Presidente do PL corre para eleger uma nova ‘cara da direita’ no Brasil, já que Flávio foi para os Estados Unidos

O Partido Liberal (PL) pretende retomar as articulações para filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atualmente vinculado ao Republicanos, mas integrantes da legenda consideram reduzidas as possibilidades de sucesso. A movimentação ocorre em meio à reorganização do partido depois da derrota eleitoral e da viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Segundo interlocutores ouvidos por CartaCapital, a direção da sigla voltou a discutir a aproximação com Tarcísio, embora não exista expectativa de que o governador aceite facilmente uma mudança partidária.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, está entre os responsáveis pelas conversas sobre o futuro da legenda e a escolha de uma liderança nacional para os próximos anos. O dirigente e Jair Bolsonaro combinaram que deverão definir conjuntamente quem será a principal referência do partido no Brasil, em um planejamento que também considera a atuação de Flávio fora do país. Nesse arranjo, a possibilidade de Tarcísio ingressar na sigla voltou ao debate, especialmente diante das discussões sobre a sucessão política e a disputa presidencial de 2030.
A tentativa de reabrir a negociação acontece depois que Tarcísio admitiu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que poderia disputar a Presidência da República em 2030. A declaração provocou reações diferentes dentro do PL: enquanto alguns aliados de Flávio demonstraram irritação com a possibilidade de o governador antecipar a discussão sucessória, outro grupo não recebeu a manifestação com preocupação. Para esses integrantes, a eventual candidatura de Tarcísio não impede que o partido volte a conversar sobre sua filiação.
PL tenta reabrir negociação com Tarcísio em meio à reorganização
A retomada das conversas sobre a filiação do governador paulista está relacionada à estratégia do PL para definir sua estrutura política depois da eleição. Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro pretendem escolher quem será a principal referência nacional da legenda, enquanto Flávio poderá desempenhar um papel de representação internacional do partido. A divisão de funções foi discutida pelos dois em uma reunião realizada na quinta-feira, 29 de outubro, após a autorização do ministro Alexandre de Moraes para que Valdemar visitasse o ex-presidente.
O entendimento entre Valdemar e Jair não significa, entretanto, que o presidente do PL tenha aderido a todas as iniciativas políticas de Flávio. De acordo com a reportagem, o dirigente não gostou da carta divulgada pelo senador depois de sua chegada aos Estados Unidos e não participou da mobilização em torno do documento. Essa diferença de posicionamento ajuda a explicar por que a direção partidária discute alternativas para organizar sua atuação no Brasil, mesmo com Flávio permanecendo como um dos nomes centrais do grupo.
Nesse cenário, Tarcísio aparece como uma possibilidade para ocupar espaço na reorganização da legenda, mas a negociação enfrenta obstáculos. O governador já pertence ao Republicanos e não há indicação de que tenha decidido deixar a sigla para ingressar no PL. Além disso, interlocutores ouvidos pela CartaCapital avaliam que as chances de convencê-lo são mínimas, apesar do interesse de integrantes do partido em retomar o diálogo.
Declaração sobre candidatura em 2030 influencia articulações do PL
A entrevista em que Tarcísio admitiu a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto em 2030 acrescentou um novo elemento às conversas partidárias. O governador afirmou que poderia considerar uma candidatura presidencial, mas não anunciou uma decisão definitiva nem confirmou que deixará o governo paulista para disputar outro cargo. A declaração foi interpretada de maneiras diferentes dentro do PL, evidenciando que os integrantes da legenda não possuem uma posição única sobre o papel que Tarcísio poderá desempenhar na próxima disputa nacional.
Aliados de Flávio demonstraram incômodo com a manifestação porque consideraram que o governador antecipou o debate sobre a sucessão presidencial enquanto o senador ainda tenta preservar seu espaço político. Tarcísio havia apoiado a candidatura de Flávio, participado de atos de campanha e colaborado com a preparação do senador para os debates eleitorais. Antes da definição de Jair Bolsonaro pelo nome do filho, o governador também era considerado uma alternativa para representar a direita na eleição presidencial.
A reação de parte dos aliados de Flávio, contudo, não representa necessariamente a posição de todos os integrantes do PL. A reportagem aponta que o grupo interessado em retomar a negociação para filiar Tarcísio não recebeu sua declaração sobre 2030 com preocupação. Essa diferença revela a existência de avaliações distintas dentro da legenda sobre a relação com o governador e sobre a construção de uma liderança nacional para os próximos anos.
Valdemar e Jair Bolsonaro discutem quem será a referência nacional do PL
A conversa entre Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro sobre a divisão de papéis dentro do partido representa outro ponto importante da reorganização. A ideia discutida pelos dois é que Flávio tenha uma função de representação internacional, enquanto a legenda organize uma liderança com atuação central no Brasil. A definição ainda depende das articulações entre os principais integrantes do grupo e não significa que todos os setores partidários tenham concordado com o modelo.
A possível filiação de Tarcísio se encaixa nesse debate porque o governador possui projeção nacional e já foi considerado uma alternativa para disputar a Presidência. Entretanto, sua permanência no Republicanos e as poucas chances apontadas por interlocutores do PL indicam que a retomada das conversas não representa uma mudança partidária encaminhada. O interesse da legenda precisa ser diferenciado de uma decisão do governador, que não anunciou intenção de deixar sua atual sigla.
A reportagem também destaca que Valdemar não acompanhou o movimento de Flávio em torno da carta divulgada nos Estados Unidos, demonstrando que existem diferenças entre os dirigentes sobre a condução política do partido. Ao mesmo tempo, o presidente do PL mantém a intenção de discutir com Jair Bolsonaro quem deverá representar nacionalmente a legenda. Assim, a tentativa de reabrir a negociação para filiar Tarcísio ocorre em um momento no qual o partido procura definir sua liderança, o papel de Flávio e sua estratégia para 2030, mas ainda enfrenta incertezas sobre a adesão do governador paulista.





