Notícias

Lula tem mais desaprovação que aprovação, mas lidera disputa; entenda os números

CNT/MDA: Lula é desaprovado por 49,7%; aprovação é de 45,9%

CNT/MDA: Lula é desaprovado por 49,7% dos brasileiros, enquanto 45,9% aprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (15). Outros 4,4% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. O levantamento mostra, portanto, uma diferença nominal de 3,8 pontos percentuais entre desaprovação e aprovação. Como a margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, os intervalos possíveis das duas avaliações se aproximam e podem se sobrepor. Além disso, os números precisam ser entendidos como um retrato da opinião pública no período em que as entrevistas foram realizadas, e não como uma previsão sobre o resultado das eleições de outubro. A pesquisa ganha relevância justamente porque foi divulgada na reta final da campanha presidencial, quando avaliações sobre governo, economia e cenário político podem influenciar a disputa, embora não determinem isoladamente a escolha do eleitor.

CNT/MDA: Lula é desaprovado por parcela maior que a que aprova

Na comparação apresentada com a rodada anterior da CNT/MDA, realizada em agosto, houve uma pequena movimentação desfavorável ao presidente. Naquele levantamento, 47% aprovavam Lula e 48% desaprovavam seu desempenho. Agora, a aprovação aparece em 45,9%, enquanto a desaprovação alcança 49,7%. Isso representa, nominalmente, queda de 1,1 ponto na aprovação e avanço de 1,7 ponto na desaprovação. Entretanto, oscilações desse tamanho precisam ser interpretadas com cautela porque estão dentro da margem de erro da pesquisa. Dessa forma, não é tecnicamente adequado concluir, apenas com esses números, que ocorreu uma mudança brusca na opinião pública. Por outro lado, a comparação mostra que Lula continua enfrentando um eleitorado bastante dividido em relação ao seu desempenho pessoal. Esse dado possui importância eleitoral porque presidentes que disputam a reeleição normalmente precisam administrar simultaneamente a avaliação de seu governo, sua imagem pessoal e a comparação direta com os adversários. Ainda assim, esses três indicadores medem fenômenos diferentes e não devem ser tratados como equivalentes.

Avaliação negativa do governo chega a 39,4%

Quando a pergunta deixa de avaliar diretamente o desempenho pessoal de Lula e passa a medir a percepção sobre o governo federal, os percentuais mudam. Segundo a CNT/MDA, 39,4% classificam a administração de forma negativa: 30,9% consideram o governo péssimo e 8,5% o avaliam como ruim. Em sentido contrário, 33,8% apresentam avaliação positiva, sendo 20,6% de respostas “bom” e 13,2% de “ótimo”. Além disso, 25,4% classificam a gestão como regular, enquanto 1,3% não souberam ou não responderam. A separação dessas categorias é importante porque aprovação pessoal e avaliação administrativa são perguntas diferentes. Um eleitor pode, por exemplo, desaprovar o desempenho de Lula e ainda considerar determinadas áreas do governo satisfatórias; da mesma maneira, pode aprovar pessoalmente o presidente sem classificar toda a administração como boa ou ótima. Portanto, interpretar corretamente uma pesquisa exige observar a formulação das perguntas e não simplesmente comparar percentuais que medem conceitos distintos.

Aprovação de Lula deve ser analisada junto ao cenário eleitoral

Outro elemento ajuda a colocar os resultados em perspectiva. Embora a desaprovação pessoal seja numericamente superior à aprovação na CNT/MDA, Lula continua liderando os cenários presidenciais testados pelo mesmo levantamento. Na principal simulação de primeiro turno divulgada nesta terça-feira, o presidente aparece com 40,6% das intenções de voto, contra 30,4% de Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 3% e Renan Santos com 2,7%, além dos demais resultados registrados. Já na pergunta espontânea, na qual os nomes não são apresentados previamente aos entrevistados, Lula possui 36,6% e Flávio registra 26,7%, enquanto 20,8% permanecem indecisos. Consequentemente, CNT/MDA: Lula é desaprovado por uma parcela maior do eleitorado do que aquela que aprova seu desempenho, mas isso não se traduz automaticamente em derrota eleitoral. Avaliação de governo e intenção de voto possuem relações entre si, porém respondem a perguntas diferentes e também são influenciadas pela comparação entre candidatos disponíveis.

Segundo turno mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro

A mesma diferença pode ser observada no cenário de segundo turno. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista registra 47,3%, enquanto o senador aparece com 40%. A vantagem nominal é, portanto, de 7,3 pontos percentuais. Ainda assim, o resultado não deve ser interpretado como previsão de vitória. Pesquisas eleitorais representam uma fotografia das preferências declaradas durante determinado período, e essas escolhas podem mudar até o dia da votação. Além disso, a própria comparação com agosto indica que a distância entre os dois candidatos diminuiu: segundo os dados divulgados, a vantagem anterior era de nove pontos. Assim, existe simultaneamente um cenário no qual Lula lidera a disputa eleitoral e outro no qual sua desaprovação pessoal supera numericamente sua aprovação. Longe de serem necessariamente contraditórios, esses números revelam que parte do eleitorado pode fazer sua escolha não apenas pela avaliação do governo, mas também por rejeição ao adversário, identificação partidária, propostas, situação econômica ou percepção sobre qual candidatura considera mais adequada.

Pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 eleitores em todo o Brasil

A metodologia também precisa ser considerada para uma leitura responsável dos resultados. Foram entrevistadas presencialmente 2.002 pessoas em todas as regiões do país entre 9 e 13 de setembro. A margem de erro declarada é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, enquanto o nível de confiança informado é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06902/2026. O nível de confiança de 95%, contudo, não significa que exista 95% de probabilidade de determinado candidato vencer uma eleição. Trata-se de um conceito estatístico relacionado ao procedimento de amostragem e aos intervalos estimados pela pesquisa. Da mesma forma, a margem de erro não deve ser aplicada de maneira mecânica para prever cada comportamento futuro do eleitorado. Por isso, levantamentos realizados por diferentes institutos podem apresentar números distintos sem que, necessariamente, um deles esteja errado, sobretudo quando metodologias, datas de campo, questionários e composição das amostras apresentam diferenças.

CNT/MDA: Lula é desaprovado por 49,7%, mas números mostram cenário dividido

Por fim, CNT/MDA: Lula é desaprovado por 49,7% e aprovado por 45,9%, resultado que confirma um ambiente de forte divisão na avaliação pessoal do presidente durante a reta final da campanha. Ao mesmo tempo, 39,4% classificam negativamente o governo federal e 33,8% fazem uma avaliação positiva, enquanto aproximadamente um quarto dos entrevistados considera a administração regular. Entretanto, quando a pergunta é eleitoral, Lula permanece à frente de Flávio Bolsonaro nos cenários de primeiro e segundo turnos testados pela pesquisa. Dessa forma, o levantamento oferece uma fotografia mais complexa do que uma simples disputa entre aprovação e desaprovação. O presidente enfrenta resistência relevante a seu governo e à sua imagem, porém continua eleitoralmente competitivo diante dos adversários apresentados aos entrevistados. Consequentemente, a evolução das próximas pesquisas será importante para verificar se as pequenas oscilações observadas representam apenas variações dentro da margem de erro ou o início de uma tendência mais consistente. Até lá, os percentuais divulgados nesta terça-feira devem ser interpretados como um retrato daquele período específico da campanha, e não como antecipação do resultado das urnas.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *