Notícias

Marçal fica perto de deixar corrida presidencial após maioria formada no TSE

TSE forma maioria para rejeitar candidatura de Pablo Marçal à Presidência

O TSE forma maioria para rejeitar a candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Presidência da República nas eleições de 2026, colocando o influenciador e empresário diante de um obstáculo decisivo para permanecer oficialmente na disputa pelo Palácio do Planalto. Nesta sexta-feira (11), cinco dos sete integrantes do Tribunal Superior Eleitoral votaram pelo indeferimento do registro apresentado por Marçal. A relatora, ministra Estela Aranha, abriu a votação contra a candidatura e foi acompanhada por Ricardo Villas Bôas Cueva, Nunes Marques, André Mendonça e Antonio Carlos Ferreira. Dessa forma, mesmo com os votos de Dias Toffoli e Floriano de Azevedo Marques ainda pendentes no momento da formação da maioria, já havia número suficiente para prevalecer a posição contrária ao registro. Entretanto, como o julgamento ocorre no plenário virtual, o resultado somente deve ser tratado como formalmente concluído depois do encerramento da sessão e da proclamação correspondente.

TSE forma maioria para rejeitar registro após questionamentos do MPE

A principal barreira enfrentada por Marçal está relacionada à sua situação de inelegibilidade decorrente das eleições municipais de 2024, quando disputou a Prefeitura de São Paulo. O Ministério Público Eleitoral sustentou no processo que o político permanece inelegível até 2032 em razão de condenação envolvendo uso indevido dos meios de comunicação durante aquela campanha. Entre as condutas examinadas pela Justiça Eleitoral estiveram estratégias de divulgação baseadas em concursos e incentivos para produção e disseminação de cortes de vídeos eleitorais nas redes sociais. Além disso, nem todas as decisões envolvendo Marçal seguiram o mesmo caminho nas instâncias judiciais: condenações anteriores foram parcialmente revertidas, enquanto outra permaneceu relevante para sua condição eleitoral. Consequentemente, a discussão levada ao TSE não se resume à popularidade do candidato ou às pesquisas eleitorais. O ponto central é jurídico: saber se Marçal reúne, neste momento, todas as condições exigidas pela legislação para disputar a Presidência.

Filiação de Pablo Marçal ao PRTB também entrou na discussão

Além da inelegibilidade, outro problema foi levantado pelo Ministério Público Eleitoral: a filiação partidária de Pablo Marçal ao PRTB. Para disputar uma eleição no Brasil, o candidato precisa cumprir uma série de condições previstas na legislação, entre elas estar regularmente filiado a uma legenda dentro do prazo exigido. No caso de Marçal, o MPE argumentou que não teria sido comprovada adequadamente a filiação ao PRTB no período necessário, porque registros indicavam vínculo com o União Brasil até abril. Marçal conseguiu apresentar sua candidatura amparado por uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo relacionada à mudança partidária. Contudo, a medida provisória não eliminou a necessidade de o mérito do registro ser posteriormente analisado pelo TSE. Por isso, no início de setembro, a relatora abriu prazo para manifestação do Ministério Público sobre os argumentos apresentados pela defesa. Em 5 de setembro, o órgão eleitoral reiterou o pedido para que o registro presidencial fosse rejeitado.

Maioria do TSE consolida cenário desfavorável para Marçal

A situação atual é resultado de uma sequência de decisões que já vinha limitando a atuação eleitoral de Marçal. Em 20 de agosto, antes do julgamento definitivo do registro, o próprio TSE havia aprovado por unanimidade uma tutela de urgência que impediu o político de utilizar recursos públicos destinados à campanha. Também foram restringidos seu acesso à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e sua participação em outros atos de propaganda, inclusive debates, enquanto o mérito permanecesse pendente. Na ocasião, o PRTB também foi comunicado para cumprir a determinação. Portanto, quando o TSE forma maioria para rejeitar definitivamente o registro, a Corte avança de uma decisão cautelar para uma análise do mérito da candidatura. A diferença é relevante: a medida de agosto tinha caráter provisório, enquanto o julgamento desta sexta-feira examina se o candidato possui efetivamente condições jurídicas para concorrer. Assim, uma vez confirmado o indeferimento ao término da sessão, sua candidatura não poderá prosseguir normalmente no processo eleitoral.

O que acontece com a candidatura após a decisão do TSE?

Do ponto de vista eleitoral, a formação de maioria tem impacto imediato sobre as perspectivas políticas do PRTB, porém é importante diferenciar maioria matemática de encerramento processual. Como cinco ministros já votaram na mesma direção, os dois votos restantes não conseguem inverter o resultado do colegiado nesse julgamento, ainda que eventualmente apresentem divergência. Entretanto, procedimentos posteriores podem existir conforme os recursos juridicamente cabíveis e o conteúdo do acórdão. Além disso, a decisão não deve ser interpretada como uma avaliação política das propostas defendidas por Marçal, mas como uma análise sobre requisitos e impedimentos previstos pela legislação eleitoral. O TSE já havia validado diversas outras chapas presidenciais ao longo de setembro, incluindo candidaturas de PT, PL, UP e Novo, entre outras legendas, depois de verificar documentação e requisitos legais. A situação de Marçal tornou-se diferente justamente porque seu pedido foi impugnado e chegou ao julgamento acompanhado de controvérsias sobre inelegibilidade e filiação partidária.

TSE forma maioria para rejeitar candidatura em plena campanha presidencial

Politicamente, o momento da decisão também aumenta sua repercussão. Marçal vinha sendo incluído em alguns levantamentos de intenção de voto mesmo com a situação jurídica indefinida. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 10 de setembro, por exemplo, apareceu com 1% no cenário de primeiro turno, enquanto outros levantamentos recentes também o testaram entre os nomes apresentados aos entrevistados. Entretanto, pesquisas eleitorais são fotografias do momento e não previsões do resultado das urnas; além disso, a presença de uma pessoa em um questionário não resolve sua condição jurídica para disputar a eleição. Essa competência pertence à Justiça Eleitoral. Portanto, caso o indeferimento seja formalmente confirmado, os próximos levantamentos poderão passar a trabalhar prioritariamente com cenários sem Marçal, dependendo das decisões processuais posteriores e das metodologias adotadas pelos institutos. Ao mesmo tempo, o PRTB terá de avaliar os efeitos políticos e jurídicos da decisão sobre sua estratégia para a disputa presidencial.

Decisão sobre Pablo Marçal reforça peso das regras de elegibilidade

Por fim, o fato de o TSE formar maioria para rejeitar a candidatura de Pablo Marçal demonstra como uma campanha presidencial depende não apenas de apoio popular, estrutura partidária e desempenho nas pesquisas, mas também do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação. Marçal conseguiu apresentar seu registro e contestou os obstáculos jurídicos levantados contra sua candidatura; entretanto, a maioria formada no Tribunal entendeu que existem fundamentos suficientes para o indeferimento. Além disso, o histórico iniciado na eleição municipal de São Paulo em 2024 continuou produzindo consequências no processo eleitoral de 2026. A controvérsia sobre sua filiação ao PRTB adicionou uma segunda questão jurídica ao caso. Dessa maneira, embora ainda seja necessário observar o encerramento formal do julgamento e eventuais desdobramentos processuais, o cenário tornou-se substancialmente desfavorável à candidatura presidencial do empresário. A decisão também evidencia uma regra básica do sistema eleitoral: intenção de concorrer e registro apresentado não significam, automaticamente, autorização definitiva para disputar uma eleição. 

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *