No Fantástico do último domingo (1), Flávio Bolsonaro foi chamado de ‘candidato derrotado’

A cobertura da TV Globo sobre os acontecimentos políticos após o segundo turno das eleições presidenciais chamou a atenção por apresentar mudanças no tratamento dado a Flávio Bolsonaro (PL) e ao deputado federal André Janones (Rede-MG). Em análise publicada no Terra nesta segunda-feira, 2 de novembro, o colunista Jeff Benício apontou que a emissora passou a adotar uma postura mais crítica em relação ao senador derrotado e, ao mesmo tempo, deu amplo destaque à atuação de Janones na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto também levantou a possibilidade de o Grupo Globo tentar reconstruir sua relação com o presidente reeleito depois dos atritos registrados durante o período eleitoral.
Um dos principais elementos destacados pelo colunista foi a reportagem exibida pelo Fantástico sobre Flávio Bolsonaro, que recebeu aproximadamente 13 minutos de duração. Na apresentação, o senador foi identificado como candidato derrotado, enquanto a carta divulgada por ele após o resultado eleitoral foi descrita como tendo caráter golpista. A abordagem, segundo a análise, representou uma mudança perceptível em relação ao ambiente criado depois do encontro entre Flávio e o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, antes da sabatina realizada pela emissora em outubro.
A avaliação também considerou a maneira como a Globo tratou André Janones na mesma edição do Fantástico. O deputado recebeu uma reportagem de aproximadamente 14 minutos, com destaque para sua atuação nas redes sociais e para a criação do canal de WhatsApp Exército do Lula, que se tornou uma ferramenta de mobilização de apoiadores durante o segundo turno. Para Jeff Benício, o espaço dedicado ao parlamentar e a forma como sua participação foi apresentada deram a ele uma exposição semelhante à de uma celebridade, descrita no título como a de um popstar da eleição.
Globo passou a adotar discurso mais crítico sobre Flávio Bolsonaro
A reportagem do Fantástico não foi o único exemplo utilizado pelo colunista para sustentar sua interpretação sobre a mudança de postura da emissora. Benício também lembrou que, na abertura do Jornal Nacional de quarta-feira, 28 de outubro, o apresentador César Tralli classificou a carta divulgada por Flávio como um documento de tom golpista. A apresentação ainda ressaltou que o senador havia feito uma acusação de fraude no segundo turno sem apresentar provas que sustentassem a afirmação.
Na avaliação publicada no Terra, a sequência de manifestações do jornalismo da Globo indicou uma posição mais firme diante das atitudes do filho mais velho de Jair Bolsonaro após a derrota eleitoral. O colunista também mencionou os comentários feitos na GloboNews, onde analistas políticos criticaram a saída de Flávio do Brasil e a estratégia de questionar a credibilidade do processo eleitoral. Entre os comentaristas citados estava Merval Pereira, identificado no texto como um dos representantes de posições mais à direita entre os profissionais que participaram das análises.
A relação entre a emissora e Flávio havia ganhado repercussão em 16 de outubro, quando foi divulgado que o senador almoçou com João Roberto Marinho na sede do Grupo Globo, poucas horas antes de participar de uma sabatina na televisão. O encontro provocou questionamentos porque Lula não recebeu convite semelhante para uma reunião com o dirigente da empresa naquele momento. O episódio alimentou críticas de setores da imprensa e de usuários das redes sociais, que levantaram dúvidas sobre a igualdade de tratamento entre os candidatos.
Janones recebeu reportagem de destaque no Fantástico
Enquanto a cobertura sobre Flávio adotou um tom crítico, André Janones apareceu em uma reportagem de aproximadamente 14 minutos no Fantástico, conforme os dados apresentados pelo colunista. A matéria destacou a participação do deputado na mobilização digital que ajudou a campanha de Lula a ampliar sua presença nas redes sociais durante a disputa do segundo turno. O principal foco foi o Exército do Lula, canal de WhatsApp administrado pelo parlamentar e utilizado para distribuir conteúdos e organizar ações entre os apoiadores do presidente.
O canal ganhou visibilidade durante a reta final da campanha, especialmente pelas iniciativas de mobilização coordenadas por Janones. Entre as ações lembradas estavam a convocação de panelaços durante a sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo e os pedidos para que apoiadores publicassem fotografias usando a camisa da Seleção Brasileira e fazendo o gesto do L com a mão. A estratégia procurava associar símbolos nacionais à campanha petista e estimular a participação de eleitores nas redes sociais e em manifestações públicas.
A atuação do deputado também foi relacionada à vitória de Lula no segundo turno, em uma eleição na qual a campanha petista buscou ampliar sua capacidade de comunicação digital. A reportagem exibida pela Globo apresentou Janones como uma figura de destaque nesse processo, dando espaço à estrutura criada por ele e à mobilização de milhões de participantes pelo WhatsApp. A interpretação de que o parlamentar foi retratado como um popstar da eleição pertence ao colunista, que considerou expressivo o tempo dedicado a sua trajetória e à participação na campanha.
Emissora pode buscar reaproximação com o governo Lula
Outro ponto levantado por Jeff Benício foi a possibilidade de o Grupo Globo tentar reconstruir os canais de diálogo com Lula e integrantes de seu governo. O colunista mencionou a atuação de jornalistas da emissora que mantêm contato com integrantes do núcleo petista, citando a apresentadora Natuza Nery e o repórter Guilherme Balza. Na análise, essa movimentação poderia representar uma tentativa de restabelecer uma interlocução mais próxima com o grupo político que voltou ao centro do poder federal.
O texto também relacionou essa possibilidade a decisões e propostas do governo que afetam diretamente os interesses empresariais do Grupo Globo. Entre os exemplos citados estão a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6 por 1 e as medidas relacionadas às casas de apostas, que teriam impacto sobre a BetMGM Brasil, empresa mencionada pelo colunista. A avaliação de que a emissora pretende se aproximar novamente de Lula é uma interpretação apresentada na coluna, e não uma confirmação de que a empresa tenha anunciado oficialmente uma mudança de estratégia.





