado como uma prioridade desde o início de uma possível administração e afirmou que pretende adotar uma postura mais rigorosa no enfrentamento à criminalidade organizada. A declaração deverá repercutir no cenário eleitoral, especialmente entre eleitores que colocam segurança pública entre suas principais preocupações.

Outro assunto abordado foi a proposta em discussão no Congresso Nacional para modificar a atual escala de trabalho 6×1. Questionado sobre como pretende votar no Senado, Flávio não declarou apoio ou oposição direta ao texto e preferiu defender maior liberdade na definição das jornadas. De acordo com o candidato, trabalhadores e empregadores deveriam ter flexibilidade para estabelecer a quantidade de horas trabalhadas, com remuneração correspondente ao período escolhido. A posição coloca a liberdade de negociação no centro de sua proposta para o mercado de trabalho. O debate sobre a escala 6×1 ganhou espaço na agenda política nacional por envolver questões relacionadas à jornada profissional, renda, produtividade e qualidade de vida, tornando o posicionamento dos candidatos um tema de interesse para diferentes setores da sociedade e do Congresso.

Flávio também foi questionado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica dedicada à trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador negou a existência de irregularidades e afirmou que o projeto não recebeu recursos públicos. Segundo ele, a empresa responsável pela produção realizou prestação de contas e uma perícia teria apontado que não houve utilização de dinheiro público nem problemas na operação. Flávio também ressaltou que o patrocínio teve início em 2025, quando Jair Bolsonaro já não ocupava a Presidência da República. O assunto ganhou repercussão após informações divulgadas pelo Intercept Brasil sobre conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, então ligado ao Banco Master, nas quais teria sido discutido o financiamento do longa. Segundo a publicação, os valores destinados à produção teriam alcançado R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. Flávio, porém, afirmou que se tratou de patrocínio privado e rejeitou qualquer irregularidade.

A relação com Jair Bolsonaro também apareceu entre os temas de maior destaque da entrevista. Flávio afirmou que pretende manter o pai próximo e ouvi-lo como conselheiro caso chegue à Presidência, embora tenha ressaltado que a participação dependeria da vontade do ex-presidente. Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação pelo STF relacionada à tentativa de golpe de Estado. Ao comentar a situação do pai, Flávio declarou considerar que a condenação ocorreu por ação de adversários políticos, apresentando uma interpretação diferente daquela estabelecida pela Justiça. A relação entre pai e filho, portanto, aparece como um elemento relevante na estratégia política de Flávio, especialmente diante do peso eleitoral e da influência que Jair Bolsonaro mantém entre seus apoiadores. A possibilidade de participação do ex-presidente em um eventual governo também pode se tornar um dos assuntos mais discutidos durante a campanha.

Por fim, Flávio Bolsonaro reafirmou sua defesa de medidas de anistia para pessoas condenadas pelos acontecimentos de 8 de janeiro e afirmou que, caso o Congresso não aprove uma iniciativa nesse sentido, pretende avaliar o uso de indultos dentro das atribuições previstas para o cargo de presidente. As declarações feitas neste domingo ajudam a delinear algumas das prioridades apresentadas pelo candidato, passando pela escolha de ministros do STF, segurança pública, relações trabalhistas, financiamento de produções cinematográficas e eventual participação de Jair Bolsonaro em seu governo. O conjunto de propostas mostra uma campanha que pretende manter temas ligados à direita e ao legado político do ex-presidente no centro do debate eleitoral. Com a disputa presidencial avançando, as posições apresentadas por Flávio deverão ser analisadas pelos demais candidatos, pelo Congresso e pelos eleitores, que terão pela frente um cenário marcado por discussões sobre Justiça, segurança, trabalho e os rumos do país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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