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Michelle chama de ‘perseguição absurda’ veto ao uso de foto de Bolsonaro na campanha

A ex-primeira-dama e candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), reagiu publicamente à decisão que proibiu a veiculação de fotografias ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral. Em declaração, classificou a medida como “uma perseguição absurda” e informou que fará pronunciamento oficial sobre o tema nesta segunda-feira, por meio de suas redes sociais. A peça publicitária questionada exibia imagens do casal e trazia uma mensagem na qual o ex-presidente menciona uma “missão” confiada à esposa.

A decisão que motivou a reação foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal após ação apresentada pela candidata do PT ao Senado, Érika Kokay. A representação questionou o uso da imagem e da fala atribuída a Jair Bolsonaro na propaganda de Michelle, o que levou a Corte a ordenar a suspensão imediata da veiculação do material. A campanha de Michelle já recorreu da sentença, buscando reverter a proibição junto às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

Para a candidata, a medida vai além de uma simples questão de legislação eleitoral e representa uma tentativa de apagar a trajetória compartilhada ao longo dos anos. “Não se trata apenas de uma imagem em uma peça de campanha. É a história de duas pessoas que caminharam juntas e que fazem parte da memória política do país”, afirmou. Ela ressalta que a presença do ex-presidente em sua vida pública e privada é parte de sua própria identidade e não pode ser simplesmente afastada por determinação judicial.

Os advogados que defendem a candidata argumentam que a utilização da imagem não configura irregularidade, mas sim o exercício legítimo de apresentar ao eleitorado quem é a postulante e com quem conviveu e compartilhou responsabilidades públicas. O recurso apresentado busca demonstrar que não houve desvio de finalidade nem uso indevido, mas apenas a menção natural à relação pessoal e política que os une. A expectativa é que o Tribunal Superior Eleitoral aprecie o caso em breve.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre a liberdade de comunicação em campanha, os direitos de personalidade e as regras que visam garantir igualdade entre os candidatos. Por um lado, a legislação estabelece critérios claros sobre quem pode ou não aparecer em materiais eleitorais. Por outro, a candidata defende que mencionar a figura do ex-presidente não constitui vantagem indevida, mas sim informação relevante para o eleitor conhecer suas bases e suas alianças. Cabe à Justiça encontrar o equilíbrio entre esses princípios.

A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que as normas sejam aplicadas de forma igualitária e transparente. Cada decisão proferida pela Justiça Eleitoral serve também como referência para situações semelhantes que podem surgir ao longo da campanha. O pronunciamento prometido por Michelle Bolsonaro deverá trazer novos elementos à discussão, e o eleitorado poderá acompanhar como o processo segue, formando sua própria opinião sobre onde se encontram os limites entre a lei, a memória pública e a liberdade de se apresentar aos cidadãos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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