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PF explicou que o senador Flávio Bolsonaro não aparece nas investigações apenas sendo citado por terceiros

A Polícia Federal identificou elementos que apontam para uma atuação direta de Flávio Bolsonaro nas negociações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A participação do senador é analisada em uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal, que apura a origem, a circulação e a destinação de recursos empregados no projeto. O caso envolve também movimentações financeiras relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo os elementos reunidos na apuração, Flávio Bolsonaro teria procurado Vorcaro para obter recursos destinados à produção cinematográfica. Documentos e mensagens já divulgados indicam que teria sido negociado um financiamento de até US$ 24 milhões, enquanto transferências identificadas pela investigação chegaram a aproximadamente US$ 12,3 milhões. A PF busca esclarecer se todo o dinheiro efetivamente teve como destino o filme e se os valores foram utilizados exclusivamente para essa finalidade.

A investigação ganhou novos elementos depois que foram analisadas mensagens, contratos e registros financeiros relacionados ao financiamento de “Dark Horse”. A atuação de Flávio passou a ser examinada de forma específica no inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, que também investiga possíveis crimes relacionados às operações financeiras. Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos tinham origem privada e foram destinados à produção do longa.

PF analisa negociação entre Flávio e Daniel Vorcaro

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro tornou-se pública após a divulgação de conversas nas quais o senador aparece negociando recursos para o filme. As mensagens revelaram que o parlamentar buscava financiamento junto ao então controlador do Banco Master, em uma negociação que previa valores expressivos para viabilizar a produção. Posteriormente, Flávio reconheceu ter procurado Vorcaro, mas afirmou que sua atuação ocorreu na busca por investidores para o projeto.

Parte dos recursos teria sido movimentada por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. De acordo com informações apresentadas na investigação, sete transferências teriam sido realizadas para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, somando US$ 12,3 milhões. A participação dessa estrutura financeira passou a ser analisada para determinar como o dinheiro circulou antes de chegar às despesas relacionadas ao filme.

O caso também envolve uma diferença entre o valor inicialmente negociado e os recursos cuja transferência foi identificada pelas autoridades. Um cronograma citado nas apurações previa aportes que poderiam chegar a US$ 24 milhões, mas os registros encontrados até agora indicam repasses menores. Por isso, a origem e o destino de cada parcela estão sendo verificados pelos investigadores.

Financiamento de Dark Horse entrou no radar do STF

A investigação conduzida por André Mendonça é diferente da apuração autorizada pelo ministro Flávio Dino sobre possíveis desvios de emendas parlamentares envolvendo pessoas ligadas ao filme. A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up para investigar a suspeita de fragmentação de recursos públicos entre organizações e empresas relacionadas à produção. Entre os alvos da operação estão o deputado Mario Frias e a empresária Karina da Gama.

Na investigação relacionada às emendas, a PF apontou uma possível circulação de valores entre parlamentares, entidades sem fins lucrativos e empresas contratadas para executar projetos. Segundo a corporação, essa movimentação teria características que precisam ser esclarecidas, inclusive quanto à eventual utilização de pessoas jurídicas para circulação ou ocultação de recursos. Essa frente, entretanto, não deve ser confundida com o inquérito que apura os repasses privados ligados a Vorcaro e à produção de “Dark Horse”.

O filme passou a ser analisado pelas autoridades a partir de diferentes linhas de investigação financeira. De um lado, estão os recursos privados relacionados a Vorcaro e às negociações atribuídas a Flávio Bolsonaro; de outro, estão as suspeitas envolvendo dinheiro proveniente de emendas parlamentares. A PF procura estabelecer a origem dos valores, os caminhos percorridos pelo dinheiro e a finalidade efetiva de cada transferência.

Flávio nega irregularidades no financiamento

Flávio Bolsonaro afirma que não houve utilização de dinheiro público na produção de “Dark Horse”. O senador também sustenta que os recursos recebidos de Vorcaro representaram investimento ou patrocínio privado para o filme e nega que tenha existido qualquer irregularidade na negociação. A versão apresentada por Flávio é considerada no contexto das diligências que ainda estão sendo realizadas.

A produtora responsável pelo filme também declarou que os recursos destinados à produção não foram recebidos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, mas por meio do fundo Havengate. Segundo informações divulgadas anteriormente, o orçamento já realizado da produção alcançava cerca de US$ 13 milhões, com mais de 90% desse valor tendo sido bancado por recursos atribuídos ao ex-banqueiro. A PF, entretanto, ainda investiga a trajetória dos recursos para verificar como eles foram utilizados.

Com a abertura do inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal passou a investigar formalmente sua participação na captação e no financiamento de “Dark Horse”. A apuração deverá analisar as negociações com Vorcaro, os repasses feitos por intermediários e a utilização do fundo sediado nos Estados Unidos. Enquanto as diligências continuam, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal do senador.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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