Os candidatos à Presidência que não conseguiram avançar para o 2º turno já começaram a se posicionar

Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado começaram a definir seus posicionamentos diante do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Os quatro candidatos ficaram pelo caminho no primeiro turno e adotaram estratégias diferentes diante da disputa que será encerrada em 25 de outubro. Enquanto alguns decidiram não apoiar nenhum dos dois finalistas, Zema declarou oposição ao PT e Caiado condicionou sua posição a uma conversa dentro do PSD.
A definição ganhou importância depois que o resultado oficial confirmou uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com 99,99% das urnas totalizadas, Flávio registrava 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de 1,87 ponto percentual. O resultado levou os dois candidatos para a segunda etapa da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro.
Os posicionamentos dos quatro candidatos derrotados não significaram, porém, uma transferência automática de seus eleitores para qualquer um dos finalistas. Cada político apresentou uma estratégia própria, com diferenças importantes entre neutralidade, oposição ao PT e discussão interna nos partidos. Dessa forma, o cenário passou a ser acompanhado também pelas declarações daqueles que disputaram o primeiro turno.
Augusto Cury mantém neutralidade no segundo turno
Terceiro colocado no primeiro turno, Augusto Cury afirmou que não declararia apoio nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro. O candidato do Avante disse que pretende se silenciar completamente sobre a disputa e colocou as propostas apresentadas durante sua campanha à disposição de quem vencer a eleição. Cury também afirmou que espera que o próximo presidente considere projetos defendidos por sua candidatura.
O escritor também determinou que seu nome e o de seu candidato a vice não fossem utilizados para anunciar uma eventual adesão a qualquer uma das campanhas. A posição representa uma tentativa de manter distância dos dois grupos que avançaram para a segunda etapa da eleição. Durante a campanha, Cury havia feito críticas tanto a Lula quanto a Flávio e defendido uma proposta de pacificação do ambiente político brasileiro.
Antes mesmo do resultado, Cury havia criticado a polarização e afirmado que o ambiente político brasileiro havia se tornado excessivamente hostil. Depois da apuração, voltou a defender a necessidade de pacificação e declarou preocupação com o futuro das instituições democráticas. Assim, sua decisão para o segundo turno foi apresentada como uma continuidade do posicionamento adotado durante a campanha.
Renan Santos libera eleitores para escolher
Quarto colocado no primeiro turno, Renan Santos também decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos que avançaram para a segunda etapa. O candidato do Missão afirmou que não faria campanha para Lula, Flávio Bolsonaro ou mesmo pelo voto nulo, deixando seus apoiadores livres para decidir como agir. Ao anunciar sua posição, Renan também declarou que pretende continuar trabalhando na construção do partido para as próximas eleições.
Renan fez críticas aos dois candidatos que permaneceram na disputa e classificou a eleição de 2026 de maneira negativa durante uma transmissão pelas redes sociais. Em relação a Flávio, o empresário afirmou que a campanha do senador estaria concentrada principalmente na oposição ao presidente Lula. Apesar disso, sua declaração de que não faria campanha por nenhum dos finalistas foi mantida após a divulgação do resultado.
A posição de Renan também se diferenciou de uma eventual orientação partidária para seus eleitores. Em vez de indicar um nome ou pedir voto nulo, ele afirmou que cada apoiador poderia tomar sua própria decisão no segundo turno. Com isso, o Missão deverá continuar sua organização política independentemente da escolha feita individualmente por seus eleitores em 25 de outubro.
Zema declara oposição ao PT
Romeu Zema adotou uma postura diferente dos outros três candidatos derrotados. Em pronunciamento realizado após o primeiro turno, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que estará contra o PT onde o partido estiver no segundo turno. Zema, no entanto, não citou nominalmente Flávio Bolsonaro em sua declaração.
A manifestação representou uma indicação política mais clara, embora não tenha sido apresentada formalmente como um pedido de voto no candidato do PL. Zema também aproveitou o pronunciamento para comemorar o desempenho do Novo nas eleições de 2026. Entre os pontos destacados pelo político esteve o cumprimento da cláusula de barreira pela legenda, considerada uma prioridade para a continuidade do partido.
O posicionamento de Zema ocorreu em um cenário no qual pesquisas anteriores ao primeiro turno haviam mostrado diferentes comportamentos dos eleitores dos quatro candidatos diante de uma eventual disputa entre Lula e Flávio. Um levantamento do Datafolha realizado em setembro indicou que, entre os eleitores de Zema, Renan Santos, Caiado e Cury, Flávio concentrava 43% das intenções para o segundo turno, enquanto Lula tinha 30%, mas a pesquisa também registrava parcela de votos brancos, nulos ou nenhum candidato.
Caiado aguarda decisão dentro do PSD
Ronaldo Caiado, por sua vez, não anunciou imediatamente apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás afirmou que precisaria conversar com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, antes de apresentar uma posição sobre o segundo turno. Segundo Caiado, uma manifestação sem essa conversa não seria adequada naquele momento.
Posteriormente, a direção nacional do PSD decidiu não apoiar oficialmente nenhum dos dois candidatos. A legenda liberou seus filiados para que escolhessem quem apoiar na segunda etapa da eleição, mantendo autonomia para as representações estaduais construírem seus próprios entendimentos. A decisão partidária, portanto, não equivaleu a uma declaração pessoal de voto de Caiado em Lula ou Flávio.
Com as posições apresentadas até agora, Cury e Renan optaram pela neutralidade, Zema declarou oposição ao PT e Caiado ficou diante de uma decisão partidária de neutralidade do PSD. As manifestações encerraram uma primeira rodada de definições entre os principais candidatos derrotados e deixaram em aberto como seus eleitores irão se comportar na segunda etapa. A campanha de Lula e Flávio Bolsonaro agora entra em uma nova fase, com o segundo turno marcado para 25 de outubro.





