Kassio Nunes Marques admitiu que foram muitas dificuldades enfrentadas na apuração do 2º turno

A decisão de estender o horário de votação no segundo turno das eleições de 2026 provocou uma das principais controvérsias das últimas horas do processo eleitoral. A medida foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que foram relatadas dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes regiões do país. Diante dos questionamentos que surgiram após a medida, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o procedimento não interferiu no resultado e declarou ter “absoluta confiança” na condução das eleições.
A votação, que normalmente seria encerrada às 17h, foi estendida até as 19h nas seções onde os trabalhos ainda não haviam terminado. Segundo o TSE, a determinação não significou a reabertura de urnas já encerradas, mas permitiu que eleitores que ainda estavam em processo de votação pudessem exercer o direito ao voto. O tribunal informou que o recebimento dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados seriam retomados depois do encerramento do período adicional.
Apesar de a medida ter sido cumprida pela Justiça Eleitoral, dificuldades operacionais foram registradas durante a execução da ordem judicial. Milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a decisão foi tomada e, como esses equipamentos não poderiam ser reabertos, procedimentos extraordinários precisaram ser adotados para impedir que informações sobre a votação fossem acessadas antes do momento adequado. Nesse cenário, Kassio explicou que o recebimento dos boletins de urna precisou ser temporariamente bloqueado, mas afirmou posteriormente que a estrutura técnica do TSE conseguiu superar os obstáculos.
Kassio diz que prorrogação não alterou o resultado da eleição
Ao fazer o balanço do segundo turno, Kassio Nunes Marques procurou afastar dúvidas sobre a segurança da apuração e afirmou que a decisão judicial não produziu qualquer alteração no resultado eleitoral. “Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou o presidente do TSE. A afirmação foi feita depois de Lula ter sido confirmado como vencedor da disputa contra Flávio Bolsonaro.
Segundo o ministro, a determinação exigiu uma série de adaptações que não estavam previstas inicialmente na rotina de apuração. O bloqueio temporário do recebimento dos boletins foi uma das medidas adotadas para preservar o sigilo das informações enquanto parte das seções permanecia aberta, evitando que resultados fossem conhecidos antes do encerramento da votação. Além disso, equipes técnicas e servidores tiveram de atuar para reorganizar o fluxo de informações depois das 19h, quando a totalização pôde ser retomada.
Kassio também ressaltou que as dificuldades enfrentadas pelo tribunal não significaram comprometimento da eleição. Pelo contrário, segundo sua avaliação, os procedimentos adotados permitiram que a apuração prosseguisse com segurança depois que o período adicional terminou. Dessa forma, a posição oficial do TSE é de que houve um problema operacional relevante, mas ele foi administrado sem que a integridade dos votos ou o resultado final fossem afetados.
Por que o horário de votação foi prorrogado?
A extensão do horário ocorreu depois de uma disputa judicial envolvendo as condições de deslocamento dos eleitores. A campanha de Lula acionou o STF alegando que problemas relacionados ao transporte coletivo em municípios como Salvador poderiam dificultar o acesso de parte da população às urnas, enquanto também foram apresentadas informações sobre redução da circulação de ônibus. Diante da urgência relatada, Zanin determinou que a votação fosse prorrogada por duas horas em todo o país, mas somente nas seções que ainda permaneciam abertas.
O episódio ganhou ainda mais complexidade porque a campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a ampliação do horário em alguns estados, citando dificuldades provocadas pelas condições climáticas. Assim, a controvérsia não pode ser analisada apenas como uma decisão tomada em benefício de uma das candidaturas, já que pedidos de extensão também haviam sido apresentados pelo grupo adversário. Ainda assim, depois de confirmada a vitória de Lula, Flávio afirmou que pretende recorrer à Justiça e pedir a anulação da eleição, relacionando sua contestação à prorrogação da votação.
A situação também provocou uma mudança excepcional na logística da apuração, já que a decisão judicial foi tomada quando parte significativa das urnas já havia sido encerrada. Para evitar que os resultados dessas urnas fossem acessados antes do momento adequado, o recebimento dos boletins foi temporariamente interrompido em todo o país. De acordo com Kassio, essa contenção provocou uma concentração extraordinária de boletins, mas a capacidade técnica do tribunal foi suficiente para que a situação fosse normalizada posteriormente.
Prorrogação da votação entra no centro da disputa política
A discussão sobre a prorrogação ganhou peso político depois que Lula foi confirmado como vencedor do segundo turno e Flávio Bolsonaro passou a contestar o resultado. O candidato do PL afirmou que pretende buscar a anulação do pleito, enquanto o presidente do TSE sustenta que não houve qualquer alteração provocada pela decisão judicial. Dessa maneira, a divergência deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a fazer parte do debate sobre a legitimidade do resultado eleitoral.
Por outro lado, os dados divulgados pelo próprio TSE mostram a dimensão da operação realizada durante o segundo turno. Mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas, enquanto 1.551 equipamentos precisaram ser substituídos, número correspondente a uma pequena parcela do total de urnas utilizadas, sem comprometimento da integridade dos votos. Nesse contexto, a Justiça Eleitoral sustenta que as falhas e dificuldades registradas foram administradas dentro dos procedimentos técnicos disponíveis e que a totalização ocorreu normalmente depois do encerramento da votação.
O posicionamento de Kassio, portanto, procura estabelecer uma distinção entre as dificuldades provocadas pela decisão judicial e a validade do resultado produzido pelas urnas. O ministro reconheceu que a prorrogação exigiu medidas extraordinárias e criou obstáculos para a operação do TSE, mas afirmou que todas as providências necessárias foram tomadas para preservar a segurança da apuração. Assim, enquanto a contestação política deverá seguir seu caminho na Justiça Eleitoral, a posição oficial do tribunal permanece sendo de que a prorrogação não comprometeu a eleição nem modificou o resultado proclamado.





