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Henrique Vorcaro deixará o presídio para passar por consultas e exames médicos

A Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente à saída temporária de Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, da prisão para que ele possa realizar consultas e exames médicos fora da unidade prisional. O parecer foi apresentado nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a defesa do empresário solicitar autorização para atendimento com um médico particular que já acompanha o caso. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, onde o pedido ainda precisa ser analisado pela autoridade judicial responsável pelo processo.

Henrique Vorcaro está preso preventivamente desde maio de 2026, no contexto da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas relacionadas ao antigo Banco Master e a pessoas que teriam integrado diferentes núcleos investigados pela Polícia Federal. De acordo com a defesa, o empresário apresentou sintomas que poderiam indicar uma nova crise de diverticulite e chegou a receber atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento próxima ao presídio onde está custodiado, em Minas Gerais. A partir desse atendimento, os advogados passaram a solicitar que ele pudesse realizar exames complementares e consultar um especialista de sua confiança.

O pedido apresentado ao Supremo envolve especificamente a possibilidade de Henrique Vorcaro deixar temporariamente a unidade prisional para receber atendimento médico particular. A defesa solicitou consulta com um coloproctologista que já acompanha o empresário e também a realização dos exames complementares indicados durante o atendimento médico anterior. Segundo a manifestação da PGR, não foi identificado impedimento jurídico para que os procedimentos sejam realizados fora do sistema prisional, desde que sejam observadas as regras de custódia e segurança determinadas pelas autoridades responsáveis.

PGR se manifesta sobre atendimento médico de Henrique Vorcaro

No parecer, Paulo Gonet considerou que os atendimentos realizados anteriormente não haviam apontado uma situação de urgência médica naquele momento. Mesmo assim, a Procuradoria avaliou que essa circunstância não impediria a realização dos exames solicitados pelo médico particular responsável pelo acompanhamento de Henrique Vorcaro. Dessa forma, a manifestação foi favorável ao pedido específico relacionado ao atendimento médico, sem representar uma decisão sobre a manutenção ou revogação da prisão preventiva.

A defesa havia informado ao Supremo que Henrique Vorcaro apresentava sintomas compatíveis com uma possível crise de diverticulite, condição que motivou a procura por atendimento em uma unidade de saúde próxima ao local de custódia. Após essa avaliação, os advogados pediram autorização para que o empresário fosse examinado pelo especialista que acompanha seu tratamento e realizasse procedimentos complementares fora da prisão. A solicitação, segundo as informações divulgadas sobre o caso, chegou a ser apresentada depois de a direção da unidade prisional não autorizar o atendimento médico particular solicitado pela defesa.

A manifestação da PGR também estabeleceu uma ressalva em relação à forma como eventual saída deverá ocorrer. Caso a autorização seja concedida pelo Supremo, o deslocamento deverá seguir as regras estabelecidas pelo sistema prisional, incluindo as condições determinadas pelas autoridades responsáveis pela custódia. Portanto, o aval da Procuradoria não significa que Henrique Vorcaro possa deixar a prisão imediatamente por decisão própria, pois ainda será necessária uma determinação judicial sobre o pedido.

Pedido ocorre durante investigação do Banco Master

A situação de Henrique Vorcaro está inserida nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master e a diferentes pessoas citadas pela Polícia Federal no curso das apurações. O empresário foi preso preventivamente em maio e, segundo informações divulgadas sobre a investigação, é suspeito de participação em um dos grupos que teriam atuado em ações de intimidação, monitoramento e obtenção de informações. As acusações fazem parte das investigações e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

Enquanto a PGR se posicionou favoravelmente à realização dos exames médicos, também existem discussões judiciais envolvendo a própria prisão preventiva de Henrique Vorcaro. A defesa apresentou, na quarta-feira, 16 de setembro, um pedido de revogação da prisão ao Supremo Tribunal Federal, argumentando que a custódia já ultrapassava 90 dias e que seria necessária uma nova análise dos fundamentos que justificaram a medida. O pedido de atendimento médico, porém, possui objeto diferente e não significa automaticamente que a prisão preventiva será revogada ou transformada em outra modalidade de custódia.

A tramitação dos processos relacionados ao caso Master também passou por uma mudança no Supremo Tribunal Federal. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a remessa dos processos relacionados ao caso à presidência do tribunal, enquanto anteriormente os procedimentos estavam sob supervisão do ministro André Mendonça. Com isso, a análise dos pedidos relacionados à investigação passou a ocorrer dentro dessa nova configuração processual no Supremo.

Prisão preventiva continua sendo analisada

A manifestação sobre Henrique Vorcaro também ocorreu em um momento de novos pedidos apresentados ao Supremo por pessoas investigadas no caso. Além da solicitação relacionada aos exames médicos, a defesa do empresário apresentou requerimento para revogar a prisão preventiva, utilizando entre os argumentos a ausência de uma nova análise dos fundamentos da custódia após o período mencionado pelos advogados. A PGR, conforme as informações divulgadas, não apresentou manifestação sobre esse pedido de revogação na mesma análise em que tratou da questão médica.

Assim, os dois pedidos devem ser diferenciados no andamento do processo: um trata da autorização para atendimento médico e realização de exames fora do presídio, enquanto o outro questiona a continuidade da prisão preventiva. A manifestação favorável da PGR sobre os exames indica apenas que a Procuradoria não identificou impedimento para o atendimento particular, desde que sejam cumpridas as regras de segurança e custódia. A decisão final sobre a saída temporária para os procedimentos médicos caberá ao Supremo Tribunal Federal, conforme a tramitação atual do caso.

Dessa maneira, Henrique Vorcaro poderá realizar os exames solicitados caso o Supremo autorize a saída temporária nos termos apresentados pela defesa e considerados possíveis pela Procuradoria-Geral da República. O atendimento deverá ocorrer sob as condições definidas pelas autoridades responsáveis pela custódia, enquanto a prisão preventiva permanecerá como uma questão separada em análise judicial.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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