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PF aponta Mário Frias como líder de esquema que desviou verbas para cinebiografia de Jair Bolsonaro

A Polícia Civil de São Paulo, em investigação cujo sigilo foi levantado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, indica o deputado federal Mário Frias como figura de liderança numa organização suspeita de desviar recursos públicos para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na decisão que autorizou o acesso aos autos, Dino registrou que os elementos coligidos sugerem que o parlamentar teria ocupado posição central na estrutura responsável por captar, movimentar e ocultar valores destinados à obra cinematográfica. Frias, por sua vez, negou publicamente as acusações e sustentou não haver qualquer recurso público aplicado na produção.

O cerne das apurações recai sobre a atuação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up!. Segundo os investigadores, a instituição teria recebido R$ 26 milhões da Prefeitura de São Paulo mediante contrato de instalação de pontos de acesso à internet sem fio, sem que houvesse comprovação adequada dos serviços prestados. O fluxo apontado seria o seguinte: os valores eram repassados a empresas subcontratadas e posteriormente retornavam à produtora, sendo direcionados em parte ao financiamento do longa-metragem. Recursos provenientes de emendas parlamentares também aparecem no levantamento.

A gestão municipal apresentou versão distinta dos fatos. Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo informou não ter identificado irregularidades no contrato firmado e acrescentou que os equipamentos de rede instalados seguem em funcionamento. Já a defesa de Karina Gama divulgou posicionamento no qual afirma que a empresária não praticou qualquer ato contrário à lei e que todos os procedimentos foram realizados dentro dos marcos legais. A divergência entre as versões reforça a necessidade de aprofundamento das diligências para esclarecer a destinação exata dos recursos.

Outro ponto que chama a atenção no processo é a suspeita de violação de provas. Documentos entregues à autoridade policial referentes a 27 dispositivos eletrônicos apresentariam indícios de alteração, o que pode indicar tentativa de interferir na investigação. A constatação eleva a gravidade dos fatos, pois a eventual adulteração de materiais recolhidos pode configurar conduta própria e adicional, sujeita a apuração específica. A perícia técnica deverá determinar se os equipamentos foram de fato manipulados e em que medida isso afeta a integridade dos dados.

Nas redes sociais, o deputado Mário Frias reagiu prontamente às revelações e rejeitou qualquer participação em esquema de desvio de verbas. “Não existe um real de recurso público aplicado no filme”, declarou. A manifestação busca afastar a responsabilidade do parlamentar e apresentar a produção como iniciativa de caráter privado, sem vínculo com verbas do erário. Cabe agora à investigação confrontar a afirmação com os registros de movimentação financeira e os indícios de circulação de valores entre as entidades citadas nos autos.

O caso ganha relevância não apenas pelos valores envolvidos, mas pelo contexto em que se insere, em período de intensa movimentação política e eleitoral. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que os fatos sejam esclarecidos com celeridade e transparência. O confronto entre as diferentes versões, a análise dos fluxos financeiros e a verificação da integridade das provas serão determinantes para que a Justiça possa chegar a conclusões sólidas sobre a existência e a extensão de eventuais irregularidades.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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