Mendonça e Fux pedem auxílio da PF para acessar celular

Os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Luiz Fux encaminharam ofícios à Polícia Federal neste sábado, 19, comunicando que ainda não conseguiram acessar o conteúdo do celular apreendido do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Conforme revelou o portal G1, os dois magistrados solicitaram suporte técnico à corporação para superar entraves que impedem a leitura dos arquivos. A informação reforça a existência de desigualdade no acesso a elementos centrais das apurações que tramitam na Corte.
O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, voltada a investigar irregularidades financeiras no banco. Cópias do conteúdo foram entregues aos gabinetes de seis ministros: além de Mendonça e Fux, receberam o material Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques. A divergência agora registrada é que nem todos conseguiram efetivamente abrir e analisar os dados, o que pode interferir na capacidade de cada um formar convicção com base nos mesmos elementos.
Nos documentos enviados à PF, os dois ministros explicam que, até o momento, não lograram êxito em examinar o conteúdo, seja por dificuldades de ordem técnica ou por eventual defeito nas mídias disponibilizadas. O volume de informações é expressivo: cerca de 500 gigabytes, quantidade que equivale a aproximadamente 140 mil imagens em alta definição ou 40 horas de material audiovisual. O tamanho e a complexidade da estrutura de pastas podem estar entre os fatores que dificultam a leitura.
Os arquivos organizam-se em diretórios com conversas, áudios e registros de uso do aparelho, conforme relatos ao G1. A perícia foi realizada com o auxílio do programa IPED, ferramenta que permite localizar termos específicos e também recuperar conteúdos apagados ou protegidos por senhas. A riqueza de detalhes e a possibilidade de acessar mensagens que não estariam visíveis em condições comuns conferem ao material papel central no esclarecimento dos fatos.
A situação levanta questionamentos sobre a paridade entre os ministros no conhecimento dos autos. Enquanto alguns já dispõem de pleno acesso ao conteúdo, outros aguardam resolução de problemas técnicos. A igualdade de condições para examinar provas é princípio essencial à credibilidade de qualquer julgamento. Sem ela, pode surgir a percepção de que alguns magistrados dispõem de elementos que outros ainda não conseguiram avaliar, o que exige celeridade na solução dos entraves.
A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que a Polícia Federal preste o apoio necessário com rapidez e transparência. O acesso integral e simultâneo aos dados é fundamental para que cada ministro possa contribuir de forma fundamentada e independente. Os próximos dias mostrarão se as dificuldades serão prontamente superadas e se todos os integrantes da Corte passarão a dispor dos mesmos elementos para analisar o caso com isenção e clareza.





