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Supremo costuma eleger para a presidência o ministro mais antigo que ainda não esteve no cargo

Alexandre de Moraes deverá assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal no segundo semestre de 2027, conforme o sistema tradicional de sucessão adotado pela Corte. Atualmente, o ministro ocupa a vice-presidência do STF e deverá suceder Edson Fachin, que assumiu o comando do tribunal em setembro de 2025. A previsão ganhou importância especial neste momento, porque o nome de Moraes está envolvido em uma crise institucional relacionada às investigações sobre o Banco Master.

A escolha da presidência do Supremo é formalizada por votação secreta entre os 11 ministros, mas existe uma tradição consolidada baseada na antiguidade dos integrantes que ainda não ocuparam o cargo. Moraes tomou posse como ministro em 2017 e, até agora, nunca presidiu a Corte, sendo o mais antigo entre os ministros que ainda não exerceram essa função. Depois dele aparecem Nunes Marques, que chegou ao tribunal em 2020, André Mendonça, em 2021, Cristiano Zanin, em 2023, e Flávio Dino, em 2024.

A mudança está prevista para setembro de 2027, quando deverá terminar o mandato de Fachin, e Moraes deverá permanecer na presidência até setembro de 2029. Durante esse período, o ministro terá responsabilidades administrativas e institucionais relevantes, incluindo a condução das sessões plenárias e a representação do Supremo perante outros Poderes e instituições. Entretanto, a perspectiva de sua chegada ao comando da Corte passou a ser observada com atenção diante das controvérsias recentes envolvendo seu relacionamento com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Alexandre de Moraes e o caminho para a presidência do STF

A chegada de Alexandre de Moraes à presidência do STF segue uma lógica que tradicionalmente reduz a disputa política interna pela sucessão. Embora uma votação seja realizada pelos ministros, o critério de antiguidade costuma determinar quem será escolhido para o cargo, desde que o integrante ainda não tenha ocupado a presidência. Dessa forma, a eleição de Fachin para o biênio 2025-2027 já havia colocado Moraes como principal nome para assumir a direção da Corte no período seguinte.

Nesse contexto, a condição de vice-presidente reforçou ainda mais a possibilidade de Moraes assumir definitivamente o comando do tribunal. O ministro já exerceu a presidência de maneira temporária durante períodos de ausência de Fachin, inclusive durante recessos do Judiciário, justamente por ocupar a vice-presidência. Essas experiências permitiram que ele conduzisse provisoriamente os trabalhos da Corte, embora a presidência definitiva represente uma responsabilidade institucional muito maior.

O presidente do Supremo possui atribuições que vão muito além da condução formal das sessões, pois cabe a ele organizar os trabalhos do tribunal e definir a pauta de julgamentos. Ainda assim, o presidente não pode determinar sozinho o resultado de uma ação, já que as decisões continuam sendo tomadas de maneira colegiada pelos ministros. Portanto, a função proporciona influência sobre a organização dos trabalhos, mas não permite que Moraes altere individualmente os votos dos demais integrantes da Corte.

Crise envolvendo Moraes pode influenciar sucessão no STF

A perspectiva de Alexandre de Moraes assumir a presidência em 2027 passou a ganhar contornos mais delicados depois da divulgação de informações relacionadas às investigações sobre o Banco Master. Documentos da Polícia Federal obtidos a partir da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro revelaram contatos entre o empresário e o ministro, além de referências a pessoas próximas a Moraes. O material foi divulgado depois que parte do sigilo da investigação foi retirado por determinação do ministro André Mendonça.

A divulgação dos documentos provocou uma reação institucional dentro do próprio Supremo, principalmente porque a investigação envolve um integrante da Corte que poderá assumir sua presidência no ano seguinte. Edson Fachin afirmou, diante da repercussão do caso, que o momento vivido pelo tribunal era de especial gravidade e defendeu que os fatos fossem encaminhados de maneira institucional. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República questionou aspectos da condução da investigação por Mendonça e pediu a nulidade de uma ordem relacionada a Moraes.

Ao mesmo tempo, surgiram informações de que integrantes do STF estariam avaliando os impactos da crise sobre a futura presidência de Moraes. Reportagens publicadas nos últimos dias apontaram que alguns ministros passaram a discutir a possibilidade de convencê-lo a abrir mão da sucessão, embora não exista confirmação de uma decisão nesse sentido. Por enquanto, portanto, a previsão formal continua sendo a de que Moraes sucederá Fachin, enquanto eventuais mudanças dependerão de acontecimentos políticos e institucionais até 2027.

O que muda se Moraes assumir o comando do Supremo

Caso a sucessão ocorra conforme o calendário previsto, Alexandre de Moraes comandará o STF entre setembro de 2027 e setembro de 2029, período que poderá coincidir com um cenário político de grande relevância no país. O presidente da Corte será responsável por dirigir as sessões plenárias, organizar os trabalhos internos e representar institucionalmente o Supremo perante o Executivo, o Legislativo e outros tribunais. Também caberá ao presidente do STF exercer a presidência do Conselho Nacional de Justiça, ampliando a dimensão institucional do cargo.

Por isso, a eventual chegada de Moraes ao comando do Supremo será acompanhada de perto, principalmente diante das controvérsias que envolvem sua atuação e das discussões recentes relacionadas ao Banco Master. A sucessão, contudo, ainda está prevista dentro das regras tradicionais da Corte e não há, neste momento, uma mudança formal que retire o ministro da condição de principal sucessor de Fachin. Assim, o cenário poderá sofrer alterações até setembro de 2027, mas a previsão atual permanece sendo a de que Alexandre de Moraes assumirá a presidência do STF.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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