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Kassab recebeu propina? Caiado reage às acusações de Vorcaro e pede transparência

Caiado defende transparência em apurações, mas diz que Kassab negou propina

Caiado defende transparência em apurações relacionadas ao Banco Master e afirma que informações relevantes deveriam ser tornadas públicas para permitir o esclarecimento das acusações feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nesta sexta-feira (4), durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, o ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, foi questionado sobre alegações que atingem o presidente nacional de seu partido e candidato a vice, Gilberto Kassab. Vorcaro atribuiu a Kassab participação em uma suposta negociação de contrapartidas financeiras relacionada ao Credcesta e ao governo de São Paulo. Entretanto, Kassab rejeitou categoricamente a acusação e classificou o relato como “fantasioso”. Caiado, por sua vez, evitou antecipar conclusões: ressaltou as negativas já apresentadas e, ao mesmo tempo, defendeu que Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal esclareçam se houve ou não alguma irregularidade.

Caiado defende transparência em apurações sobre caso Master

Ao responder sobre o impacto político das acusações, Caiado argumentou que a melhor solução seria ampliar o acesso às informações reunidas pelas autoridades. Segundo o candidato, tanto Kassab quanto o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já negaram irregularidades e, portanto, a investigação deveria avançar com transparência para verificar as versões apresentadas. O posicionamento é politicamente relevante porque Kassab não apenas preside o PSD, mas também integra a chapa presidencial de Caiado como candidato a vice. Dessa forma, as declarações de Vorcaro atingem diretamente uma das principais lideranças responsáveis pelo projeto eleitoral do partido em 2026. Contudo, a defesa da divulgação de informações não elimina regras legais sobre sigilo investigativo, proteção de dados e preservação de diligências ainda em andamento. Eventual retirada de sigilo depende das autoridades competentes e precisa respeitar os limites definidos pela legislação e pelas circunstâncias específicas de cada procedimento.

Vorcaro atribui a Kassab negociação envolvendo Credcesta

As acusações surgiram em relatos apresentados por Daniel Vorcaro durante tentativas de negociar uma colaboração premiada. Segundo o material divulgado, o ex-controlador do Banco Master alegou que Kassab teria participado de tratativas relacionadas a pagamentos que funcionariam como contrapartida para preservar a operação do Credcesta no governo paulista. O relato também menciona Augusto Lima, apontado como responsável por articulações para expansão do produto. Entretanto, essa narrativa não foi estabelecida como fato por decisão judicial. Além disso, a proposta de colaboração apresentada por Vorcaro acabou não avançando após avaliações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Uma tentativa de colaboração rejeitada não significa automaticamente que todas as informações fornecidas sejam falsas; da mesma maneira, as declarações do interessado não se transformam em prova apenas por terem sido apresentadas às autoridades. Para produzir consequências jurídicas, alegações desse tipo precisam ser corroboradas por documentos, registros financeiros, comunicações, testemunhos ou outros elementos independentes.

Doações eleitorais também aparecem nas declarações de Vorcaro

Outro ponto do material envolve doações eleitorais realizadas em 2022. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, teriam sido destinados R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões à de Jair Bolsonaro. Os repasses teriam sido registrados em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e personagem investigado no contexto da Operação Compliance Zero. Entretanto, a existência de uma doação eleitoral formalmente registrada não comprova, isoladamente, pagamento de propina ou contrapartida. Para caracterizar uma eventual irregularidade dessa natureza, seria necessário demonstrar ligação entre o recurso e alguma vantagem indevida, decisão administrativa ou compromisso assumido pelo beneficiário. Tarcísio afirmou que não possui vínculo com o doador mencionado e declarou que desconhecia previamente eventuais condutas externas à campanha. Além disso, sustentou que sua prestação de contas foi apresentada regularmente e aprovada pela Justiça Eleitoral, rejeitando, assim, qualquer associação entre os recursos recebidos e favorecimento administrativo.

Caiado defende transparência em apurações enquanto Kassab nega acusações

Kassab apresentou uma negativa ainda mais detalhada. O presidente do PSD declarou que nunca negociou doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro e afirmou não possuir relação com o ex-controlador do Master. Embora tenha reconhecido conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, Kassab sustentou que nunca discutiu com eles assuntos relacionados ao Credcesta. Além disso, negou ter recebido dinheiro em espécie ou qualquer valor proveniente das pessoas citadas. Dessa maneira, existem neste momento versões frontalmente opostas: de um lado, as alegações apresentadas por Vorcaro; de outro, as negativas dos políticos mencionados. É justamente nesse contexto que Caiado defende transparência em apurações, argumentando que dados obtidos pela PF poderiam ajudar a esclarecer telefonemas, mensagens e eventuais movimentações relacionadas ao episódio. Entretanto, cabe às autoridades investigativas determinar quais elementos possuem valor probatório e se existe fundamento para avançar sobre qualquer uma das acusações.

Governo de São Paulo explica situação do Credcesta

Tarcísio também respondeu especificamente às alegações envolvendo o Credcesta. Segundo o governo paulista, o credenciamento da PKL One Participações S.A., empresa responsável pelo cartão, ocorreu em maio de 2022, ainda durante a administração anterior à posse do atual governador. A gestão de Tarcísio começou em janeiro de 2023. Além disso, o governador afirmou que as operações foram suspensas em fevereiro de 2026, depois da liquidação extrajudicial das instituições envolvidas. Outro ponto destacado na resposta é que o credenciamento não representaria um contrato convencional com o Estado nem implicaria transferência de dinheiro público à empresa. De acordo com essa versão, tratava-se de uma habilitação para permitir operações consignadas escolhidas pelos próprios servidores entre instituições autorizadas. Portanto, para avaliar a acusação de que teriam existido contrapartidas pela manutenção do Credcesta, seria necessário verificar não apenas doações e contatos, mas também atos administrativos concretos e sua eventual relação com os envolvidos.

Caiado defende transparência em apurações e caso entra na corrida presidencial

Por fim, quando Caiado defende transparência em apurações, o candidato tenta estabelecer uma posição que concilie apoio ao presidente de seu próprio partido com a defesa de uma investigação ampla sobre o caso Master. A estratégia possui importância eleitoral porque Kassab é uma figura central na campanha presidencial do PSD e as alegações aparecem justamente em um momento no qual o escândalo envolvendo Vorcaro se espalhou por diferentes áreas da política nacional. Contudo, o estágio atual das informações exige cautela. A narrativa apresentada pelo ex-banqueiro não equivale a uma conclusão das autoridades, enquanto as negativas de Kassab e Tarcísio também poderão ser confrontadas com o material obtido nas investigações. Dessa forma, transparência, contraditório e análise documental serão essenciais para esclarecer se as relações descritas possuíam natureza exclusivamente política e eleitoral ou se existe evidência de alguma contrapartida irregular. Até que essa verificação seja realizada, responsabilizações definitivas seriam prematuras.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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