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Países da América Latina formaram uma aliança liderada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

O chamado Escudo das Américas reuniu os Estados Unidos e governos latino-americanos em uma iniciativa de cooperação voltada ao combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Criada por iniciativa do presidente Donald Trump em março de 2026, a coalizão anunciou nesta semana uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelo grupo como narcoterroristas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O Brasil não integra a aliança.

A declaração conjunta foi divulgada em 22 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Entre as medidas previstas estão congelamento de ativos, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que fornecerem conscientemente apoio material ou logístico às organizações citadas. As ações deverão ser aplicadas de acordo com as leis e obrigações internacionais de cada país participante.

A formação do bloco ocorreu em meio à tentativa do governo Trump de ampliar a cooperação regional em segurança. A iniciativa prevê compartilhamento de inteligência e ações coordenadas contra redes criminosas e organizações ligadas ao narcotráfico. Durante seu discurso na ONU, Trump voltou a defender uma atuação mais dura dos Estados Unidos contra cartéis e grupos que considera ameaças à segurança do continente.

Países que integram o Escudo das Américas

A composição divulgada atualmente reúne Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. A relação mostra a participação de governos de diferentes partes da América Latina e do Caribe na iniciativa liderada por Washington. A Colômbia passou a integrar a coalizão posteriormente, após uma mudança de governo no país.

Embora a coalizão tenha 15 países, a declaração específica sobre as sanções contra as organizações criminosas teve a assinatura de 15 governos, incluindo os Estados Unidos. O documento foi apresentado como uma primeira ação coordenada entre os participantes contra grupos considerados ameaças compartilhadas à segurança regional. Entre os alvos estão organizações atuantes no Brasil, no México, no Caribe e em outros países latino-americanos.

Argentina e outros governos que mantêm aproximação com a política externa de Trump passaram a ocupar posição de destaque na articulação. O presidente argentino Javier Milei foi apontado como um dos principais aliados de Trump na iniciativa regional. A coalizão, entretanto, não reúne todos os governos do continente, e Brasil e México ficaram fora do grupo.

PCC e Comando Vermelho estão entre os alvos

A declaração assinada pelos países participantes incluiu o PCC e o Comando Vermelho entre as 24 organizações classificadas como narcoterroristas pelo documento. A relação também inclui grupos como o Clã do Golfo, ELN, dissidências das FARC, Los Choneros e Sendero Luminoso. A medida representa uma tentativa de coordenar respostas financeiras, migratórias e criminais contra essas organizações.

Entre as providências anunciadas estão o congelamento de bens e ativos relacionados aos grupos e a possibilidade de impor restrições de vistos e imigração a integrantes, associados e apoiadores. Também está prevista responsabilização criminal para pessoas que conscientemente forneçam apoio material ou logístico às organizações. A aplicação dessas medidas dependerá das legislações internas dos países que aderiram à declaração.

A classificação adotada pelo bloco não altera automaticamente a legislação brasileira. No Brasil, a legislação sobre terrorismo possui critérios específicos e não utiliza atualmente a categoria de “narcoterrorismo” para enquadrar organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Por isso, uma eventual adoção de classificação semelhante pelo país dependeria de mudanças no ordenamento jurídico nacional.

Brasil fica fora da coalizão liderada pelos Estados Unidos

O governo brasileiro não participou da formação do Escudo das Américas e não integra a coalizão atualmente. O México também ficou fora da iniciativa, que passou a concentrar governos interessados em uma cooperação mais próxima com Washington na área de segurança. A ausência dos dois países deixa de fora da aliança algumas das maiores economias e populações da América Latina.

A iniciativa ocorre em um momento de maior atenção dos Estados Unidos ao combate ao narcotráfico no Hemisfério Ocidental. O governo Trump tem defendido uma atuação mais coordenada contra organizações criminosas e ampliado a cooperação militar e de inteligência com governos da região. Em agosto, o Comando Sul anunciou uma força conjunta com aliados latino-americanos para sincronizar capacidades militares e pressionar redes consideradas ameaças à segurança regional.

O Escudo das Américas, portanto, passou a reunir uma parcela dos governos da região em torno de uma estratégia comum de combate ao crime organizado. A declaração contra 24 organizações representa a primeira medida conjunta de grande alcance anunciada pela coalizão e inclui diretamente duas das principais facções criminosas brasileiras. O desenvolvimento da iniciativa deverá depender da implementação das medidas por cada país e das diferenças entre suas respectivas legislações.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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