Flávio pede prisão de servidor da Secom que incentivou fake news sobre Nossa Senhora Aparecida

A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) protocolou na sexta-feira, 25, uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral solicitando a prisão preventiva de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O servidor é acusado de compartilhar e incentivar a propagação de conteúdo falso que atribui ao candidato a intenção de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A representação também pede apreensão de equipamentos, afastamento das funções e proibição de uso de redes sociais.
Segundo os advogados, Marques republicou mensagem orientando usuários a não difundir esclarecimentos sobre o caso e a manter a circulação da informação, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país. “Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Continuem compartilhando que Nossa Senhora foi atacada”, dizia o texto, posteriormente apagado do perfil do servidor. Para a defesa, a exclusão da publicação configura tentativa de eliminar provas e demonstra consciência da irregularidade.
A sequência de postagens atribuídas ao servidor também incluiu afirmações de que a Igreja Católica estaria sendo perseguida no Brasil por ação de Flávio Bolsonaro e comentários sobre suposta mudança de intenção de voto entre eleitores católicos. “Temos um mote e uma chance real de liquidar a fatura no primeiro turno”, dizia uma das mensagens. Os advogados sustentam que a atuação não foi isolada, mas faz parte de estratégia organizada para manter a narrativa em circulação até a votação de 4 de outubro.
O episódio teve início com a disseminação da informação inverídica de que o candidato pretendia retirar o título de padroeira da santa. Na realidade, o projeto de lei ao qual se referem as publicações foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado no ano seguinte, sem qualquer vínculo com Flávio Bolsonaro. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu oficialmente a falsidade da narrativa na sexta-feira, determinando a retirada de conteúdos sobre o tema.
Levantamento apresentado registrou mais de 21 milhões de visualizações em 2.086 publicações de 1.674 contas. Diante do alcance, a campanha organizou resposta jurídica e digital, com participação de aliados como a deputada Simone Marquetto (PP). A controvérsia também mobilizou integrantes do governo: a primeira-dama Janja compartilhou imagem do presidente Lula com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, e o vice-presidente Geraldo Alckmin divulgou vídeo reafirmando proteção às tradições religiosas.
A representação pede apuração de possíveis crimes de divulgação de informação sabidamente falsa em período eleitoral, incitação e associação para disseminação de conteúdo enganoso. Caso a prisão não seja decretada, os advogados requerem o afastamento imediato do servidor do cargo e a suspensão de suas contas nas redes sociais. O caso coloca em debate os limites da atuação de servidores públicos em plataformas digitais e a responsabilidade pelo conteúdo compartilhado, especialmente em reta final de campanha, quando cada mensagem pode influenciar milhões de eleitores.





