Lula deve indicar Messias novamente ao STF, agora com apoio de Alcolumbre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja reapresentar ao Senado a indicação de Jorge Messias para ocupar vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme apuração da Jovem Pan, desta vez o governo deve contar com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que reaproximou-se do Planalto e pretende buscar reeleição para o comando da Casa Alta em 2027 com respaldo do PT. A mudança marca uma virada expressiva nas relações entre os dois poderes após meses de tensão institucional.
De derrota a aliança: como a relação foi reconstruída
A primeira tentativa de indicação de Jorge Messias terminou em derrota histórica no Senado em 29 de abril de 2026, quando foi rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Foi a primeira vez desde 1894 que um nome indicado à Suprema Corte não obteve aval dos senadores. Na época, Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, e a divergência levou a um rompimento público entre os dois líderes políticos. O processo de reconciliação teve início em 4 de agosto, durante um jantar organizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que serviu de ponte para retomada do diálogo. Nos dias seguintes, novas reuniões foram realizadas no Palácio da Alvorada, até que em 14 de agosto os dois líderes selaram um acordo de pauta, com Alcolumbre comprometendo-se a agilizar projetos prioritários do governo nas comissões da Casa.
Convergência de interesses impulsiona reaproximação
A reaproximação não é acidental: responde a uma coincidência de agendas políticas. Reeleito para seu quarto mandato, Lula precisa do apoio legislativo para fazer avançar sua pauta governista nos próximos quatro anos. Já Alcolumbre, que busca permanecer na presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027, necessita de uma base sólida de sustentação política dentro e fora do Congresso. O encontro de segunda-feira, 26 de outubro, que reuniu Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no Palácio da Alvorada, simbolizou formalmente essa nova fase de cooperação institucional, com foco na organização da agenda legislativa do novo mandato presidencial que se inicia em janeiro.
Restrições regimentais adiam nova votação para 2027
Apesar do novo alinhamento político, a indicação de Messias não poderá ser submetida ao plenário imediatamente. O Ato da Mesa nº 1, de 2010, estabelece que um nome rejeitado não pode ser reapreciado na mesma sessão legislativa. Isso significa que a nova sabatina e votação só poderão ocorrer a partir de 2027. Os trâmites exigem, primeiro, passagem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, votação no plenário do Senado, onde são necessários pelo menos 41 votos favoráveis para aprovação, independentemente do quórum presente. A vaga no STF permanece sem preenchimento desde outubro de 2025.
Alcolumbre assume papel central na articulação
Diferente da primeira tentativa, quando sua oposição foi decisiva para o insucesso, agora Alcolumbre deve atuar ativamente na construção de maioria favorável ao nome de Messias. A mudança de postura não garante, porém, resultado automático. O presidente do Senado precisará convencer senadores que já manifestaram oposição anteriormente, em um trabalho que deverá ser conduzido ao longo dos próximos meses. A cautela também vem do próprio indicado: segundo interlocutores, Messias condiciona sua volta à pauta à existência de cenário claramente favorável, para evitar um segundo revés no plenário da Casa.
Governo mantém convicção sobre a indicação
Desde a derrota em abril, o presidente Lula tem demonstrado firmeza em relação ao nome de Jorge Messias. Em maio, durante agenda em Sergipe, declarou publicamente: “Portanto, eu vou indicar o Messias outra vez”, argumentando que a rejeição anterior teve motivações políticas e não questionamentos sobre sua qualificação jurídica. Com a reeleição confirmada e a nova dinâmica com o Legislativo em curso, o governo trabalha para que, quando a indicação retornar ao Senado, as condições sejam diferentes daquelas que resultaram na derrota histórica.
Caminho ainda depende de consenso amplo
A reconstrução da relação entre o Planalto e o Senado representa um passo importante para a governabilidade nos próximos anos. Se a aliança se mantiver sólida, a vaga no STF poderá ser preenchida no início de 2027. Até lá, o desafio será transformar a convergência de interesses em votos concretos. Que os próximos passos sejam conduzidos com transparência, respeito à independência dos poderes e em defesa de um Supremo Tribunal Federal fortalecido, composto por nomes que contem com a confiança da sociedade brasileira e das instituições democráticas.





