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Gilmar Mendes criticou a exposição de Paulo Gonet e saiu em defesa do procurador-geral da República

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar o colega André Mendonça durante a repercussão do caso envolvendo o Banco Master. Em manifestação publicada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, Gilmar saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de conversas extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro. Segundo o ministro, os diálogos divulgados não apresentariam qualquer indício de prática ilícita por parte de Gonet.

A discussão teve origem no levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso. Gilmar questionou por que as conversas envolvendo o procurador-geral foram expostas publicamente se, durante uma sessão realizada na terça-feira, 15 de setembro, Mendonça havia reconhecido que não havia suspeita contra Gonet. Para o decano, a divulgação provocou uma exposição que poderia atingir a reputação do chefe do Ministério Público Federal.

Gilmar também afirmou que uma manifestação posterior em plenário não seria suficiente para reparar os efeitos de uma exposição já realizada. O ministro declarou que Gonet possui uma trajetória pública marcada, segundo sua avaliação, pela lisura e que a divulgação das conversas teria causado um prejuízo à imagem do procurador-geral. Nesse contexto, o decano passou a questionar diretamente a conduta adotada por Mendonça na condução do caso.

Gilmar Mendes questiona atuação de André Mendonça

Durante sua manifestação, Gilmar Mendes afirmou que André Mendonça não estaria atuando como um magistrado imparcial no episódio. A crítica foi relacionada principalmente à decisão de tornar públicas informações que envolviam Gonet, mesmo depois de o próprio relator ter indicado que não existia acusação contra o procurador-geral. A declaração colocou novamente os dois ministros em lados opostos no debate sobre a condução do caso Banco Master.

Outro ponto mencionado pelo decano foi um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais em que o ministro agradecia o apoio recebido durante a controvérsia. Para Gilmar, a publicação levantaria questionamentos sobre a finalidade de celebrar uma decisão que, segundo ele, não havia revelado qualquer elemento contra Gonet. O ministro chegou a classificar Mendonça como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”, expressões utilizadas por ele durante a crítica ao colega.

Gilmar também associou a situação atual a acontecimentos registrados durante a Operação Lava Jato. Segundo o decano, Deltan Dallagnol e Sergio Moro teriam recorrido a vazamentos seletivos para produzir repercussão pública antes do julgamento dos casos, interpretação apresentada por ele como uma comparação com o episódio envolvendo Gonet. A avaliação de Gilmar é que esse tipo de exposição pode favorecer a formação de um julgamento antecipado pela opinião pública e prejudicar o direito de defesa.

Caso Banco Master amplia divergências no STF

A discussão sobre Gonet ocorre em meio a uma sequência de divergências públicas entre integrantes do Supremo. Na sessão de 15 de setembro, Mendonça havia explicado que a menção a Gonet no contexto do caso ocorreu por cautela e sem que estivesse sendo formulada uma acusação contra o procurador-geral. Mesmo assim, o assunto provocou reação de Gilmar, que criticou o que classificou como um tom inadequado na exposição do chefe do Ministério Público.

A comparação com a Lava Jato também foi relacionada por Gilmar ao momento em que informações sigilosas foram divulgadas. O ministro afirmou que episódios semelhantes daquela operação teriam ocorrido próximos a períodos eleitorais e associou essa circunstância ao levantamento do sigilo no caso Banco Master, ocorrido em 2026. Para ele, a divulgação poderia produzir repercussão pública e consequências políticas antes da conclusão das questões submetidas à Justiça.

Ao concluir sua manifestação, Gilmar Mendes defendeu que instituições públicas respeitem o devido processo legal desde o início de qualquer investigação ou procedimento. O ministro prestou solidariedade a Paulo Gonet e afirmou que o procurador-geral teria demonstrado coragem, seriedade e correção ao longo de sua atuação. Dessa forma, a defesa de Gonet foi acompanhada por críticas diretas à forma como Mendonça conduziu a publicidade das informações relacionadas ao caso.

Mendonça reage às críticas de Gilmar Mendes

Depois das declarações de Gilmar, André Mendonça apresentou uma resposta às críticas relacionadas à divulgação das informações. O ministro afirmou que havia uma preocupação seletiva com a exposição de pessoas e questionou a divulgação, pela imprensa, de conversas envolvendo autoridades e integrantes do próprio STF. Mendonça também disse que a publicidade de determinadas informações deveria ser analisada dentro do contexto dos procedimentos adotados no processo.

A reação de Mendonça acrescentou mais um capítulo à sequência de confrontos públicos entre integrantes da Corte. Enquanto Gilmar sustenta que a divulgação das conversas atingiu a reputação de Gonet e questiona a imparcialidade do relator, Mendonça contesta essa interpretação e defende a forma como o procedimento foi conduzido. O caso Banco Master permanece, assim, no centro de divergências envolvendo o levantamento de sigilos, a atuação dos ministros e a exposição pública de informações processuais.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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