Flávio: Espero que STF não tente nenhuma ‘gracinha’ para cima de mim

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a fazer declarações sobre o Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira, 17, durante transmissão semanal em seu canal no YouTube. Em momento em que apresenta crescimento nas pesquisas de intenção de voto, o senador afirmou esperar que a Corte aja com isenção. “Não parece haver preocupação real de investigar e zelar pelo patrimônio público, mas sim de interferir no processo eleitoral. Espero que não se tente nenhuma atitude que não corresponda ao papel institucional, especialmente agora que os eleitores vêm demonstrando apoio à nossa proposta”, declarou, referindo-se aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O candidato fez ainda projeções sobre composição futura da Corte. “Imaginem se, reeleito, o presidente Lula viesse a indicar mais quatro ministros com os mesmos perfis. Teríamos um cenário em que o próprio Judiciário passaria a concentrar poder de forma que a sociedade não teria como equilibrar”, observou. Para ele, a manutenção da independência entre os Poderes é um dos pontos centrais da disputa, e o eleitor deve acompanhar com atenção cada decisão tomada em período tão próximo da votação.
Flávio convocou apoiadores a se inscreverem como fiscais de urna em todo o território nacional. “Vamos recrutar pessoas dispostas a acompanhar o processo com atenção. Haverá treinamento rápido e credenciamento oficial. Nosso objetivo é garantir que cada voto seja contado corretamente e que ninguém seja privado de expressar sua vontade”, explicou. A medida integra estratégia da campanha de ampliar a presença de observadores nos locais de votação, prática que também é adotada por outras chapas em diferentes eleições.
Sobre o reajuste de aproximadamente 15% no valor do Bolsa Família, anunciado pelo governo, o candidato classificou o acréscimo de R$ 91 como insuficiente e temporário. “A reposição é engolida rapidamente pelo aumento dos preços. Daqui a poucos meses, o impacto prático já não será sentido pelas famílias”, avaliou. Ressaltou que, se eleito, manterá o programa e o próprio reajuste, mas promete ampliar as medidas de apoio à população. Lembrou também a elevação de R$ 400 para R$ 600 feita durante a gestão de seu pai, Jair Bolsonaro, quando o benefício se chamava Auxílio Brasil.
O senador teceu críticas ao uso de recursos públicos e à gestão do governo. “Vemos gastos elevados em viagens e eventos, enquanto o repasse às famílias avança em proporção bem menor”, afirmou. Questionou ainda a sustentabilidade fiscal das medidas anunciadas, alertando para risco de desajuste nas contas públicas e consequente pressão sobre preços e juros. A campanha pretende aprofundar essa linha de argumentação, mostrando comparações entre períodos de gestão e projeções de impacto orçamentário.
Em outro trecho da transmissão, Flávio comentou a realidade das universidades públicas. “Há locais em que a estrutura e o ambiente não correspondem ao que a sociedade tem direito de esperar. É possível encontrar situações que não deveriam ocorrer dentro de instituições de ensino”, disse. Reconheceu, contudo, que parcela significativa dos jovens busca formação e oportunidades de forma séria, e que cabe ao Estado garantir condições dignas de estudo para todos. O tema deve aparecer em eventos e propostas da campanha nas próximas semanas.





