Se perder, Lula pode indicar ministro ao STF e tentar tirar vaga de Flávio

O futuro da próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos nas últimas semanas. Integrantes da própria Corte têm estimulado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicar um novo ministro ainda neste ano, antes do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. A vaga foi aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, e até o momento não houve consenso sobre quem ocupará o posto — um dos mais cobiçados e influentes do sistema jurídico brasileiro.
O impasse em torno de Jorge Messias
O nome inicialmente mais cotado era o do advogado-geral da União, Jorge Messias. A indicação, no entanto, enfrentou resistências no Senado Federal, responsável por sabatinar e votar os nomes para o STF. Messias mantém proximidade com o ministro André Mendonça, e isso se tornou um entrave: o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), tem uma relação de conhecidos atritos com Mendonça. Se insistir na indicação, Lula corre o risco de ver o nome rejeitado, ampliando um cenário de indefinição que já se arrasta há meses.
Rodrigo Pacheco: alternativa com maiores chances, mas barreira pessoal
Como caminho alternativo, o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força nos bastidores. Atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-presidente do Senado, Pacheco é visto como um perfil capaz de reunir apoio suficiente para aprovação. Ele também mantém boa relação com Alcolumbre, o que facilitaria a tramitação da indicação. O obstáculo, porém, é pessoal: o presidente Lula expressa certo ressentimento em relação a Pacheco, motivado pela recusa do ex-senador em disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. A indefinição prolongada teria atrapalhado a estratégia petista no estado, onde o senador Cleitinho (Republicanos) acabou vencendo no primeiro turno — e também garantiu a vitória de Flávio Bolsonaro em Minas, um dos colégios eleitorais mais decisivos do país.
Por que a escolha ainda este ano importa
Há uma tradição política de que presidentes que não conseguem a reeleição deixem para o sucessor a indicação de cargos de tamanha relevância. No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, porém, a expectativa é de que esse acordo não ocorra. Se Lula indicar agora e a escolha for aprovada pelo Congresso, ele garante mais um nome alinhado à sua visão institucional na Corte, e deixa para o sucessor a prerrogativa de indicar três ministros — e não quatro, como aconteceria se a vaga permanecesse aberta. Por isso, ministros do Supremo têm atuado como intermediários, buscando convencer Lula a superar a resistência em relação a Pacheco.
O cenário caso Flávio Bolsonaro seja eleito
Se a indicação não acontecer e Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, a prerrogativa de escolher o novo ministro passará para ele. Um nome que já desponta como forte candidato é o atual ministro do TCU Jorge Oliveira. Major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, ele foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro e é considerado um aliado de confiança da família Bolsonaro. Sua trajetória também inclui passagem pela Câmara dos Deputados e atuação como assessor parlamentar de Jair e Eduardo Bolsonaro. Em 2020, foi indicado ao TCU pelo então presidente.
O peso da decisão para os próximos anos
Independentemente de quem faça a indicação, o escolhido ocupará uma cadeira no Supremo por décadas, influenciando decisões sobre temas fundamentais para o país: economia, direitos sociais, meio ambiente, federalismo e instituições democráticas. Por isso, a discussão não se resume a uma disputa de poder entre governos ou partidos — trata-se de definir quem interpretará a Constituição em um período de grandes transformações. O eleitor deve acompanhar esse debate com atenção, pois a composição da Corte é um dos legados mais duradouros que um presidente pode deixar para o Brasil.





