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Lula diz que falará para Trump fazer Pix “para ver o quanto é bom”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma agenda no interior de São Paulo neste sábado (5). Ao comentar os avanços de seu governo nas áreas de educação e emprego, Lula também destacou o papel da tecnologia na transformação da economia e aproveitou o momento para falar sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Em tom descontraído, o presidente afirmou que pretende conversar diretamente com Trump sobre o funcionamento e a importância do meio de pagamento para os brasileiros.

Durante o discurso, Lula ressaltou o avanço da digitalização dos serviços públicos e citou o número de brasileiros que utilizam a plataforma gov.br para acessar informações e serviços do governo federal. Segundo o presidente, cerca de 178 milhões de pessoas já estão conectadas ao sistema. Para ele, a expansão do acesso digital representa uma mudança significativa na relação entre a população e o poder público. Lula também relacionou esse processo ao desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, que considera estratégica para o futuro do país e para a modernização de diferentes setores da economia.

Foi nesse contexto que o presidente mencionou Trump e fez uma referência direta ao Pix. Lula afirmou que pretende aproveitar sua próxima viagem à Organização das Nações Unidas (ONU) para encontrar o líder norte-americano e apresentar, de forma prática, sua visão sobre o sistema brasileiro. Em tom bem-humorado, disse que convidaria Trump a realizar uma transferência pelo Pix para que ele pudesse compreender, na prática, como a ferramenta facilita as operações financeiras. A declaração ocorreu em meio às discussões internacionais que colocaram o sistema brasileiro no centro de debates comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O Pix passou a integrar as discussões entre os dois países nos últimos meses, especialmente após autoridades norte-americanas incluírem o sistema brasileiro entre os temas analisados em investigações comerciais. O mecanismo foi mencionado em um relatório relacionado à Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses de empresas do país. Entre os argumentos apresentados, o documento questionou a estrutura do Pix e apontou possíveis diferenças nas condições oferecidas a empresas brasileiras e norte-americanas.

As discussões envolvendo o sistema de pagamentos também ocorreram paralelamente às negociações sobre tarifas aplicadas às importações brasileiras. O tema ganhou espaço nas relações entre Brasília e Washington e passou a exigir maior diálogo entre representantes dos dois governos. Depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump realizada no fim de agosto, Brasil e Estados Unidos retomaram as tratativas técnicas relacionadas às tarifas e a outros pontos da agenda comercial. A expectativa agora é de que novas reuniões sejam realizadas nas próximas semanas, com representantes dos dois países buscando alternativas para avançar nas negociações.

Ao destacar o Pix, Lula reforçou uma das principais marcas da transformação digital brasileira e sinalizou que pretende defender o modelo em suas conversas internacionais. O sistema se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros e passou a ter impacto direto na forma como consumidores, empresas e trabalhadores realizam pagamentos e transferências. A fala do presidente ocorre, portanto, em um momento de atenção às relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos, enquanto os dois governos procuram manter aberto o canal de negociação. A próxima oportunidade de encontro entre Lula e Trump, prevista durante a agenda da ONU, poderá representar mais um capítulo nas conversas sobre tecnologia, comércio e os caminhos da economia digital.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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