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Flávio e aliados conseguiram travar a votação da PEC sobre o fim da escala 6×1

O senador Flávio Bolsonaro aproveitou o momento de turbulência provocado pela crise no Supremo Tribunal Federal para atuar contra a votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação foi apresentada pelo colunista Leonardo Sakamoto, do UOL, em análise publicada nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026. Segundo o texto, a movimentação política de Flávio e de aliados contribuiu para que a votação da proposta fosse retirada do calendário inicialmente esperado no Senado.

A Proposta de Emenda à Constituição 221/2019 havia avançado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e estava pronta para ser analisada pelo plenário. No entanto, a votação não ocorreu na quarta-feira, 2 de setembro, depois que a oposição promoveu uma articulação para esvaziar o plenário e aumentar a insegurança sobre o número de votos necessários. Como uma PEC precisa de 49 votos favoráveis em dois turnos no Senado, o governo decidiu não correr o risco de levar o texto ao plenário sem uma margem considerada segura.

Nesse cenário, Flávio Bolsonaro passou a ser apontado como um dos principais responsáveis pela mudança no calendário da proposta, ao lado do senador Rogério Marinho, líder da oposição e coordenador de sua campanha presidencial. A estratégia ocorreu justamente enquanto a atenção política e jornalística estava concentrada nos acontecimentos envolvendo o STF e o Banco Master. Para Sakamoto, essa conjuntura acabou oferecendo à oposição uma oportunidade para dificultar o avanço de uma pauta que possui forte apoio popular e é considerada importante para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio aproveita crise no STF para travar a votação

De acordo com a análise de Leonardo Sakamoto, a articulação de Flávio ocorreu em um momento no qual o debate público estava dominado pelos desdobramentos da crise envolvendo o Supremo. Com isso, a disputa em torno da escala 6×1 recebeu menos atenção do que teria recebido em uma situação política convencional, enquanto a oposição conseguiu trabalhar nos bastidores para impedir uma votação imediata. O resultado foi o adiamento de uma decisão que o governo esperava conseguir ainda durante o esforço concentrado do Congresso.

A atuação atribuída a Flávio também está relacionada à tentativa de apresentar uma alternativa à proposta que reduz a jornada semanal e estabelece dois dias de descanso. A oposição defende uma mudança baseada na remuneração por hora trabalhada e em maior flexibilidade para a negociação entre empregados e empregadores, modelo que seus defensores apresentam como uma forma de ampliar a liberdade de escolha do trabalhador. Essa alternativa, contudo, não avançou na CCJ, enquanto a PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada e encaminhada para o plenário.

Ao mesmo tempo, a resistência de Flávio ocorre em uma disputa eleitoral na qual a pauta trabalhista ganhou peso político. Pesquisas citadas nas discussões sobre o tema apontam que aproximadamente 70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o que transforma a proposta em uma bandeira potencialmente vantajosa para candidatos que defendem sua aprovação. Dessa maneira, impedir uma votação imediata também pode ser interpretado como uma tentativa de evitar que o governo Lula utilize a medida como ativo político durante a campanha de 2026.

Fim da escala 6×1 fica para depois

A estratégia da oposição produziu um efeito concreto no calendário do Senado, porque a proposta deixou de ser votada no plenário na data inicialmente esperada. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que a mobilização havia sido articulada por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, além de ter provocado o esvaziamento do plenário. Segundo Randolfe, diante da necessidade de 49 votos, seria arriscado submeter a PEC à votação sem segurança suficiente sobre o resultado.

A decisão também colocou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no centro da próxima etapa da disputa. Como a inclusão da PEC na pauta depende da presidência da Casa, uma nova votação poderá exigir a convocação de uma sessão específica ou extraordinária, especialmente porque o calendário parlamentar ficará mais restrito com a proximidade das eleições. O governo passou a trabalhar para encontrar uma nova data em setembro ou, caso isso não seja possível, na segunda semana de outubro.

Por outro lado, o adiamento não significa que a proposta tenha sido derrotada ou retirada definitivamente da tramitação. A PEC continua aprovada na CCJ e ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário do Senado, onde são necessários 49 votos favoráveis em cada etapa. Portanto, a disputa agora será concentrada na capacidade de governo e oposição mobilizarem senadores e transformarem o calendário da votação em uma questão relevante para a campanha eleitoral.

Disputa pela 6×1 ganha peso eleitoral

A escala 6×1 se tornou uma das pautas com maior potencial de impacto na disputa presidencial de 2026, justamente por atingir diretamente milhões de trabalhadores. A proposta aprovada na CCJ prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado, com um deles preferencialmente aos domingos. Segundo dados apresentados durante a tramitação, a mudança poderá alcançar cerca de 35 milhões de trabalhadores formais.

Nesse contexto, o adiamento passou a ter uma dimensão que ultrapassa a discussão sobre o funcionamento do Senado. Para o governo Lula, aprovar o fim da 6×1 antes do primeiro turno poderia representar uma importante conquista política, enquanto para Flávio Bolsonaro e seus aliados a postergação reduz a possibilidade de que a medida seja utilizada como vitrine eleitoral pela administração federal. Assim, uma disputa originalmente trabalhista passou a fazer parte diretamente da estratégia dos principais grupos que se enfrentam na eleição presidencial.

O próximo capítulo dependerá da decisão de Alcolumbre sobre uma eventual sessão extraordinária e da capacidade dos partidos de reunir os votos necessários para aprovar ou rejeitar a PEC. Enquanto isso, a avaliação de Sakamoto é que Flávio Bolsonaro conseguiu aproveitar a crise institucional que dominou o noticiário para deslocar o debate e dificultar o avanço imediato da proposta. Por fim, a escala 6×1 permanece em tramitação, mas sua votação no Senado passou a estar submetida a uma disputa política que envolve trabalho, eleições e a própria estratégia da oposição para 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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