Lula cresceu entre católicos e evangélicos, segundo resultado da pesquisa feita pela Quaest

A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, mostrou mudanças nas intenções de voto entre católicos e evangélicos na reta final do primeiro turno das eleições. O levantamento apontou crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva nos dois segmentos religiosos, tanto no cenário de primeiro turno quanto na simulação de segundo turno. Os dados foram coletados entre 24 e 27 de setembro, período em que ganhou força nas redes sociais uma controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Entre os eleitores católicos, Lula passou de 43% para 48% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 27% para 29%. Já entre os evangélicos, o petista passou de 23% para 27%, enquanto o candidato do PL recuou de 49% para 46%. As margens de erro dos recortes foram estimadas em três pontos percentuais entre católicos e quatro pontos entre evangélicos.
As mudanças também apareceram nas simulações de segundo turno apresentadas pela pesquisa. Entre católicos, Lula passou de 46% para 50%, enquanto Flávio permaneceu com 37%, e entre evangélicos o petista avançou de 28% para 30%, enquanto o senador passou de 58% para 54%. Apesar da variação dos percentuais, a pesquisa registra os resultados de cada rodada e não permite, isoladamente, estabelecer que uma controvérsia específica tenha causado as mudanças observadas.
Lula cresce entre católicos na pesquisa Quaest
O segmento católico apresentou uma das principais alterações em relação à rodada anterior da Quaest. No primeiro turno, o crescimento de Lula foi de cinco pontos percentuais, passando de 43% para 48%, enquanto Flávio Bolsonaro teve uma oscilação positiva de dois pontos, de 27% para 29%. Dessa forma, os números registrados entre os católicos mudaram durante a semana que antecedeu a divulgação do novo levantamento.
No cenário de segundo turno, a variação também foi registrada entre os católicos, com Lula passando de 46% para 50%. Flávio Bolsonaro permaneceu com 37%, enquanto a parcela formada por brancos, nulos e eleitores que afirmaram não votar caiu de 14% para 10%, e os indecisos permaneceram em 3%. Esses números foram obtidos dentro do recorte religioso da pesquisa, que possui margem de erro própria em razão do tamanho da amostra correspondente ao grupo.
A pesquisa também mediu o medo associado aos dois principais grupos políticos entre os eleitores religiosos. Entre católicos, 52% disseram ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 36% apontaram maior receio de uma nova gestão de Lula, com 6% afirmando temer os dois cenários, 2% nenhum deles e 4% que não souberam ou não responderam. Entre os evangélicos, por outro lado, 56% disseram ter mais medo de uma reeleição de Lula, enquanto 29% indicaram receio da volta da família Bolsonaro.
Evangélicos também registram mudança nos percentuais
Entre os evangélicos, a nova rodada da Quaest mostrou crescimento de Lula no primeiro turno e redução do percentual atribuído a Flávio Bolsonaro. O petista passou de 23% para 27%, enquanto o senador caiu de 49% para 46%, em uma variação que ficou dentro do recorte acompanhado pela margem de erro de quatro pontos percentuais. O levantamento, portanto, registrou uma alteração nos números dos dois candidatos dentro desse grupo religioso.
No segundo turno, Lula passou de 28% para 30% entre os evangélicos, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 58% para 54%. A parcela de entrevistados que afirmou votar em branco, anular ou não comparecer passou de 11% para 13%, enquanto os indecisos permaneceram em 3%. Assim como no primeiro turno, os resultados correspondem a uma fotografia do período de realização das entrevistas e devem ser considerados dentro da margem de erro indicada para o segmento.
As mudanças ocorreram durante uma semana marcada por debates sobre religião na campanha presidencial. Nas redes sociais, voltou a circular a associação entre Flávio Bolsonaro e um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, que previa retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, proposta que acabou arquivada. Flávio Bolsonaro negou ter defendido a retirada do título e afirmou que a associação de sua candidatura com o projeto era falsa.
Polêmica religiosa ocorreu durante período de coleta da pesquisa
A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço durante o mesmo período em que os entrevistados da Quaest eram ouvidos. O levantamento começou em 24 de setembro e terminou em 27 de setembro, enquanto a discussão sobre o antigo projeto e sua associação com Flávio Bolsonaro era repercutida nas redes sociais e no debate eleitoral. A coincidência entre os períodos, contudo, não permite concluir que o episódio tenha sido responsável pelas alterações identificadas nos percentuais.
O tema também alcançou o Judiciário durante a campanha, depois que publicações relacionadas à controvérsia foram discutidas em decisões envolvendo a retirada ou manutenção de conteúdos nas plataformas digitais. A questão passou a integrar um debate mais amplo sobre religião, liberdade de expressão e disputa eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro mantinha a posição de que não pretendia retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A CNBB também se manifestou sobre a circulação de informações relacionadas ao caso e afirmou que não produziu, autorizou ou participou de conteúdos falsos sobre o assunto.
A própria pesquisa mostrou que o comportamento eleitoral dos grupos religiosos apresentou diferenças importantes conforme o cenário analisado. Embora Lula tenha registrado crescimento entre católicos e evangélicos, Flávio Bolsonaro continuou com percentuais distintos nos dois segmentos, especialmente nas simulações de segundo turno. No conjunto do eleitorado, a mesma pesquisa apontou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno, enquanto os dois registraram 42% em uma simulação de segundo turno.
Metodologia da pesquisa Quaest
A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 24 e 27 de setembro de 2026. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, possui nível de confiança de 95% e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06520/2026. Para o conjunto da pesquisa, a margem de erro informada é de dois pontos percentuais, enquanto os recortes religiosos apresentam margens específicas de três pontos entre católicos e quatro pontos entre evangélicos.
Os números da Quaest, portanto, mostram como as intenções de voto variaram entre diferentes grupos religiosos na comparação com a semana anterior. As alterações ocorreram poucos dias antes do primeiro turno e durante uma fase da campanha em que questões relacionadas à religião passaram a ocupar espaço relevante no debate entre os candidatos. A pesquisa registra os percentuais declarados pelos entrevistados no período analisado, sem estabelecer relação causal entre os acontecimentos políticos e as mudanças encontradas.





