PF relatou a Moraes risco de Flávio deixar o Brasil para longa permanência no exterior

A Polícia Federal encaminhou parecer ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alertando sobre a existência de riscos considerados “concretos e atuais” de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixasse o Brasil com a intenção de permanecer por longo período no exterior. O parlamentar, que perdeu a disputa presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria embarcado para os Estados Unidos nesta terça-feira, 27 de outubro, sem cumprir a ordem judicial de entrega de seus passaportes.
Estrutura de apoio e recursos no exterior
Entre os elementos apresentados pela Polícia Federal está a informação de que o advogado Willer Tomaz, investigado em conjunto com Flávio Bolsonaro, reside em Miami desde agosto deste ano. A autoridade policial avalia que ele dispõe de condições financeiras para manter o senador no exterior por tempo indeterminado. “Dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”, registrou a PF no documento encaminhado ao magistrado. O caso envolve uma empresa sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, cujos bens foram bloqueados pelo ministro Alexandre de Moraes na semana passada em valor aproximado de R$ 6 bilhões.
Rede de apoio e articulação internacional
Segundo informações levantadas, a viagem teria sido organizada com apoio de pessoas próximas ao senador e também com a atenção de autoridades norte-americanas, entre elas o secretário de Estado Marco Rubio. A Polícia Federal chama atenção para a possibilidade de que já exista uma estrutura estabelecida nos Estados Unidos capaz de facilitar uma estadia prolongada de Flávio Bolsonaro, caso essa seja sua decisão. Essa percepção se soma a outros elementos que levaram a Justiça a determinar a restrição de locomoção.
Declarações de Eduardo Bolsonaro são citadas pela investigação
A PF também destacou em seu parecer as declarações públicas feitas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que sugeriu abertamente que Flávio deixasse o país caso não vencesse a eleição. Em entrevista veiculada internacionalmente, ele afirmou: “Se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza”. A própria condição jurídica de Eduardo é mencionada pela investigação: ele foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo e reside nos Estados Unidos desde março de 2025, onde obteve visto de residência permanente.
Rastreamento de recursos é investigado
Outro ponto que segue sob apuração é a destinação final de valores envolvidos no caso do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal observa que não está descartada a possibilidade de que parte dos recursos movimentados pelo empresário Daniel Vorcaro, por intermédio de Antonio Freixo, possa ter sido utilizada para custear despesas no exterior, incluindo a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. “Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense”, registrou a PF.
Três inquéritos em andamento no STF
Flávio Bolsonaro é alvo de três investigações distintas no Supremo Tribunal Federal. Além daquela que envolve supostas movimentações financeiras com Willer Tomaz, responde a questionamentos sobre o financiamento do filme e também a um inquérito relacionado a declarações públicas feitas durante a campanha eleitoral. A combinação entre o encerramento de seu mandato parlamentar, a proximidade de mudanças em sua situação jurídica e a saída do país sem autorização judicial eleva a complexidade do caso, que agora será avaliado pelo ministro relator.
O que acontece a partir de agora
Cabe ao ministro Alexandre de Moraes analisar o relatório da Polícia Federal e decidir sobre as medidas cabíveis. O descumprimento de uma ordem judicial pode gerar consequências processuais específicas, independentemente do mérito das investigações em curso. A comunidade jurídica e a sociedade brasileira acompanham os desdobramentos. É fundamental que os fatos sejam esclarecidos com clareza e que as instituições atuem com base na legislação vigente. A soberania nacional e o Estado de Direito são princípios que devem guiar cada passo desse processo, sempre com respeito ao devido processo legal e à ampla defesa.





