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Pedro Alliana assumiu a presidência do Paraguai após o impeachment de Santiago Peña

O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, anunciou que pretende reduzir os gastos públicos e promover mudanças na administração federal após assumir o comando do país em meio a uma das maiores crises políticas e financeiras dos últimos anos. A chegada do novo chefe do Executivo ocorreu na sexta-feira (6), depois que Santiago Peña foi afastado pelo Senado em um processo de impeachment relacionado aos desdobramentos da liquidação do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras paraguaias. Em seu primeiro pronunciamento, Alliana apresentou uma agenda de contenção de despesas, assistência aos prejudicados pela crise bancária e cobrança de resultados dos integrantes de sua equipe.

Uma das principais medidas anunciadas pelo novo presidente é o encaminhamento de um projeto ao Congresso Nacional para racionalizar os gastos do governo e eliminar despesas consideradas supérfluas. Segundo Alliana, os recursos economizados deverão ser direcionados às necessidades mais urgentes da população, especialmente pessoas desempregadas, pacientes que aguardam atendimento médico e idosos em situação de vulnerabilidade. A proposta representa uma tentativa de reorganizar as prioridades da administração paraguaia justamente quando o país enfrenta questionamentos sobre a utilização de recursos públicos e a relação entre autoridades políticas e instituições financeiras privadas.

Além do corte de despesas, Alliana assumiu o compromisso de garantir o ressarcimento dos clientes prejudicados pela liquidação do Ueno Bank, instituição que concentrava milhões de correntistas e administrava recursos de diferentes setores da economia. Durante a cerimônia de posse, realizada no Congresso Nacional, em Assunção, o presidente determinou que as autoridades responsáveis adotassem providências imediatas para devolver o dinheiro aos poupadores, com prioridade para aqueles de menor renda. “Não os deixaremos sozinhos”, afirmou, acrescentando que espera resultados concretos das equipes encarregadas de solucionar o problema.

Novo presidente do Paraguai anuncia corte de gastos e cobra resultados dos ministros

Ao apresentar suas primeiras medidas, Pedro Alliana deixou claro que pretende estabelecer uma administração orientada pela redução de despesas desnecessárias e pela cobrança de eficiência dos integrantes do governo. O presidente anunciou que encaminhará ao Congresso um projeto de racionalização dos gastos públicos, com a finalidade de identificar despesas que possam ser eliminadas sem comprometer os serviços essenciais oferecidos à população. A intenção é direcionar os recursos disponíveis para áreas consideradas prioritárias, evitando que o dinheiro público seja consumido por estruturas administrativas e compromissos que não produzam benefícios concretos para os paraguaios.

A cobrança por resultados também foi direcionada diretamente aos ministros e demais integrantes da administração, que deverão apresentar um balanço diário das atividades realizadas. Durante o discurso, Alliana declarou: “Por isso exijo aos ministros e ministras que, ao final de cada dia, me prestem contas das ações de mudança que produziram em cada jornada, sem desculpas e com resultados concretos”. A determinação estabelece uma rotina de acompanhamento das decisões administrativas e demonstra que o novo presidente pretende atribuir responsabilidades individuais aos integrantes de sua equipe, especialmente durante o período de reorganização provocado pela crise política.

Outra orientação anunciada envolve a restrição das viagens internacionais de integrantes do governo, que deverão ocorrer somente quando forem consideradas indispensáveis. Alliana pretende concentrar a atuação das autoridades dentro do território paraguaio, priorizando o atendimento às demandas internas e o acompanhamento das medidas destinadas a recuperar a confiança da população. A iniciativa integra o pacote de redução de despesas e procura transmitir uma mensagem de contenção administrativa em um momento no qual o governo precisa demonstrar capacidade de resposta diante dos problemas econômicos e financeiros.

Caso Ueno Bank provoca crise política e mudança na Presidência do Paraguai

A chegada de Alliana ao poder está diretamente relacionada à crise provocada pela liquidação do Ueno Bank, determinada pelo Banco Central do Paraguai depois da identificação de problemas nos indicadores de solvência da instituição. O banco digital, pertencente ao Grupo Vázquez, possuía aproximadamente 2,9 milhões de correntistas e desempenhava papel importante no sistema financeiro nacional, incluindo operações relacionadas a recursos públicos e pagamentos de benefícios. A situação se agravou quando os depósitos foram bloqueados, provocando preocupação entre consumidores, aposentados, comerciantes e empresas que dependiam dos serviços oferecidos pela instituição.

O episódio atingiu diretamente Santiago Peña porque o então presidente havia sido acionista do grupo empresarial controlador do banco até março de 2025, circunstância que alimentou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses e a fiscalização da instituição financeira. A oposição passou a cobrar explicações sobre a relação entre o governo, o banco e os investimentos realizados por entidades públicas, enquanto as autoridades financeiras enfrentavam a necessidade de organizar a devolução dos recursos aos clientes. Em meio à pressão política, Peña foi afastado pelo Senado em 6 de novembro, e seu vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do Executivo até o término do mandato, previsto para agosto de 2028.

A crise também provocou mudanças dentro das próprias instituições responsáveis pela fiscalização financeira, incluindo a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia ocupado anteriormente um cargo de direção no Ueno Bank. Além disso, investigações passaram a alcançar antigos executivos da instituição e outras pessoas relacionadas ao episódio, enquanto manifestações públicas cobravam esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos. Peña negou irregularidades, mas a crise abalou a confiança nas autoridades e transformou um problema bancário em uma questão política de grandes proporções, exigindo respostas rápidas do novo governo.

Pedro Alliana promete ressarcir poupadores e recuperar confiança no Paraguai

Durante seu pronunciamento, Alliana afirmou que os clientes prejudicados pela liquidação do Ueno Bank serão integralmente compensados e determinou prioridade para os poupadores com menores recursos financeiros. “Ordeno que se tomem ações imediatas para ressarcir os poupadores, com preferência pelos menos favorecidos. Não quero ninguém hesitante à frente desta missão; quero resultados”, declarou. Os pagamentos começaram a ser realizados pelo Banco Central em etapas, e a nova administração também anunciou medidas para garantir que aposentados que recebiam benefícios por meio da instituição possam continuar recebendo seus recursos.

O novo presidente também colocou a saúde pública e a proteção social entre as prioridades de sua gestão, mencionando a necessidade de ampliar o acesso a medicamentos e melhorar o atendimento hospitalar. Ao mesmo tempo, o compromisso de cortar gastos públicos e exigir prestação de contas diária dos ministros indica que a administração pretende associar a reorganização financeira a mudanças no funcionamento do Estado. O desafio de Alliana será recuperar a confiança dos paraguaios, assegurar os recursos dos poupadores e demonstrar que as medidas anunciadas produzirão resultados concretos em um país que enfrenta consequências econômicas e políticas de uma crise bancária de grandes proporções.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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