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O que aconteceu antes do veto ao Master? Vorcaro revela bastidores de negociação com o BC

Não havia indícios de que fusão do Master com BRB fosse negada, diz Vorcaro

Não havia indícios de que o Banco Central rejeitaria a operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), segundo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026, Vorcaro afirmou ter sido surpreendido pela decisão da autoridade monetária que, em 3 de setembro de 2025, impediu a concretização do negócio. Segundo sua versão, embora existissem rumores e notícias sobre possíveis obstáculos, não teria sido apresentado um sinal concreto de que a operação seria recusada. Além disso, o ex-banqueiro declarou que o Master vinha implementando mudanças solicitadas pelo BC e, por esse motivo, acreditava que receberia autorização. A declaração é relevante porque a transação estava sendo discutida havia meses e poderia ter transferido ao BRB participação majoritária no capital total do Master. Entretanto, o relato representa a interpretação de Vorcaro sobre as negociações e não significa que a aprovação estivesse garantida.

Não havia indícios de que operação seria recusada, segundo Vorcaro

Durante o interrogatório, Vorcaro afirmou que as reuniões mantidas com integrantes do Banco Central eram direcionadas à resolução de problemas que poderiam impedir a aprovação da operação. Na avaliação apresentada pelo ex-banqueiro, as solicitações feitas pela autoridade monetária foram sendo atendidas e o modelo originalmente proposto chegou a passar por diferentes alterações. Dessa maneira, ele sustentou que a expectativa interna era favorável à conclusão do negócio. Contudo, existe uma diferença fundamental entre uma autoridade reguladora solicitar ajustes em determinada operação e assegurar previamente sua aprovação. O Banco Central precisa analisar aspectos prudenciais, financeiros e regulatórios antes de autorizar mudanças relevantes no controle de instituições financeiras. Portanto, ainda que modificações tenham sido negociadas e implementadas, isso não obrigava o regulador a conceder autorização final. A fusão acabou sendo rejeitada formalmente em 3 de setembro de 2025, depois de meses de tratativas entre as instituições envolvidas.

Vorcaro afirma que cúpula do Banco Central incentivava fusão

Outro ponto de forte repercussão no depoimento foi a afirmação de Vorcaro de que integrantes da cúpula do Banco Central demonstravam concordância e incentivo à conclusão do negócio. Ao responder sobre a postura de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-servidor do BC, o ex-banqueiro ampliou sua resposta e mencionou também o diretor Ailton Aquino e o presidente da instituição, Gabriel Galípolo. Segundo Vorcaro, as reuniões teriam sido conduzidas com o objetivo de organizar e solucionar pontos necessários para que a transação pudesse avançar. Entretanto, novamente, essa é a versão apresentada pelo ex-controlador do Master. Até a publicação das reportagens sobre o depoimento, Galípolo, Aquino e o Banco Central não haviam apresentado resposta ao Poder360 sobre essas declarações. A defesa de Paulo Sérgio, por outro lado, afirmou que ele era favorável a uma solução de mercado para o Master e declarou que a alternativa envolvendo o BRB recebeu apoio da diretoria do BC como tentativa de evitar a liquidação.

Negociação entre Master e BRB começou meses antes da rejeição

O negócio havia sido anunciado em março de 2025 e previa uma ampla aquisição de participação no Banco Master pelo BRB, instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal. Durante os meses seguintes, a proposta foi submetida ao processo regulatório e sofreu alterações enquanto era analisada. Paralelamente, porém, o BRB realizou operações financeiras com o Master antes mesmo de a aquisição ser autorizada. Posteriormente, essas relações se tornaram parte importante da crise enfrentada pelas duas instituições. Reportagens apontam que o banco público adquiriu aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master, valores que mais tarde tiveram de ser reconhecidos como prejuízo. Além disso, o Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Consequentemente, a decisão que barrou a operação deixou de ser apenas uma questão regulatória e passou a ser examinada também dentro de um contexto mais amplo sobre as relações financeiras mantidas entre Master e BRB.

“Não havia indícios de que” negócio seria barrado vira ponto da investigação

O depoimento de Vorcaro ocorreu dentro de uma investigação da Polícia Federal que apura a atuação de ex-servidores do Banco Central suspeitos de terem favorecido o Master em troca de vantagens financeiras. Por isso, as perguntas não estavam limitadas à decisão sobre a operação com o BRB. A PF busca esclarecer se informações privilegiadas teriam sido repassadas ao ex-banqueiro e se antigos integrantes do regulador prestaram algum tipo de consultoria informal enquanto possuíam acesso a dados relevantes. Vorcaro negou ter recebido informações privilegiadas e também rejeitou as suspeitas de corrupção envolvendo servidores do BC. Além disso, sua defesa afirmou, na ocasião do interrogatório, que havia sido assegurada ao ex-banqueiro a oportunidade de apresentar sua versão sobre os fatos investigados. Portanto, as declarações sobre o suposto apoio à fusão fazem parte de uma investigação mais abrangente e ainda precisam ser confrontadas com documentos, mensagens, depoimentos e outros elementos reunidos pelas autoridades.

Rejeição da operação ganhou novo significado após crise do Banco Master

A recusa do Banco Central ganhou importância adicional depois da liquidação do Master e dos prejuízos associados às operações realizadas com o BRB. Isso porque a tentativa de aquisição poderia ter alterado profundamente a estrutura societária e financeira das duas instituições. Além disso, o BRB é um banco controlado pelo poder público, o que amplia o interesse da sociedade sobre os riscos assumidos durante as negociações. Atualmente, o próprio banco de Brasília enfrenta dificuldades financeiras relacionadas ao caso Master, enquanto o Governo do Distrito Federal busca alternativas para reforçar sua situação patrimonial. Dessa forma, esclarecer o que ocorreu durante a análise da operação tornou-se relevante não apenas para as investigações sobre Vorcaro e antigos servidores do BC, mas também para compreender como foram tomadas decisões que afetaram uma instituição financeira pública. Ainda assim, prejuízos posteriores não demonstram automaticamente que autoridades conheciam antecipadamente todos os riscos que acabariam se materializando.

Não havia indícios de que fusão seria negada, mas versão ainda será confrontada

Por fim, a afirmação de que não havia indícios de que a operação seria recusada apresenta a perspectiva de Daniel Vorcaro sobre os meses de negociação que antecederam a decisão do Banco Central. Segundo ele, as mudanças exigidas pelo regulador eram implementadas e as reuniões transmitiam a impressão de que os problemas estavam sendo solucionados para permitir a aprovação. Entretanto, a decisão final foi exatamente a oposta e a aquisição acabou impedida em setembro de 2025. Agora, o depoimento deverá ser analisado dentro de um conjunto muito maior de evidências, sobretudo porque a Polícia Federal investiga possíveis relações impróprias entre integrantes do Master e ex-servidores da autoridade monetária. Vorcaro nega ter recebido informações privilegiadas, enquanto as suspeitas continuam sendo apuradas. Assim, mais importante do que concluir antecipadamente se houve incentivo ou favorecimento será verificar documentalmente quais orientações foram fornecidas, quais informações circularam entre os envolvidos e por quais razões técnicas e regulatórias a operação acabou sendo rejeitada.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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