Nikolas acusa Rubel de censurar vídeo contra Lula e chama cantor de ‘covarde’

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou uma série de críticas ao cantor Rubel nesta terça-feira, 20 de outubro, depois que um vídeo publicado em seu perfil no Instagram ficou sem áudio. O material reúne depoimentos de moradores do Nordeste que expressam dificuldades e críticas ao governo federal. Em postagens sucessivas ao longo da tarde e da noite, o parlamentar acusou o artista de ter solicitado a retirada do som por motivos políticos, classificando a postura como “covarde”. Importante destacar desde já: não há confirmação oficial de que Rubel tenha pedido a remoção do áudio. A acusação partiu exclusivamente do próprio deputado.
Segundo Nikolas Ferreira, o problema teria começado porque o vídeo utilizou um trecho da música Grão de Areia, interpretada por Rubel e Xande de Pilares com participação do sanfoneiro Mestrinho. O deputado afirma que o cantor teria solicitado à gravadora Sony que impedisse o uso da faixa em seu conteúdo, o que resultou na perda do áudio. “O Rubel está calando a voz de uma nordestina por divergência política comigo. Ainda dá tempo de autorizar o áudio no meu vídeo”, declarou o parlamentar em uma das publicações.
Ainda não foi possível confirmar de forma independente o que causou a indisponibilidade do áudio. Em casos como este, plataformas digitais costumam retirar automaticamente conteúdos que utilizam músicas protegidas por direitos autorais, independentemente de o artista ter feito ou não uma solicitação direta. A gravadora Sony também ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido. A coluna procurou a assessoria de imprensa de Rubel e aguarda retorno para apresentar também a versão do artista.
O vídeo em questão intitula-se “O Nordeste que foi esquecido” e traz depoimentos de moradores da região que relatam dificuldades financeiras, problemas de segurança pública e falta de acesso a medicamentos. As pessoas que aparecem na gravação também fazem críticas a promessas atribuídas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O conteúdo foi divulgado pelo deputado como parte das ações de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial no próximo domingo, 25 de outubro.
Nikolas Ferreira compartilhou ainda uma imagem que, segundo ele, mostraria mais de 110 milhões de visualizações, brincando que seria “o vídeo sem áudio mais visto do mundo”. O número, porém, foi divulgado pelo próprio parlamentar e não foi verificado de forma independente por veículos de comunicação ou pela própria plataforma. É importante que os leitores tenham cautela com números de alcance divulgados sem fonte oficial de confirmação, pois métricas de redes sociais podem variar conforme o critério de contagem adotado.
Este não é o primeiro episódio envolvendo conteúdos eleitorais publicados pelo deputado nesta campanha. Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro retirassem das redes sociais outro vídeo no qual crianças apareciam fazendo críticas ao presidente Lula. A decisão seguiu a legislação eleitoral que proíbe a participação de menores de idade em materiais de campanha eleitoral.
A disputa ilustra um dos desafios do debate político nas redes sociais: a linha entre direitos autorais e liberdade de expressão pode se tornar nebulosa, especialmente em período eleitoral. Por um lado, artistas detêm o direito sobre suas criações e podem autorizar ou não seu uso. Por outro, a população tem o direito de acompanhar fatos e versões com clareza, sem que acusações sem confirmação se transformem em verdade apresentada como definitiva. Aguardem-se os esclarecimentos das partes envolvidas antes de formar conclusões sobre o que, de fato, motivou a queda do áudio.





