Tarcísio diz que Haddad “só fala bobagem” após acusação sobre Dark Horse

A disputa eleitoral em São Paulo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (27), após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, responder às acusações feitas por Fernando Haddad (PT) sobre uma possível interferência nas investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”. A declaração ocorreu durante a abertura da Expoflora, em Holambra, no interior paulista, onde Tarcísio foi questionado pela CNN sobre as críticas do adversário. Em tom de confronto político, o governador negou qualquer participação de seu governo em medidas que pudessem afetar o andamento das apurações e aproveitou a oportunidade para direcionar questionamentos ao governo federal.
Ao comentar as declarações de Haddad, Tarcísio afirmou que o adversário estaria fazendo acusações sem fundamento e, na sequência, citou uma investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o governador paulista, uma eventual mudança no comando de uma investigação da Polícia Federal poderia ser interpretada como tentativa de influenciar o andamento do caso. “Quem tenta abafar é quando você troca o delegado da Polícia Federal que está investigando o Lulinha. Isso é abafar”, afirmou. A fala ampliou o alcance da discussão, que deixou de se concentrar apenas no caso “Dark Horse” e passou a envolver temas já explorados no debate político nacional.
Tarcísio também mencionou outros assuntos utilizados por setores da oposição ao governo federal durante o período eleitoral. Entre os exemplos citados pelo governador estão o caso envolvendo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, além das referências a Lulinha e ao chamado “Careca do INSS”. A estratégia adotada por Tarcísio foi apresentar uma série de temas que, na avaliação de seu grupo político, também deveriam estar no centro das preocupações do governo federal. Com isso, a troca de acusações entre os dois candidatos ganhou novos elementos e reforçou a expectativa de uma campanha marcada por debates sobre investigações, segurança pública, atuação das instituições e possíveis conflitos entre interesses políticos e administrativos.
O episódio ocorre apenas dois dias depois de Tarcísio ter sido questionado novamente pela CNN a respeito das críticas direcionadas à Polícia Civil de São Paulo no contexto do caso “Dark Horse”. A controvérsia ganhou maior repercussão depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o encaminhamento à Polícia Federal de documentos apreendidos durante uma investigação conduzida no estado. A decisão colocou novamente a atuação das autoridades paulistas sob atenção e aumentou a pressão sobre o governo estadual para esclarecer sua posição diante das medidas judiciais. Tarcísio, porém, afirmou que não houve interferência de sua administração e defendeu a autonomia da Polícia Civil paulista.
Na ocasião, o governador classificou a Polícia Civil como uma instituição de Estado, e não como uma estrutura subordinada aos interesses do governo de plantão. A declaração foi utilizada para reforçar sua posição de que as investigações devem seguir os procedimentos previstos e que eventuais determinações da Justiça serão cumpridas. O caso, entretanto, continua sendo acompanhado de perto no ambiente político, especialmente porque envolve instituições de diferentes esferas e ocorre em meio à disputa pela liderança do governo paulista. A troca de declarações entre Tarcísio e Haddad mostra como assuntos relacionados à atuação policial e ao funcionamento das instituições podem ocupar espaço importante na campanha eleitoral e influenciar a discussão pública nos próximos dias.
Procurada pela CNN, a assessoria de Fernando Haddad ainda não havia apresentado uma resposta às declarações de Tarcísio até a publicação das informações. O Palácio do Planalto também foi procurado para comentar as afirmações do governador paulista, mas não havia se manifestado até aquele momento. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos. Enquanto isso, o episódio mantém o caso “Dark Horse” no centro do debate político e acrescenta mais um ponto de tensão à disputa eleitoral em São Paulo. A tendência é que novas manifestações dos candidatos e das instituições envolvidas sejam observadas com atenção, especialmente diante da continuidade das investigações e das decisões judiciais relacionadas ao caso.





