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PF diz que fundo Havengate receberia mais de R$ 120 milhões de Vorcaro

A Polícia Federal identificou elementos que indicam que Eduardo Bolsonaro teria participado diretamente das orientações sobre a gestão de recursos relacionados ao filme “Dark Horse” nos Estados Unidos. A apuração examina mensagens e documentos que apontam para sua atuação nas discussões sobre o destino de valores destinados ao financiamento da produção. O material passou a ser analisado dentro do inquérito que investiga a movimentação financeira ligada ao longa-metragem.

Segundo os elementos reunidos pela investigação, Eduardo teria orientado como os recursos deveriam ser encaminhados e administrados em território americano. As informações envolvem o fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, que aparece relacionado a pessoas próximas ao ex-deputado. A PF também procura esclarecer se parte do dinheiro destinado ao filme foi utilizada para outras finalidades.

A apuração ganhou importância porque o dinheiro havia sido negociado com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro teria tratado diretamente com Vorcaro sobre um financiamento de até US$ 24 milhões, enquanto os registros identificados pelas autoridades apontam para pelo menos US$ 12,3 milhões em transferências. A partir desses valores, os investigadores passaram a rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro até chegar às estruturas localizadas nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro aparece nas tratativas sobre o dinheiro de Dark Horse

Entre os documentos analisados estão mensagens nas quais Eduardo Bolsonaro teria discutido alternativas para facilitar a transferência dos recursos para os Estados Unidos. Em uma dessas conversas, ele teria demonstrado preocupação com a forma e a velocidade das remessas, sugerindo que uma parcela maior fosse enviada enquanto determinada estrutura financeira ainda estivesse em funcionamento. A PF passou a considerar essas mensagens relevantes para compreender o papel desempenhado pelo ex-deputado na administração dos recursos.

O fundo Havengate aparece como uma das estruturas utilizadas para receber valores relacionados ao financiamento do filme. Registros societários apontam vínculos entre a estrutura americana e pessoas próximas a Eduardo, entre elas o advogado Paulo Calixto e Altieris Santana. A investigação busca estabelecer se essas pessoas apenas prestavam serviços administrativos ou se tinham participação efetiva nas decisões sobre os recursos.

A existência dessas estruturas também levou os investigadores a analisar a possibilidade de que os recursos tenham sido movimentados de maneira diferente daquela inicialmente apresentada. Uma das dúvidas é se o dinheiro encaminhado aos Estados Unidos permaneceu exclusivamente vinculado aos custos de “Dark Horse”. Outra questão envolve eventual utilização dos valores para despesas ou atividades relacionadas a Eduardo Bolsonaro e seus aliados no exterior.

PF investiga destino dos recursos enviados aos Estados Unidos

A Polícia Federal já havia apontado a necessidade de investigar as transferências internacionais realizadas sob a justificativa de financiar o filme. O objetivo é reconstruir a trajetória dos valores desde as estruturas ligadas a Vorcaro até os fundos e empresas utilizados nos Estados Unidos. Com isso, procura-se verificar quem recebeu os recursos, quem tinha poder para movimentá-los e qual foi a finalidade efetivamente dada ao dinheiro.

O caso ganhou novos contornos depois que documentos passaram a indicar que Eduardo Bolsonaro tinha responsabilidades relacionadas à estrutura financeira do projeto. Contratos e mensagens anteriormente divulgados apontam que ele participou das discussões sobre financiamento e poderia exercer influência sobre decisões administrativas da produção. A PF agora analisa essas informações em conjunto com os registros bancários e societários encontrados durante a investigação.

A apuração ocorre paralelamente a outra frente que investiga suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares relacionadas ao filme. Nessa segunda investigação, a Polícia Federal identificou movimentações consideradas suspeitas envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, empresas e a produtora responsável pela obra. As duas linhas de investigação são distintas, mas ambas têm como ponto de convergência a análise das fontes de financiamento e da circulação de dinheiro relacionada a “Dark Horse”.

Eduardo nega ter recebido dinheiro do financiamento

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido os recursos destinados ao financiamento de “Dark Horse” e afirma que não se apropriou do dinheiro negociado para a produção. Em manifestações anteriores, ele sustentou que uma estrutura jurídica própria foi criada para administrar os valores nos Estados Unidos. A defesa também rejeita a interpretação de que as transferências destinadas ao filme tenham sido utilizadas para beneficiar pessoalmente o ex-deputado.

A investigação, entretanto, ainda procura esclarecer exatamente como os recursos foram administrados e qual foi a participação de cada pessoa envolvida na estrutura financeira. As mensagens atribuídas a Eduardo passaram a ser confrontadas com contratos, registros societários e movimentações bancárias para verificar a extensão de sua atuação. Enquanto as diligências continuam, eventuais responsabilidades criminais ainda dependem da conclusão da apuração e da análise das provas reunidas pela Polícia Federal.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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