Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Renan, disse ter sido alvo de tentativa de suborno

A coordenadora da campanha de Renan Santos, a vereadora Amanda Vettorazzo, denunciou uma suposta tentativa de suborno dentro de seu gabinete na Câmara Municipal de São Paulo. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, ela teria recebido uma proposta de R$ 200 mil como pagamento inicial para usar sua influência política em favor de uma empresa interessada em um contrato relacionado à instalação de câmeras corporais na Guarda Civil Metropolitana. O episódio ocorreu nesta terça-feira (25) e ganhou repercussão porque a parlamentar afirma ter gravado a conversa antes de dar voz de prisão ao homem que teria feito a oferta.
De acordo com o boletim de ocorrência e com o depoimento prestado por Amanda, o homem foi identificado como Diego Fernando Oporto Soliz. A aproximação entre os dois teria começado no início de 2026, quando foram discutidos projetos relacionados à segurança pública e novas tecnologias para o setor, mas, posteriormente, as conversas teriam evoluído para uma proposta envolvendo as câmeras corporais da GCM. A vereadora afirma que não tinha interesse em levar o projeto adiante, mas teria sido procurada novamente com uma oferta financeira para ajudar a empresa a avançar em uma eventual licitação.
O caso chama atenção não apenas pelo valor mencionado, mas também pelo contexto político em que ocorreu. Amanda Vettorazzo é vereadora de São Paulo pelo União Brasil e exerce a função de coordenadora da campanha presidencial de Renan Santos, candidato do Partido Missão à Presidência da República, cuja candidatura foi lançada oficialmente em São Paulo no último dia 16. Portanto, a denúncia atinge uma figura que ocupa posição relevante tanto no Legislativo municipal quanto na estrutura eleitoral de uma candidatura presidencial em plena disputa de 2026.
Coordenadora da campanha de Renan Santos relata oferta de R$ 200 mil
Segundo a versão apresentada pela vereadora, a proposta teria sido detalhada durante uma reunião realizada em seu gabinete na terça-feira. Nesse encontro, além dos R$ 200 mil que seriam pagos inicialmente, teria sido prometida uma comissão sobre o eventual contrato, valor que, conforme o relato de Amanda, poderia chegar a aproximadamente R$ 6 milhões. A parlamentar decidiu registrar a conversa e, diante do que considerou uma tentativa de suborno, acionou a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Civil.
A gravação passou a ser um dos principais elementos apresentados pela vereadora para sustentar sua denúncia. Conforme o relato divulgado, Amanda teria dado voz de prisão ao homem ainda dentro do gabinete, depois de registrar a suposta oferta, e ele foi conduzido ao 1º Distrito Policial, na região da Sé. A ocorrência foi registrada como suspeita de corrupção ativa, e os materiais entregues à polícia deverão ser analisados para que seja verificado se houve efetivamente uma tentativa de obtenção de vantagem indevida.
A investigação deverá considerar, portanto, não apenas o conteúdo da gravação, mas também o histórico dos contatos entre Amanda e o suspeito. Segundo o depoimento, os primeiros encontros ocorreram em torno de projetos de segurança pública e apresentações de tecnologias, antes de o tema das câmeras corporais ganhar espaço nas conversas. Caso seja comprovado que uma vantagem financeira foi oferecida para influenciar uma decisão pública ou favorecer uma empresa em uma contratação, o episódio poderá ter consequências criminais e políticas para os envolvidos.
Câmeras corporais da GCM estão no centro da denúncia
O projeto envolvendo câmeras corporais é particularmente relevante porque está relacionado à segurança pública da maior cidade do país. Esses equipamentos podem registrar abordagens e ocorrências policiais, contribuindo para a produção de provas e para a fiscalização da atuação dos agentes, razão pela qual sua implantação envolve questões técnicas, administrativas, financeiras e de interesse público. No caso relatado pela vereadora, entretanto, a discussão passou a ser investigada sob a suspeita de que interesses privados poderiam ter sido colocados à frente dos procedimentos regulares de contratação.
Segundo informações divulgadas após a denúncia, a Prefeitura de São Paulo informou que a implementação das câmeras corporais na GCM ainda estava em estudo e que não havia contrato firmado para o serviço. Essa informação é importante porque, caso confirmada, demonstra que a investigação ocorre antes da formalização de um eventual negócio entre a administração municipal e uma empresa privada. Dessa maneira, caberá à polícia verificar se a suposta oferta tinha como objetivo antecipar ou influenciar decisões que ainda estavam sendo avaliadas pelo poder público.
A situação também coloca em evidência a importância dos mecanismos de controle em processos que envolvem contratos públicos. Em licitações, decisões devem ser tomadas segundo critérios previamente estabelecidos, com igualdade de condições entre os interessados e observância das normas administrativas, justamente para evitar favorecimentos. Por isso, se a denúncia for confirmada pelas provas, o episódio poderá levantar questionamentos sobre a atuação de intermediários que tentam utilizar relações políticas para obter vantagens em negócios com o Estado.
Denúncia gera repercussão na campanha presidencial de Renan Santos
O episódio ocorre em um momento importante para Renan Santos, que iniciou oficialmente sua campanha presidencial pelo Partido Missão em agosto. O candidato, que ganhou projeção nacional a partir de sua atuação no Movimento Brasil Livre, tenta ampliar sua presença eleitoral fora das redes sociais e apresentar uma candidatura competitiva em uma disputa marcada por nomes conhecidos do cenário nacional. Amanda Vettorazzo integra esse núcleo político como coordenadora de campanha e, por isso, a denúncia inevitavelmente acrescenta um novo elemento ao debate sobre a estrutura da candidatura.
Até o momento, contudo, não há indicação de que Renan Santos tenha participado da suposta negociação ou que a denúncia esteja relacionada diretamente às decisões da campanha presidencial. A própria natureza do caso exige cautela, pois a acusação ainda está sendo investigada e a versão apresentada pela vereadora precisará ser confrontada com os áudios, documentos, testemunhos e demais elementos que venham a ser reunidos pela Polícia Civil. Assim, embora a gravação possa representar uma peça importante para o esclarecimento dos fatos, somente a investigação poderá determinar se houve efetivamente uma tentativa de corrupção ativa e quais pessoas eventualmente deverão responder pelo episódio.





