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Quem pagou pelo terno? Mendonça apresenta notas fiscais após áudio ligado a Vorcaro

Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil para rebater suspeita sobre terno

Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil para contestar a suspeita de que teria recebido roupas pagas por pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou duas notas fiscais que totalizam R$ 26.430 em compras feitas na alfaiataria citada em mensagens que vieram a público nos últimos dias. Os documentos estão em nome de Janey Mendonça, esposa do magistrado, e foram utilizados para sustentar a versão de que as peças foram adquiridas pela família do ministro, e não oferecidas como presente. Entretanto, a controvérsia ganhou repercussão porque uma das notas foi emitida justamente em 8 de fevereiro de 2025, data em que o advogado Ciro Rocha Soares afirmou, em mensagem enviada a Vorcaro, que estava com Mendonça em uma alfaiataria para que o ministro fizesse um terno.

Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil e detalha compras

A primeira nota fiscal registra R$ 16.695 em produtos e um desconto de R$ 165, resultando em R$ 16.530. Entre os itens descritos estão camisas e peças sob medida. Além disso, uma segunda nota, emitida em 28 de fevereiro de 2025, registra inicialmente R$ 11.010 em mercadorias e desconto de R$ 1.110, levando o valor final para R$ 9.900. Nesse segundo documento aparecem blazers sob medida e acessórios. Somadas, as duas compras chegam aos R$ 26.430 apresentados para rebater a suspeita. Portanto, os documentos acrescentam um elemento objetivo à versão de Mendonça ao demonstrarem que produtos foram faturados em nome de sua esposa. Por outro lado, uma nota fiscal registra uma operação comercial e seus itens, mas sua interpretação precisa ser feita juntamente com os demais documentos disponíveis quando o objetivo é esclarecer integralmente quem efetivamente custeou determinada compra.

Suspeita sobre terno surgiu após áudio enviado a Daniel Vorcaro

A controvérsia começou após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Em uma delas, Ciro Rocha Soares afirmou ao então banqueiro que estava “trabalhando” por ele e disse ter levado André Mendonça para fazer um terno. A mensagem foi enviada em 8 de fevereiro de 2025, exatamente a data registrada na primeira nota fiscal apresentada pelo ministro. Dessa forma, a coincidência temporal despertou questionamentos sobre o motivo da presença do advogado e sobre quem teria custeado as peças. Entretanto, a assessoria de Ciro negou que o advogado tenha comprado qualquer terno para Mendonça e afirmou que o encontro ocorrido no estabelecimento foi casual. O ministro também negou ter recebido a roupa como presente de Vorcaro ou de pessoas ligadas ao empresário. Assim, o conteúdo do áudio demonstra o que Ciro relatou ao banqueiro naquele momento, mas não comprova, por si só, que o advogado ou Vorcaro tenham pago pelas roupas do magistrado.

Contatos relatados também envolvem tentativa de aproximação com Mendonça

Além do episódio da alfaiataria, outras mensagens atribuídas a Ciro indicam que o advogado buscava aproximar Vorcaro do ministro do Supremo. Em outro áudio divulgado, Ciro afirmou ter conversado com Mendonça sobre dificuldades enfrentadas pelo Banco Master no Banco Central e relatou a Vorcaro que o magistrado estaria disposto a recebê-lo. O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) também foi mencionado pelo advogado no contexto dessas articulações. Posteriormente, o gabinete de Mendonça confirmou que o ministro recebeu Vorcaro uma única vez, em março de 2025, antes de assumir a relatoria das investigações do caso Master no STF. Segundo a versão apresentada pelo magistrado, a conversa ocorreu por iniciativa do empresário e tratou de uma ação envolvendo créditos de precatórios de interesse do banco. Mendonça afirmou que apenas ouviu Vorcaro e ressaltou que sua posição posterior no processo foi contrária ao interesse defendido pelo empresário.

Mendonça apresenta notas, mas documentos precisam ser analisados no contexto

As notas fiscais são relevantes porque respondem diretamente à suspeita de que as roupas teriam sido oferecidas ao ministro. Contudo, a existência dos documentos não deve ser interpretada nem como prova automática de irregularidade nem como resposta definitiva para todas as questões levantadas pelas mensagens. Um dado adicional tornou o episódio ainda mais sensível: documentos divulgados nesta sexta-feira indicam que Vorcaro realizou, em outubro de 2025, um pagamento de R$ 500 mil à mesma empresa responsável pela alfaiataria. Entretanto, esse pagamento ocorreu mais de oito meses depois da visita de Mendonça e a documentação conhecida não informa quais produtos ou serviços foram adquiridos pelo ex-banqueiro. Consequentemente, não existe, com base apenas nesse registro, comprovação de ligação entre os R$ 500 mil e as peças compradas pela família de Mendonça em fevereiro. Essa separação é fundamental para evitar que coincidências sejam apresentadas como relações financeiras já demonstradas.

Encontro com Vorcaro amplia interesse sobre a relação entre os personagens

O episódio ganhou relevância adicional porque as mensagens sobre a alfaiataria fazem parte de um conjunto mais amplo de informações relacionadas às tentativas de aproximação de Vorcaro com autoridades. No caso específico de Mendonça, o próprio ministro confirmou o encontro ocorrido em março de 2025, porém afirmou que se limitou a ouvir o empresário. Além disso, seu gabinete declarou que o assunto discutido era uma questão judicial sobre precatórios e destacou que a atuação do magistrado posteriormente contrariou a posição defendida pelo Banco Master. Esse ponto é importante porque reuniões entre autoridades e interessados em processos podem gerar questionamentos sobre transparência e imparcialidade, mas sua ocorrência, isoladamente, não demonstra favorecimento. Da mesma maneira, mensagens trocadas entre Vorcaro e Ciro representam as afirmações e estratégias dos próprios interlocutores e não necessariamente refletem as intenções ou ações de Mendonça. Por isso, cada elemento precisa ser analisado com documentação e contexto.

Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil e tenta afastar questionamentos

Por fim, quando Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil, o ministro fornece documentação destinada a sustentar sua negativa de que teria recebido um terno custeado por pessoas relacionadas a Vorcaro. As duas notas mostram compras feitas em fevereiro de 2025 e registradas em nome de Janey Mendonça, incluindo peças sob medida e acessórios. Além disso, a primeira delas coincide com o dia em que Ciro afirmou a Vorcaro estar com o magistrado na alfaiataria. Portanto, os documentos ajudam a esclarecer parte relevante da controvérsia, enquanto outros aspectos — principalmente o significado das mensagens e as tentativas relatadas de aproximação — continuam sujeitos a contextualização. Até o momento, os elementos divulgados não permitem concluir simplesmente que Vorcaro ou seus aliados tenham custeado as roupas do ministro. Assim, para uma avaliação responsável, é necessário separar fatos documentados, versões apresentadas pelos envolvidos e interpretações produzidas a partir das mensagens reveladas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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