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O que Trump realmente quer na Venezuela? Professor aponta interesse que estaria por trás do acordo

“Não escondeu de ninguém”, diz professor sobre interesse do EUA em petróleo

“Não escondeu de ninguém”, diz o professor de Política Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Paulo Velasco, ao analisar a estratégia do governo de Donald Trump para a Venezuela e o gigantesco acordo envolvendo as reservas de petróleo do país sul-americano. Durante participação no programa WW, o especialista avaliou que o principal interesse dos Estados Unidos estaria relacionado ao controle e ao acesso ao petróleo venezuelano, e não prioritariamente à realização de novas eleições. A interpretação ganhou força depois que Washington anunciou um acordo que concede à North American Blue Energy Partners (NABEP) direitos de exploração por 100 anos sobre 17 campos venezuelanos, que concentram aproximadamente 65 bilhões de barris em reservas comprovadas. Entretanto, o governo Trump apresenta uma versão diferente: segundo a Casa Branca, a recuperação da indústria petrolífera faz parte de um plano mais amplo de estabilização econômica, reconstrução e futura transição democrática na Venezuela.

“Não escondeu de ninguém”, diz professor ao analisar interesse americano

Na avaliação de Paulo Velasco, Trump adotou uma postura incomum ao apresentar publicamente o petróleo como elemento central de sua estratégia para a Venezuela. Segundo o professor, outros presidentes americanos poderiam evitar uma exposição tão direta dos interesses econômicos envolvidos em uma negociação internacional dessa dimensão. A própria Casa Branca anunciou que o acordo garantirá aos Estados Unidos participação econômica, direitos de governança e acesso privilegiado à produção dos campos incluídos no projeto. Além disso, o governo americano afirma que milhões de barris adicionais poderão ser processados em refinarias dos Estados Unidos. Portanto, embora a interpretação de Velasco sobre as motivações políticas seja uma análise, o componente energético do acordo está formalmente reconhecido por Washington. Ao mesmo tempo, o governo Trump argumenta que ampliar investimentos e produção é necessário para recuperar a economia venezuelana antes de uma transição política mais ampla.

Acordo garante concessões petrolíferas por período de 100 anos

Um dos pontos mais controversos é justamente sua duração. As autoridades interinas venezuelanas concederam à NABEP direitos sobre 17 campos de petróleo pelo período de 100 anos. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, essas áreas possuem aproximadamente 65 bilhões de barris em reservas comprovadas. Além disso, o governo americano terá participação de 35% na empresa controladora da companhia e direito a uma parcela da produção, além de condições preferenciais para adquirir petróleo adicional. Dessa maneira, “não escondeu de ninguém”, diz Velasco ao argumentar que a dimensão energética está no centro da política americana para Caracas. Para o professor, um compromisso de duração tão extensa possui fragilidades políticas e poderá ser questionado futuramente caso ocorra uma mudança de governo ou de orientação política na Venezuela. Portanto, a estabilidade jurídica das concessões será essencial para determinar se investidores estarão dispostos a comprometer grandes volumes de recursos no país.

Investimentos podem chegar a US$ 100 bilhões na Venezuela

O plano apresentado pela NABEP prevê investimentos que podem alcançar US$ 100 bilhões na recuperação e expansão da infraestrutura petrolífera venezuelana. O valor é relevante porque a indústria do país necessita de modernização após anos de redução de investimentos, problemas operacionais, sanções internacionais e instabilidade econômica. Além disso, outras grandes companhias começam a ampliar sua presença no mercado venezuelano. Entretanto, Paulo Velasco chama atenção para o risco jurídico: investidores normalmente analisam não apenas o tamanho das reservas disponíveis, mas também a estabilidade dos contratos, as garantias contra mudanças regulatórias e a possibilidade de recorrer à arbitragem internacional. Consequentemente, concessões de longo prazo podem parecer atraentes financeiramente, porém também exigem segurança institucional. A Casa Branca sustenta que o contrato da NABEP será submetido à legislação americana e contará com auditorias e mecanismos de governança, medidas que, segundo Washington, foram estabelecidas justamente para oferecer maior previsibilidade ao empreendimento.

“Não escondeu de ninguém”, diz professor sobre estratégia envolvendo petróleo

Outro ponto levantado por Velasco envolve Alejandro Betancourt, empresário venezuelano que controla a NABEP e se tornou personagem central do novo arranjo energético. O empresário já foi objeto de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro em países europeus, incluindo Espanha e Suíça. Entretanto, a existência dessas investigações não equivale a uma condenação, e reportagens recentes ressaltam que Betancourt não foi formalmente acusado nos Estados Unidos no contexto do novo acordo. Ainda assim, seu histórico amplia o escrutínio sobre a estrutura empresarial escolhida para administrar ativos estratégicos da Venezuela. Washington, por sua vez, apresenta a NABEP como uma companhia com experiência operacional e capacidade para elevar a produção. Portanto, o debate envolve duas questões diferentes: de um lado, a capacidade técnica e financeira da empresa; de outro, as dúvidas políticas e jurídicas sobre a concentração de uma parcela tão significativa das reservas venezuelanas em um acordo apoiado diretamente pelo governo americano.

Petróleo venezuelano também entra no cálculo eleitoral de Donald Trump

Além da política externa, existe uma dimensão doméstica importante. Trump vem defendendo que o aumento da oferta de petróleo venezuelano poderá contribuir para reduzir os preços dos combustíveis pagos pelos consumidores americanos. Essa promessa possui peso eleitoral porque os Estados Unidos se aproximam das eleições legislativas de novembro enquanto os preços da energia permanecem pressionados, entre outros fatores, pelo conflito com o Irã. Entretanto, especialistas alertam que ampliar substancialmente a produção venezuelana exige investimentos, recuperação de instalações e tempo, o que limita a possibilidade de efeitos imediatos sobre os preços. Ainda assim, politicamente, o acordo permite que Trump apresente aos eleitores uma estratégia para ampliar a segurança energética americana. Consequentemente, Venezuela, petróleo e inflação acabam conectados ao debate eleitoral interno dos Estados Unidos, enquanto Caracas busca investimentos capazes de recuperar um setor fundamental para sua própria economia.

“Não escondeu de ninguém”, diz professor, mas futuro do acordo permanece incerto

Por fim, “não escondeu de ninguém”, diz Paulo Velasco ao sustentar que Donald Trump tornou explícito o peso do petróleo na relação atual entre Estados Unidos e Venezuela. Entretanto, reduzir toda a estratégia americana exclusivamente a esse objetivo seria apresentar como fato aquilo que permanece parcialmente no campo da interpretação política. Oficialmente, a Casa Branca afirma que o projeto busca simultaneamente ampliar a segurança energética americana, reconstruir a economia venezuelana e criar condições para uma futura transição democrática. Já críticos questionam se um acordo de 100 anos, com forte participação dos Estados Unidos e direitos sobre dezenas de bilhões de barris, poderá sobreviver a futuras mudanças políticas em Caracas. Assim, a verdadeira durabilidade do arranjo dependerá da segurança jurídica, dos investimentos prometidos, da evolução política venezuelana e dos resultados econômicos. O petróleo, contudo, está indiscutivelmente no centro da nova aproximação entre Washington e Caracas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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