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Segundo o portal UOL, reportagens do Metrópoles sobre o Master, primeiro passavam por Daniel Vorcaro

Uma reportagem feita pelo UOL revelou que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, recebia textos do portal Metrópoles antes da publicação e fazia sugestões de alterações no conteúdo. A investigação jornalística foi assinada pelos colunistas Renata Agostini e Tiago Dantas, que analisaram mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Segundo o levantamento apresentado pelo UOL, pelo menos 14 textos foram enviados previamente ao empresário e 11 acabaram modificados após pedidos feitos por ele.

A relação direta entre Vorcaro e Lilian Tahan, CEO do grupo Metrópoles, começou em 2024, mesmo ano em que o Banco Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Nos meses seguintes, as mensagens analisadas pelos jornalistas mostram que o então banqueiro passou a ser consultado sobre reportagens relacionadas ao Master e sobre assuntos que poderiam afetar seus interesses empresariais. O material também registra dois casos de reportagens que teriam sido publicadas a pedido do próprio Vorcaro.

A reportagem de Renata Agostini e Tiago Dantas, publicada pelo UOL em 15 de outubro de 2026, também apresenta a versão de Lilian Tahan sobre o procedimento. Questionada sobre o envio de textos antes da publicação, a executiva afirmou que consultar fontes para verificar se uma matéria refletia o contexto apresentado seria uma prática adotada com personalidades empresariais, políticas e do Judiciário. Ela também negou relação entre o contrato publicitário do Banco Master e a cobertura jornalística do portal.

Contrato de R$ 20 milhões aproximou Vorcaro do Metrópoles

Segundo a reportagem do UOL, a aproximação começou em maio de 2024, quando o assessor de imprensa do Banco Master, Guilherme Barros, levou Lilian Tahan para um encontro com Vorcaro. Um mês depois, o banco pagou R$ 1 milhão ao Metrópoles e, em julho, acertou mais R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de empresas ligadas ao grupo. Em novembro daquele ano, uma nova negociação resultou em um contrato de R$ 20 milhões, valor que foi pago pelo Master em parcelas de R$ 5 milhões durante 2025.

As mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro acompanhava diretamente as negociações envolvendo o portal. Em uma conversa, a diretora de marketing Ana Matos comentou que o Metrópoles estava caro, e o então banqueiro respondeu que o veículo era a coisa mais importante para os negócios do grupo. Pouco depois, Vorcaro informou que havia dado sua aprovação à proposta apresentada por Lilian Tahan.

A influência sobre o conteúdo, conforme descrito pelos colunistas do UOL, apareceu de forma mais clara em abril de 2025. Naquele período, Vorcaro reclamou de uma informação segundo a qual ativos do Banco Master teriam sido oferecidos por R$ 1, e Lilian Tahan respondeu que a informação seria retirada. Dias depois, a CEO voltou a procurar o empresário para discutir documentos recebidos pela equipe e uma possível reportagem comparando os balanços do Master e do BRB.

Vorcaro sugeria mudanças em reportagens sobre o Banco Master

Em abril de 2025, uma reportagem sobre os balanços dos dois bancos foi submetida previamente a Vorcaro, que afirmou que poderia verificar os dados antes da publicação. No mês seguinte, Tahan enviou ao empresário um texto sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual, e ele pediu a retirada de uma referência à Hapvida. O pedido foi aceito, segundo as mensagens analisadas pelo UOL.

A atuação de Vorcaro também alcançou reportagens sobre integrantes do Banco Central. Em agosto de 2025, ele recebeu uma entrevista com o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e sugeriu que o texto desse menos destaque a Renato Gomes, diretor da instituição que analisava a compra do Master pelo BRB. Posteriormente, ao receber um perfil de Gomes, Vorcaro pediu a retirada de um trecho sobre a situação financeira do banco e sugeriu a inclusão de informações sobre um suposto racha no Banco Central.

As alterações não ficaram restritas a esse episódio. O ex-banqueiro também sugeriu mudanças em um texto sobre um projeto que permitiria ao Congresso demitir diretores do Banco Central, pedindo a retirada da última frase. Em agosto de 2025, Vorcaro ainda pediu que o Metrópoles reduzisse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal e crítico da operação envolvendo o Master e o BRB, e recebeu de Lilian Tahan a resposta de que ela cuidaria do assunto.

Mensagens mostram influência sobre pautas e publicações

O levantamento feito pelos colunistas Renata Agostini e Tiago Dantas indica que a relação entre Vorcaro e o Metrópoles foi além da negociação de publicidade. As mensagens mostram o empresário recebendo previamente textos, sugerindo alterações, opinando sobre personagens de reportagens e sendo consultado sobre possíveis pautas de interesse do Banco Master. Em pelo menos 11 dos 14 textos identificados pelo UOL, houve mudanças depois das intervenções atribuídas ao então banqueiro.

A reportagem também registrou que, em determinados momentos, Lilian Tahan apresentou ao empresário ideias de matérias e pediu sua avaliação antes da publicação. Um dos exemplos citados foi o comparativo entre os balanços do Master e do BRB, que foi publicado depois de Vorcaro ter acesso ao conteúdo. O material analisado pelo UOL mostra ainda que a relação continuou até novembro de 2025, quando o empresário foi preso.

No dia da prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, Lilian Tahan ainda enviou a ele textos relacionados à venda do Banco Master para a Fictor antes que fossem publicados. De acordo com as mensagens reproduzidas na reportagem do UOL, o conteúdo foi alterado depois dos pedidos do então banqueiro e, posteriormente, a CEO informou que a publicação havia sido realizada. A apuração de Renata Agostini e Tiago Dantas coloca esses episódios no centro da discussão sobre a relação entre interesses comerciais e independência editorial no caso envolvendo o Metrópoles e o ex-dono do Banco Master.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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