Últimas Notícias

Presidente Lula foi a um encontro com líderes da Frente Evangélica pelo Estado de Direito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 16 de setembro, que não costuma fazer discursos políticos dentro de igrejas por considerar que o espaço religioso deve ser preservado. A declaração ocorreu durante um encontro com líderes da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, em meio à movimentação política voltada ao eleitorado evangélico para a eleição presidencial. Na ocasião, Lula também fez uma referência indireta à estratégia adotada por Flávio Bolsonaro, que tem utilizado igrejas e encontros religiosos durante sua campanha.

Durante a conversa, Lula explicou que evita aceitar convites para falar de política em templos religiosos porque considera importante respeitar a relação individual de cada fiel com sua fé. Segundo o presidente, quando pretende tratar de política, prefere fazer isso em outros espaços, sem transformar a igreja em local para discursos eleitorais. A fala foi apresentada no encontro como uma forma de explicar sua postura diante da aproximação entre política e religião que tem marcado a atual disputa eleitoral.

O tema ganhou destaque porque o eleitorado evangélico é considerado um dos segmentos importantes da disputa presidencial de 2026. De acordo com a pesquisa Quaest mencionada pelo UOL, divulgada em 15 de setembro, Flávio Bolsonaro aparecia com 51% das intenções de voto entre evangélicos no segundo turno, enquanto Lula registrava 28%, uma diferença de 23 pontos percentuais. Os números retratam o cenário registrado naquele levantamento e não representam uma previsão sobre o resultado da eleição.

Lula explica posição sobre discursos em igrejas

Ao falar para os líderes religiosos, Lula afirmou que não iria a uma igreja para fazer um discurso político, independentemente de a instituição ser católica ou evangélica. O presidente disse que essa decisão estaria relacionada ao respeito que afirma ter pela fé e pela relação particular de cada pessoa com Deus. A declaração foi feita justamente em um encontro destinado a discutir a aproximação do governo e do campo político petista com setores do eleitorado evangélico.

Lula também relatou que, ao longo dos anos, precisou explicar repetidamente elementos associados à identidade do Partido dos Trabalhadores e à sua própria imagem. Ele citou, por exemplo, interpretações que relacionavam a cor vermelha do partido ao sangue de Cristo e a estrela da legenda a um símbolo utilizado por navegadores. Em outro momento, mencionou até sua barba ao recordar argumentos usados para responder a questionamentos sobre sua relação com a tradição cristã.

A fala do presidente ocorreu em um contexto de tentativa de ampliar o diálogo com os evangélicos, segmento no qual ele enfrenta maior resistência eleitoral segundo levantamentos recentes. O encontro reuniu representantes religiosos e integrantes que vêm participando da articulação para aproximar Lula desse público. Entre os participantes estavam o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho, que atualmente atua na coordenação da campanha petista.

Lula e Flávio Bolsonaro disputam espaço entre evangélicos

A menção a Flávio Bolsonaro ocorreu justamente quando Lula discutia a relação entre política, religião e campanha eleitoral. O senador e candidato do PL tem buscado ampliar sua presença junto a lideranças e comunidades evangélicas, utilizando também espaços religiosos em sua estratégia de comunicação política. Essa diferença de abordagem foi colocada em evidência pela declaração de Lula durante o encontro desta quarta-feira.

O presidente também ouviu uma manifestação do pastor Ariovaldo Ramos, um dos líderes presentes na reunião, que afirmou que representantes religiosos que fazem críticas ao governo não necessariamente falam em nome de todos os evangélicos. Segundo o pastor, o segmento possui diferentes posições e não deveria ser tratado como um grupo completamente uniforme. A declaração acrescentou ao encontro um debate sobre a diversidade de posições políticas existente entre os fiéis das diferentes igrejas evangélicas.

Além da questão eleitoral, Lula sinalizou que pretende buscar a colaboração das igrejas em eventuais políticas públicas voltadas à população idosa caso permaneça no governo em um novo mandato. O presidente também destacou a participação das mulheres em funções de liderança nas igrejas evangélicas e comparou essa realidade com as regras existentes na Igreja Católica. Ao tratar do assunto, Lula afirmou que considera a ordenação de mulheres uma diferença relevante entre as duas tradições religiosas.

Encontro teve debate sobre religião e cenário internacional

O encontro com os líderes evangélicos também foi utilizado por Lula para abordar assuntos que ultrapassaram a disputa eleitoral brasileira. O presidente discursou durante quase 30 minutos e dedicou parte significativa da fala ao cenário internacional, mencionando conflitos e defendendo uma atuação voltada à busca pela paz. Segundo o relato do UOL, Lula afirmou que pretende utilizar seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, no fim de setembro, para fazer um apelo nesse sentido.

Na reunião, estavam presentes também três pastores norte-americanos identificados com posições progressistas nos Estados Unidos, entre eles o reverendo Bronson Woods, da Igreja Batista. Lula aproveitou a presença dos religiosos para fazer críticas à atuação internacional do presidente norte-americano Donald Trump e comentar os efeitos econômicos provocados pelos conflitos. A discussão incluiu referências à guerra na Ucrânia, à invasão do Irã e aos impactos sobre os preços dos combustíveis e o custo de vida.

A agenda religiosa, portanto, acabou sendo combinada com temas políticos nacionais e questões internacionais durante a reunião. Ao mesmo tempo em que explicou por que evita fazer discursos eleitorais dentro de igrejas, Lula procurou reforçar a necessidade de diálogo com lideranças evangélicas e apresentar propostas para esse segmento. A participação de integrantes do governo e da campanha também mostrou que a aproximação com esse público ocupa espaço nas articulações políticas do atual período eleitoral.

O encontro ocorreu em um momento no qual Lula busca ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos, enquanto Flávio Bolsonaro mantém uma estratégia de aproximação com esse segmento por meio de lideranças e espaços religiosos. A declaração do presidente sobre não fazer discursos políticos em igrejas colocou essa diferença de abordagem no centro da reunião desta quarta-feira. O cenário, conforme os dados eleitorais citados pelo UOL, continua marcado por uma distância entre os dois candidatos nesse grupo específico do eleitorado, embora pesquisas representem apenas um retrato do momento em que foram realizadas.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *