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Novo mapa aprovado pela ONU reduz distorções que modificavam os tamanhos dos países

O Brasil passou a aparecer com proporções diferentes em um novo mapa-múndi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A mudança chamou atenção porque países da América Latina e da África ficaram visualmente maiores em comparação com representações tradicionais usadas há décadas. No caso brasileiro, porém, não houve aumento real do território, mas uma alteração na forma como o planeta é representado em uma superfície plana.

A ONU aprovou na sexta-feira (4) uma resolução que incentiva a utilização de mapas baseados em projeções capazes de representar com maior fidelidade as dimensões relativas das massas terrestres. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e um voto contrário, dos Estados Unidos. Entre as alternativas destacadas está a projeção Equal Earth, criada para reduzir distorções presentes em modelos tradicionais.

A principal diferença está na projeção de Mercator, utilizada amplamente desde o século XVI para representar o planeta. Esse modelo preserva características importantes para navegação, mas aumenta visualmente o tamanho de regiões próximas aos polos e reduz a percepção da dimensão de áreas próximas ao Equador. Por isso, países como Brasil e outros territórios da América Latina passam a ocupar uma proporção visual diferente quando são representados por uma projeção de áreas equivalentes.

Novo mapa da ONU muda a percepção sobre o tamanho do Brasil

A projeção Equal Earth procura preservar melhor a proporção das áreas dos continentes e países. Dessa maneira, regiões que aparecem reduzidas na projeção de Mercator ganham uma representação visual mais próxima de suas dimensões reais. O Brasil, por estar em grande parte localizado em latitudes relativamente baixas, também passa a ser percebido de maneira diferente nesse tipo de representação.

É importante destacar que o Brasil não ganhou nenhum quilômetro quadrado com a decisão da ONU. As fronteiras, a extensão territorial e a localização geográfica do país permanecem exatamente as mesmas, porque o que foi alterado é o método utilizado para transformar uma superfície tridimensional, a Terra, em uma representação bidimensional. Portanto, a impressão de que o país cresceu ocorre exclusivamente por causa da cartografia.

A distorção fica ainda mais evidente quando diferentes regiões do planeta são comparadas. Na projeção de Mercator, áreas próximas aos polos podem parecer muito maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas ao Equador acabam visualmente reduzidas. Em mapas de áreas equivalentes, essa diferença é corrigida de maneira significativa, permitindo uma comparação mais próxima das dimensões territoriais reais.

Projeção de Mercator será substituída gradualmente

A projeção de Mercator foi desenvolvida pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569 e se tornou uma das representações mais conhecidas do mundo. Sua principal vantagem está na preservação dos ângulos, característica especialmente útil para a navegação marítima, razão pela qual ela continuou sendo empregada mesmo apresentando distorções de tamanho. Por esse motivo, a resolução da ONU não significa que o modelo deixará de ter utilidade em todas as situações.

A proposta aprovada pela Assembleia Geral busca incentivar governos, instituições internacionais, escolas, editoras e empresas de tecnologia a considerar mapas que representem melhor as áreas territoriais. A recomendação foi apresentada pelo Togo e recebeu apoio da União Africana, que vinha defendendo uma representação cartográfica mais fiel às dimensões do continente africano. O objetivo declarado é reduzir distorções na percepção geográfica, especialmente em materiais educacionais e representações globais.

O novo modelo também muda a maneira como a América Latina é visualizada no mapa-múndi. Países localizados em regiões próximas ao Equador deixam de sofrer parte das reduções visuais provocadas pela projeção de Mercator. Assim, o Brasil aparece proporcionalmente mais próximo de sua dimensão territorial real quando comparado com outras partes do planeta.

Brasil fica maior apenas na representação cartográfica

A mudança aprovada pela ONU, portanto, não representa uma alteração nas fronteiras brasileiras nem uma expansão territorial. O país continuará ocupando a mesma área geográfica, mas poderá ser apresentado de maneira diferente em mapas utilizados por governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas. A diferença será percebida principalmente quando a nova representação for colocada lado a lado com o tradicional mapa de Mercator.

O caso brasileiro ajuda a explicar por que mapas não são fotografias perfeitas do planeta, mas representações produzidas a partir de diferentes técnicas matemáticas. Dependendo da projeção escolhida, determinados territórios podem parecer maiores, menores ou ter suas formas modificadas. Por isso, quando se diz que o Brasil “cresceu” no novo mapa aprovado pela ONU, trata-se de uma mudança na representação visual do território, e não de uma expansão real do país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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